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A tentação da Igreja Participação ativa Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as) Chamados para uma missão Comitê de Bacia investe em saneamento

A tentação da Igreja

Carlos Scheid

Uma rápida varredura na História da Igreja permite identificar a tentação permanente que ronda o “pessoal da Igreja” – expressão de Jacques Maritain – quando a missão parece difícil, as barreiras se multiplicam e a solução aparente est…

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Participação ativa

Um dos princípios orientadores da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II foi o da “participação ativa”, como lemos no número 14 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium [SC]: “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem à…

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Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as)

O EMM nos dá um presente, que é viver o FDS, um verdadeiro encontro consigo, com o outro e com Deus, que nos mostra o caminho para a conversão com mudanças de atitudes, a escuta com o coração e com a decisão de amar sempre. Isto tem sido um porto seg…

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Chamados para uma missão

João da Silva Resende, SDN*

 

“Eu te segurei pela mão, te formei e te destinei para unir meu povo e ser luz das nações. Para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que moram nas trevas.” (Is 42,6-7.) Assim …

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Comitê de Bacia investe em saneamento

CBH-Manhuaçu conclui 16 Planos Municipais e agora acompanha sua implantação.

Passam-se os anos, trocam-se governos, novas políticas públicas são anunciadas e o saneamento básico segue um descalabro no Brasil. Embora seja um direito previsto na Const…

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Vale a pena ser padre hoje em dia?

COM UMA inquietação bastante presente no meio dos que se dedicam à vida religiosa, Mons. Guillermo Meguizo Yepes, em vista da celebração dos seus 50 anos de sacerdócio, publica, em 2007 a sua obra “¿Vale la pena ser sacerdote hoy?” [Vale a pena ser padre hoje em dia?]. São cinquenta anos de experiência ministerial que enriquecem este livro. Yepes pretende, através de seu estilo original, suscitar uma esperança no âmbito ministerial. “Questiono-me se vale a pena ser sacerdote hoje, apesar dos pesares, apesar das circunstâncias dolorosas, apesar do contexto socioeclesial adverso, apesar do desencanto que nos invade por toda a parte.”

Sua obra culmina com o encerramento do V CELAM – Conferência Episcopal Latino-americana e Caribenha – e traz reflexões pertinentes diante de um contexto histórico abrangendo a caminhada da Igreja até apresentar os desafios que nos angustiam na era pós-moderna, sobretudo a crescente crise de sentido que assola o ser humano hoje. Onde fica a motivação vocacional diante disso? Como ficam os jovens de hoje, diante dessa crise de pobreza de sentido da vida? Como o sacramento da Ordem é visto hoje?

Para conduzir o povo

O sacramento da Ordem é constituído de três graus: o diaconato, o presbiterado e o episcopado, sendo que estes dois últimos pertencem ao sacerdócio ministerial de Cristo. Isso significa que são sacerdotes de Cristo, pois os diáconos carregam, como afirma Aparecida, o “rosto de Cristo Servidor como modelo dos Discípulos Missionários”.

Não pertencemos a um modelo piramidal de Igreja, é importante frisar com convicção isso: em Aparecida, reafirmamos a comunhão de todos, pois na Igreja todos somos discípulos missionários guiados pelo Chamado que Deus nos faz. Tanto o bispo como o presbítero, o diácono, o leigo, o consagrado e a consagrada, todos vamos a caminho do seguimento de Jesus Cristo. Então, qual é a diferença? “Somos Discípulos Missionários de Jesus Cristo com vocações específicas.”

A figura de Moisés, “tirado das águas” [cf. Ex 2,10] apresenta-nos este modelo de seguimento ao chamado de Deus. Moisés faz a experiência de um encontro com Deus. Uma experiência que o convida a entrar no projeto de Deus: “Moisés, Eu vi a miséria do meu povo, ouvi o seu clamor contra seus opressores, e conheço os seus sofrimentos”. (Ex 3,7.) Este encontro pessoal transformou Moisés. Deus o escolheu como um líder para conduzir o povo rumo à Terra Prometida, à liberdade. Moisés, iluminado pela Palavra de Deus, conduz o povo revelando o projeto de vida e de salvação.

Deus, hoje, em sua “sarça ardente”, continua apresentando-se aos nossos jovens, revelando o seu desejo de escolher, no meio do povo, líderes para guiar o próprio povo. Eis a missão do Sacerdote, “tirado do meio do povo para servir o próprio povo”, ser um guia à sua frente, conduzindo todos rumo à terra “onde corre leite e mel”, ou seja, a um Reino de paz, justiça, e de amor.

“Vocês serão para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa. É o que você deverá dizer aos filhos de Israel.” [Ex 19,6.] O Povo de Israel foi consagrado por Deus como um Povo Sacerdotal [cf. Is 61,6]. Entre as Doze tribos de Israel, a tribo de Levi recebeu uma missão “específica”: sua função era anunciar a Palavra de Deus e restabelecer a comunhão com Ele através dos sacrifícios e da oração; “os lábios do sacerdote guardavam o conhecimento, e de sua boca se procurava o ensinamento, pois ele era um mensageiro do Senhor”. [Ml 2,7.]

Diante das interpretações que a Igreja faz diante desta relação do Povo de Deus com o sacerdócio, importa perceber que fica bem claro, desde o Êxodo, desde Moisés, que a principal e “primeira missão deste escolhido por Deus é de anunciar a Palavra de Deus” [PO, 4]. Vive-se o sacramento da Ordem em prol de outrem, ou seja, para levar à salvação ao outro que nos surge. A Ordem nos lança, através de uma convivência coerente, convicta e edificante, a anunciar Jesus Cristo.

O padre não ensina a sua própria sabedoria, “mas a Palavra de Deus, convidando a todos, pela sua pregação – onde se anuncia o Mistério de Cristo aos que creem; pela transmissão da Sagrada Escritura – e pelo estudo, à luz de Cristo, dos problemas que surgem, à conversão e à santidade” [PO, 4].

 

Vale a pena…

Então, “vale a pena ser padre hoje em dia?” O encontro de Moisés com Deus o fez entender que sua vocação e missão consistiam em salvar a vida de seu povo, que vivia escravizado e perseguido por um tirano que não valorizava a vida, nem se importava com as dores do outro, nem de ninguém.

Hoje, é possível viver essa experiência de um encontro pessoal com Cristo, mesmo que não seja no alto de uma montanha, mas que seu coração se torne essa montanha de encontro com Deus; que a sua Igreja, a sua comunidade se torne essa montanha onde Deus possa conversar com você e você possa ouvi-lo. Então, vale a pena, sim!

Vale a pena abraçar com fé e coragem a missão que Deus nos confiou, seja no sacramento da Ordem, seja em outra especificidade. O importante é que, como diz Mons. Yepes, “mesmo diante de tanta falta de sentido numa sociedade fragmentada, mesmo nos deparando com tantas famílias que nos procuram desistindo da família, desistindo dos filhos, se entregando às doenças da sociedade, mesmo nos deparando com tantos jovens que nos questionam, interrogam-nos, cobram-nos uma coerência de vida, ser padre é a melhor coisa que já me ocorreu. Talvez, o segredo foi fazer da minha paróquia uma montanha onde Deus pode se encontrar com seu povo, com as famílias, com os casais, com os jovens, com todos!”

Então, jovem? Quer fazer uma experiência de Deus no rumo da Vida Religiosa Consagrada? Venha! Estamos esperando por você!]

 

*DIONE AFONSO

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