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A tentação da Igreja Participação ativa Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as) Chamados para uma missão Comitê de Bacia investe em saneamento

A tentação da Igreja

Carlos Scheid

Uma rápida varredura na História da Igreja permite identificar a tentação permanente que ronda o “pessoal da Igreja” – expressão de Jacques Maritain – quando a missão parece difícil, as barreiras se multiplicam e a solução aparente est…

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Participação ativa

Um dos princípios orientadores da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II foi o da “participação ativa”, como lemos no número 14 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium [SC]: “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem à…

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Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as)

O EMM nos dá um presente, que é viver o FDS, um verdadeiro encontro consigo, com o outro e com Deus, que nos mostra o caminho para a conversão com mudanças de atitudes, a escuta com o coração e com a decisão de amar sempre. Isto tem sido um porto seg…

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Chamados para uma missão

João da Silva Resende, SDN*

 

“Eu te segurei pela mão, te formei e te destinei para unir meu povo e ser luz das nações. Para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que moram nas trevas.” (Is 42,6-7.) Assim …

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Comitê de Bacia investe em saneamento

CBH-Manhuaçu conclui 16 Planos Municipais e agora acompanha sua implantação.

Passam-se os anos, trocam-se governos, novas políticas públicas são anunciadas e o saneamento básico segue um descalabro no Brasil. Embora seja um direito previsto na Const…

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Revista O Lutador 3865 Papa Francisco

Papa Francisco responde aos jovens

O senhor fala muito em periferia. É uma palavra que usa muitas vezes. Em que o senhor pensa quando fala de periferias? Em nós, nas pessoas da favela?
FRANCISCO – Quando eu falo de periferia, falo de limites. Normalmente, nós nos movemos em espaços que, de alguma forma, controlamos. Este é o centro. Mas, à medida que vamos saindo do centro, vamos descobrindo mais coisas. E quando olhamos para o centro a partir dessas novas coisas que descobrimos, a partir das nossas novas posições, a partir dessa periferia, vemos que a realidade é diferente.
Uma coisa é ver a realidade a partir do centro, e outra coisa é vê-la do último lugar ao qual chegamos. Um exemplo. A Europa, vista a partir de Madri, no século XVI, era uma coisa; mas quando Magalhães chega ao fim do continente americano e olha para a Europa, ele entende outras coisas. A realidade é vista melhor a partir da periferia do que do centro.
Também a realidade de uma pessoa, das periferias existenciais, inclusive a realidade do pensamento. Você pode ter um pensamento muito armado, mas, quando se confronta com alguém que está fora desse pensamento, de alguma forma tem que procurar as razões do seu próprio pensar; começa a dialogar, se enriquece a partir da periferia do pensamento do outro.

O senhor conhece os nossos problemas. As drogas avançam e não são barradas; entram nas favelas e atacam os nossos jovens. Quem deve nos defender? E nós, como podemos nos defender?
FRANCISCO – É verdade, a droga avança e não é barrada. Há países que já são escravos da droga e isso nos preocupa. O que mais me preocupa é o triunfalismo dos traficantes. Essas pessoas já cantam vitória, venceram, triunfaram. E isto é uma realidade. Há países ou regiões onde tudo está sob o domínio da droga. A respeito da Argentina, posso dizer só isto: há 25 anos, era um lugar de passagem da droga; hoje em dia, é um lugar de consumo. E não tenho certeza, mas acredito que também de fabricação.

Qual é a coisa mais importante que temos que dar aos nossos filhos?
FRANCISCO – O pertencimento a um lar. O pertencimento se dá com amor, com carinho, com tempo, de mãos dadas, escutando-os, brincando com eles, dando a eles o necessário em cada momento para o seu crescimento. Dando a eles, principalmente, espaço para se expressarem. Se você não brinca com o seu filho, priva-o da dimensão da gratuidade. Se você não dá espaço para que ele diga o que sente e para que ele possa até discutir com você, por sentir-se livre para isso, então você não está deixando que ele cresça. Mas o mais importante é a fé. Dói muito, em mim, quando encontro jovens que não sabem fazer o sinal da cruz. Esses jovens não receberam a coisa mais importante que um pai e uma mãe podem dar a eles: a fé.

O senhor acha que sempre existe a possibilidade de mudança, tanto em situações difíceis, de pessoas que foram muito provadas pela vida, como em situações sociais ou internacionais que são causa de grandes sofrimentos para a população? De onde vem esse otimismo, inclusive quando seria o caso de nos desesperarmos?
FRANCISCO – Toda pessoa pode mudar, inclusive as muito provadas. Eu conheço gente que estava abandonada ao deus-dará e que hoje está casada, tem o seu lar. Isto não é otimismo; isto é certeza de duas coisas. Primeiro, do homem, da pessoa. A pessoa é imagem de Deus e Deus não despreza a sua imagem, sempre a resgata de alguma forma. E, segundo, da força do Espírito Santo, que vai mudando a consciência.
Não é otimismo, é fé na pessoa, porque ela é filha de Deus. Deus não abandona os seus filhos. Eu gosto de repetir que nós, os filhos de Deus, fazemos bobagens o tempo todo, erramos, pecamos, mas, quando pedimos perdão, Ele sempre nos perdoa. Ele não se cansa de perdoar. Somos nós que, quando nos achamos importantes, nos cansamos de pedir perdão.

Como podemos ficar convictos e constantes na fé? Vivemos altos e baixos; em alguns momentos somos conscientes da presença de Deus, de que Deus é um companheiro de caminho, mas, em outros, nos esquecemos disso e nos comportamos como se Deus não existisse. Podemos conseguir estabilidade numa questão como a da fé?
FRANCISCO – Sim, há altos e baixos. Em alguns momentos, somos conscientes da presença de Deus, outras vezes nos esquecemos dela. A Bíblia diz: a vida do homem, da pessoa sobre a terra, é um combate. Ou seja, temos que estar em paz e lutando. Preparados para não desfalecer, não baixar a guarda e, por outro lado, desfrutando de todas as coisas lindas que Deus nos dá na vida. Temos que estar alertas. Não ser derrotistas, não ser pessimistas.
Como ser constante na fé? Se você não se negar a senti-la, vai senti-la muito perto, vai encontrá-la no seu coração. Outro dia pode ser que você não sinta nada. Mas a fé está ali, não está? É necessário acostumar-se com o fato de que a fé não é um sentimento. Às vezes, nosso Senhor nos dá a graça de senti-la, mas a fé é mais do que isso.
A fé é a minha relação
com Jesus Cristo;
eu creio que Ele me salvou.
Este é o ponto central da fé.
Procure os momentos da sua vida em que você estava mal, perdido, frustrado, e observe como Cristo o salvou. Abrace isto; esta é a raiz da sua fé. Quando você se esquece, quando não sente nada, abrace isto, porque essa é a base da sua fé.
E sempre com o Evangelho na mão. Leve consigo um Evangelho pequeno, no bolso. Mantenha um Evangelho em casa. É a Palavra de Deus. Nele você alimenta a fé. Afinal, a fé é um presente, não é uma atitude psicológica. E quando lhe dão um presente, você tem que recebê-lo, não é? Receba, então, o presente do Evangelho e leia. Leia e escute a Palavra de Deus.

A sua vida tem sido intensa, rica. Nós também queremos viver uma vida plena, intensa. Como fazer para não viver inutilmente? E como podemos saber que não vivemos inutilmente?
FRANCISCO – Bom, eu vivi muito inutilmente, sabiam? Não foi tão intensa e tão rica. Eu sou um pecador como qualquer outro. Acontece que, simplesmente, nosso Senhor quis que as coisas que eu faço sejam públicas, mas quantas vezes há gente que não vemos, e o bem que elas fazem! A intensidade não é diretamente proporcional ao que se vê. A intensidade é vivida por dentro. E é vivida alimentando-se a fé. Como? Fazendo obras de fecundidade, obras de amor pelo bem das pessoas.
Talvez o pior pecado contra o amor seja o de renegar uma pessoa. Há uma pessoa que ama você e você a renega, fingindo que nem a conhece. Ela ama você e você a renega! Quem mais nos ama é Deus. Renegar a Deus é um dos piores pecados que existem. São Pedro cometeu esse pecado, renegou Jesus Cristo… e foi escolhido Papa! Então, o que me resta? Vamos seguir adiante!

Há pessoas, ao seu redor, que não concordam com o senhor? Como o senhor se comporta com elas?
FRANCISCO – Sim, claro. Nunca me fez mal escutar as pessoas. Cada vez que as escuto, me faz bem. Nas vezes em que não as escutei é que me dei mal. Porque, mesmo que você não esteja de acordo, elas sempre, sempre vão lhe dar algo ou colocar você numa situação em que é preciso repensar as coisas. E isso enriquece. Esta é a maneira de nos comportarmos com as pessoas das quais discordamos. Agora, se eu não estou de acordo com alguém e paro de cumprimentá-lo, fecho a porta na sua cara ou não o deixo falar, não lhe pergunto nada, é evidente que anulo a mim mesmo. Esta é a riqueza do diálogo. Dialogando, escutando, você se enriquece.

A moda de hoje empurra os jovens para as relações virtuais. Na favela também acontece isto. Como fazer para que as pessoas saiam do seu mundo de fantasia, como ajudá-las a viver a realidade e as relações verdadeiras?
FRANCISCO – Eu distinguiria entre o mundo da fantasia e as relações virtuais. Às vezes, as relações virtuais não são de fantasia; são concretas, são de coisas reais, muito concretas. Mas, evidentemente, o desejável é a relação não virtual, ou seja, a relação física, afetiva, a relação no tempo e no contato com as pessoas. E acho que o perigo que nós corremos é o de ter uma capacidade de informação muito grande, de nos movermos virtualmente dentro de toda uma série de coisas que podem nos fazer virar jovens-museus. Um jovem-museu é muito bem informado, mas o que ele faz com tudo o que tem? A maneira de ser fecundo na vida não é acumular informação ou manter apenas comunicações virtuais, mas mudar o concreto da existência. Em suma, isto quer dizer amar.
Você pode amar outra pessoa, mas, se não aperta a sua mão, não lhe dá um abraço, não é amor; se você ama alguém para se casar com esse alguém, ou seja, com o desejo de se entregar completamente, mas não o abraça, não lhe dá um beijo, não é verdadeiro amor. O amor virtual não existe. Existe a declaração de amor virtual, mas o verdadeiro amor prevê o contato físico, concreto.
Vamos ao essencial da vida. E o essencial é isso. Então, nada de jovens-museus que só estejam informados das coisas virtualmente, e sim, jovens que sintam e que, com as próprias mãos, e isto é o concreto, levem a vida adiante. Eu gosto de falar das três linguagens: a linguagem da cabeça, a linguagem do coração e a linguagem das mãos. Tem que haver harmonia entre as três, de tal maneira que você pense o que sente e o que faz, sinta o que pensa e o que faz, e faça o que sente e o que pensa. Isto é o concreto. Ficar somente no virtual é como viver numa cabeça sem corpo. […]

Ouvimos pela televisão notícias que nos doem, sobre fanáticos que querem matá-lo. O senhor não tem medo? E nós, que o amamos, o que podemos fazer?
FRANCISCO – Vejam, a vida está nas mãos de Deus. Eu disse a nosso Senhor: cuida de mim. Mas se a tua vontade for que eu morra ou que me façam algo, só te peço um favor: que não me doa. Porque eu sou muito medroso para a dor física…] Fonte: revista Cárcova News, da Argentina, apud Zenit.org

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