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A tentação da Igreja Participação ativa Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as) Chamados para uma missão Comitê de Bacia investe em saneamento

A tentação da Igreja

Carlos Scheid

Uma rápida varredura na História da Igreja permite identificar a tentação permanente que ronda o “pessoal da Igreja” – expressão de Jacques Maritain – quando a missão parece difícil, as barreiras se multiplicam e a solução aparente est…

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Participação ativa

Um dos princípios orientadores da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II foi o da “participação ativa”, como lemos no número 14 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium [SC]: “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem à…

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Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as)

O EMM nos dá um presente, que é viver o FDS, um verdadeiro encontro consigo, com o outro e com Deus, que nos mostra o caminho para a conversão com mudanças de atitudes, a escuta com o coração e com a decisão de amar sempre. Isto tem sido um porto seg…

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Chamados para uma missão

João da Silva Resende, SDN*

 

“Eu te segurei pela mão, te formei e te destinei para unir meu povo e ser luz das nações. Para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que moram nas trevas.” (Is 42,6-7.) Assim …

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Comitê de Bacia investe em saneamento

CBH-Manhuaçu conclui 16 Planos Municipais e agora acompanha sua implantação.

Passam-se os anos, trocam-se governos, novas políticas públicas são anunciadas e o saneamento básico segue um descalabro no Brasil. Embora seja um direito previsto na Const…

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Tatuagem: sinal ou mutilação?

Antônio Carlos Santini

 

Amiga minha, profissional na área da psicologia, pede minha opinião a respeito do crescente número de pessoas tatuadas no Ocidente.

Parece que as pessoas não se lembram de que as tatuagens têm sua origem em grupos tribais primitivos, como traço de identidade dos clãs, e quase sempre eram associadas a ritos de cunho religioso, sem excluir um aspecto “mágico”. Não é raro que a iniciação religiosa inclua uma mutilação corporal, como na circuncisão judaica. Naturalmente, trata-se de uma realidade pré-cristã.

Na óptica cristã – no quadro da encarnação do Verbo de Deus – a partir do Batismo, o corpo humano passa por um processo que merece o nome de “sagração” ou “consagração”, a ponto de Paulo perguntar: “Não sabeis que sois um templo, e que o Espírito de Deus habita em vós? […] Pois o templo de Deus é santo, e esse templo sois vós”. (1Cor 3,16-17.) E ainda: “Acaso ignorais que vosso corpo é templo do Espírito Santo que mora em vós e que recebestes de Deus? […] Glorificai a Deus em vosso corpo.” (1Cor 6,19-20.) Consideremos também que a Igreja presta homenagem ao corpo dos fiéis defuntos com o ritual das exéquias, exatamente por levar em conta esse aspecto do “sagrado”.

Alguns etólogos (aqueles que se dedicam à ciência do comportamento) já observaram que em certas sociedades, como entre nativos da Nova Zelândia, o marido devia tatuar a esposa, como sinal de “posse”, sinalizando uma espécie de interdito para outros eventuais pretendentes. Seria demais, para nós, intuir que corpos com tatuagens assustadoras, animais, satânicas, indicariam também um traço de “possessão”?

Parece que os tempos atuais permitem identificar uma aproximação entre corpos tatuados e um estilo de vida estranho ou até adversário da mensagem cristã, como no caso de artistas do mundo do rock, das drogas, do hedonismo sem fronteiras. Considerando o aspecto “permanente” da maioria das tatuagens, creio que elas se incluem no gênero das mutilações do corpo humano, mais ou menos graves segundo a espécie: perfuração de orelhas, inserção de botoques nos lábios (varetas, plumas, contas coloridas…), remoção dos genitais femininos ou infibulação (como na Eritreia e Somália) etc.

Outro ângulo a ser considerado parece ligar-se ao comportamento narcisista, que leva à excessiva ocupação com o próprio corpo, em uma ampla escala que vai desde o simples esmalte para as unhas até o corpo “sarado” dos halterofilistas. Algum etólogo falaria em gestos que visam à atração sexual, pensando na plumagem coloridas dos machos entre as aves.

Minha amiga responde que, realmente, precisamos conhecer os fundamentos antropológicos das tatuagens para compreender os motivos psicológicos que levam uma pessoa a fazê-las. “Por detrás de motivos ingênuos ou estéticos – diz ela – pode esconder-se uma mensagem subliminar ou inconsciente de narcisismo, posse, protesto, revolta, vazios existenciais, busca de sentido, masoquismo, objetificação do corporal ou necessidade de autoafirmação.”

Para minha amiga, “seria preciso ver o contexto subjetivo, social e antropológico. Infelizmente muitas pessoas, por falta de autoconhecimento, desconhecem os verdadeiros propósitos que as levam a se tatuarem. É preocupante porque está banalizado, ate mesmo pela Igreja, um assunto que pode contribuir para a formação humana e ampliar a noção de construção do corpo no viés cristão”.

Enfim, creio que se deve registrar também o peso da “moda”. Os modismos influenciam fortemente as pessoas em formação (adolescentes) e os imaturos… Talvez por isso sejam tão numerosos os que se arrependeram das tatuagens que fizeram impensadamente.

 

Foto: Pinterest

 

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