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A tentação da Igreja Participação ativa Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as) Chamados para uma missão Comitê de Bacia investe em saneamento

A tentação da Igreja

Carlos Scheid

Uma rápida varredura na História da Igreja permite identificar a tentação permanente que ronda o “pessoal da Igreja” – expressão de Jacques Maritain – quando a missão parece difícil, as barreiras se multiplicam e a solução aparente est…

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Participação ativa

Um dos princípios orientadores da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II foi o da “participação ativa”, como lemos no número 14 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium [SC]: “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem à…

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Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as)

O EMM nos dá um presente, que é viver o FDS, um verdadeiro encontro consigo, com o outro e com Deus, que nos mostra o caminho para a conversão com mudanças de atitudes, a escuta com o coração e com a decisão de amar sempre. Isto tem sido um porto seg…

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Chamados para uma missão

João da Silva Resende, SDN*

 

“Eu te segurei pela mão, te formei e te destinei para unir meu povo e ser luz das nações. Para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que moram nas trevas.” (Is 42,6-7.) Assim …

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Comitê de Bacia investe em saneamento

CBH-Manhuaçu conclui 16 Planos Municipais e agora acompanha sua implantação.

Passam-se os anos, trocam-se governos, novas políticas públicas são anunciadas e o saneamento básico segue um descalabro no Brasil. Embora seja um direito previsto na Const…

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Revista Catolica O Lutador 3870 O Lobo De Gubio

O lobo de Gubio – Visita do Papa e desigualdade social

Luiz Vanildo Zugno*

Uma das histórias mais conhecidas de Francisco de Assis é a da pacificação do lobo de Gubio. Na pequena cidade, um lobo aterrorizava os habitantes. Além de roubar os animais, o lobo ameaçava as pessoas. Até uma criança tinha sido morta pelo feroz animal. Ninguém mais saía sozinho. Quando eram obrigados a sair ao campo, iam em grupo e armados como para a guerra. A situação estava insustentável. Sabendo disso, Francisco quis levar a paz àquela cidade.
Sob o olhar estupefato de todos, saiu em busca do lobo. Não tardou e a fera apareceu. O homem de Assis pôs-se a conversar com ela: “Irmão lobo, desde que é de teu agrado fazer e conservar esta paz, prometo, junto com os habitantes desta cidade, te dar continuamente o alimento enquanto viveres, para que não sofras fome; porque sei bem que pela fome é que fizeste tanto mal”.
De fato, o lobo atacava porque fora privado de sua fonte de alimentação. Transformando as florestas em campo, os moradores de Gubio destruiram a cadeia alimentar do lobo e este, não tendo alternativa, recorria à alimentação disponível: os animais criados pelos habitantes de Gubio e até os próprios humanos do lugar.
Sabendo que teria alimentação garantida, o lobo levantou a pata e colocou-a na mão de Francisco em sinal de assentimento. A população aceitou os termos do acordo e, nos dois anos que ainda lhe restou de vida, o lobo conviveu pacificamente com a cidade.

Papa Francisco visita
Cuba e Estados Unidos
A narrativa é eloquente nestes dias em que o Papa, coincidentemente Francisco, realiza viagem a Cuba e Estados Unidos. Durante 50 anos, os dois países viveram uma relação de lobo e de Gubio. Dos dois lados do Estreito da Flórida, olhavam-se com medo. Os Estados Unidos olhavam para Cuba e viam o lobo terrível do comunismo que havia desapropriado suas empresas instaladas na ilha e ameaçava implantar o comunismo nos outros países do continente e, com isso, roubar seu quintal.
Do outro, Cuba olhava para o império que, avançando sobre seu território, pilhava seus bens e lhe tirava o espaço vital, deixando o povo cubano na miséria… Diretamente ou através de intermediários, muitas escaramuças foram travadas entre ambos e muitos vizinhos se envolveram no conflito, passando a amar a um e satanizar o outro.
Até que outro Francisco se aproximou de ambos e lhes propôs que, ao invés de palavras e gestos de agressão, passassem a dialogar. E isso já começou! Depois de muitas negociações, as relações diplomáticas foram restabelecidas. Mas falta o fundamental para uma paz permanente: garantir à nação caribenha o espaço vital para que possa viver autonomamente diante do grande vizinho do norte. E isso só acontecerá quando os Estados Unidos levantarem o embargo comercial contra Cuba.
Essa é uma das razões pelas quais o mundo acompanharia com atenção a visita do Papa a Cuba e aos Estados Unidos. Ela poderá representar um passo a mais no restabelecimento da paz entre os dois países. E isso será um passo a mais para que relações justas e pacíficas entre os povos sejam estabelecidas.

“Sensação térmica”
Uma das coisas que sempre me intrigou nas previsões do tempo apresentadas nos noticiários de rádio e televisão foi a tal de “sensação térmica”. A temperatura é uma; a “sensação térmica” é outra. Minha pergunta era: se toda “sensação” é subjetiva, como ela pode ser medida objetivamente? Afinal, cada um sente (daí vem a palavra “sensação”) diferentemente. O que é quente para uns pode ser frio para outros. Em termos de temperaturas, o que é frio para um nigeriano, é quente para um norueguês, pois o modo de sentir é diferente para os dois. Aqui mesmo na nossa cidade, há dias em que uns saem à rua de camiseta e outros de blusão…
Isso até que, um dia, alguém me explicou que a sensação térmica é calculada com as variáveis da velocidade do vento, densidade e umidade do ar. Então, tá: há um critério mais ou menos objetivo para calcular a sensação térmica.

O lobo levantou a pata e colocou-a na mão de Francisco em sinal de assentimento.

Outra sensação difícil de ser medida é a de segurança. Há índices de violência que podem ser objetivamente medidos: assassinatos, latrocínios, roubos, assaltos, sequestros, arrombamentos… ufahhh! Mas às vezes, com índices semelhantes, temos a sensação de estar mais ou menos seguros.
Numa recente estada na Europa, tive a estranha sensação de me sentir seguro. Poder caminhar pelos parques, andar de metrô ou ônibus de noite, voltar para casa sozinho depois do escurecer… sem medo de ser assaltado. No início é estranho. Até custa a acreditar. Perguntei a um colega que residia em Paris há três anos e meio se não havia roubos e assaltos e ele me respondeu: há, mas em menor número. Antes que eu perguntasse, ele respondeu: a desigualdade social aqui é menor.

Desigualdade social
Descrente da resposta, passei a buscar informações que relacionassem os índices de criminalidade com a renda, e a surpresa foi constatar que, de modo geral, pode-se afirmar que, quanto menor a diferença salarial no país, menor o índice de criminalidade. Os países que têm os mais baixos índices de desigualdade salarial são os países onde a sensação de insegurança é menor. E os países com as maiores desigualdades sociais são os que têm maior sensação de insegurança.
O Brasil é o 10º país com a maior desigualdade salarial do mundo, e o 11º em sensação de insegurança. Na média, no Brasil, um gerente no setor privado ganha 14 vezes mais que um funcionário operacional. No setor público, essa diferença chega a ser de 187 vezes.
Será que não estamos fazendo como os moradores de Gubio que, destruindo as florestas, acabaram com a cadeia alimentar do lobo e este, em busca de comida, começou a atacar os animais domésticos e os próprios moradores da cidade? Para devolver aos moradores de Gubio a sensação de segurança, Francisco de Assis encontrou a saída: devolver ao lobo as condições de viver em dignidade. E este passou a viver em paz com a cidade e não mais foi visto como lobo, mas com um amigo e concidadão. Não mais era o lobo que atacava a cidade de Gubio e do qual havia que se defender. Passou a ser o lobo de Gubio.]

* Graduado em Filosofia (UCPEL, Pelotas)
e Teologia (ESTEF, Porto Alegre), mestre
em Teologia (Universidade Católica de Lião, França),
professor de Teologia na ESTEF e no UNILASALLE (Canoas) e doutorando em Teologia na EST
(São Leopoldo). facebook.com/freivanildo

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