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A tentação da Igreja Participação ativa Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as) Chamados para uma missão Comitê de Bacia investe em saneamento

A tentação da Igreja

Carlos Scheid

Uma rápida varredura na História da Igreja permite identificar a tentação permanente que ronda o “pessoal da Igreja” – expressão de Jacques Maritain – quando a missão parece difícil, as barreiras se multiplicam e a solução aparente est…

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Participação ativa

Um dos princípios orientadores da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II foi o da “participação ativa”, como lemos no número 14 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium [SC]: “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem à…

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Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as)

O EMM nos dá um presente, que é viver o FDS, um verdadeiro encontro consigo, com o outro e com Deus, que nos mostra o caminho para a conversão com mudanças de atitudes, a escuta com o coração e com a decisão de amar sempre. Isto tem sido um porto seg…

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Chamados para uma missão

João da Silva Resende, SDN*

 

“Eu te segurei pela mão, te formei e te destinei para unir meu povo e ser luz das nações. Para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que moram nas trevas.” (Is 42,6-7.) Assim …

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Comitê de Bacia investe em saneamento

CBH-Manhuaçu conclui 16 Planos Municipais e agora acompanha sua implantação.

Passam-se os anos, trocam-se governos, novas políticas públicas são anunciadas e o saneamento básico segue um descalabro no Brasil. Embora seja um direito previsto na Const…

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O rio da minha infância

Carlos Scheid

O rio da minha infância não é o Rio Grande. Nem o Aiuruoca, que nasce nos altos da Mantiqueira e morre no Grande. Não é o Pitangueiras, que cai no Aiuruoca, onde os piaus arrebentavam minha linha. Não é o Rio Verde com seus extintos jacarés e a canoa de varejão.

O rio da minha infância nunca saiu da parede, sempre extático no quadro que minha prima Elza Scheid pintou em uma lâmina de madeira. Este, sim, é o rio da minha infância. As tabaranas do Pitangueiras e os dourados do São Francisco não significam nada se comparados aos peixes que sonhei pescar nesta curva de rio, à sombra da árvore.

Elza nem imagina que seu quadro de estudante, presenteado a minha mãe, acabaria sendo a imagem que ficaria eternamente gravada em meu coração de criança. Se soubesse, talvez tivesse acrescentado um menino de chapéu de palha e olhar pensativo, enfeitiçado pelo azul das águas mansas, meio esquecido do caniço que traz na mão direita.

O rio da minha infância é uma torrente silenciosa. Não imita o ressonar das águas do Pitangueiras em seus tempos de enchente. Não se ouve o coaxar de sapos à sua margem, nem um pio de passopreto na galhada. É um rio íntimo, uma correnteza interior, que se aprofunda sempre mais com o passar dos anos.

Para dizer a verdade, talvez seja impossível distinguir entre o rio e o menino. Como a criança não pôde entrar nas águas, as águas entraram no menino. Deve ser por isso que ele chora à toa e não deixa de ter um lenço no bolso esquerdo da calça…

Com tudo isso, os rios reais acabaram tornando-se imagens embaçadas do passado, enquanto o rio do quadro vai-se tornando sempre mais concreto, pois somente ele passou a fazer parte do menino, entrando por seus olhos e criando um lago profundo em sua mente.

No fundo do lago, um coral infantil entoa o hino negro spiritual:

“I’ve got peace like a river
I’ve got peace like a river
I’ve got a river in my soul…”

As crianças do coral se debruçam sobre as águas e vêem o reflexo de seus rostos. Todas elas têm o meu semblante, mas sua voz de prata não lembra em nada a voz rouca de minha velhice.

Ainda hei de mergulhar nesse rio… Quem sabe eu possa recuperar aquela voz que o tempo levou?…

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