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A tentação da Igreja Participação ativa Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as) Chamados para uma missão Comitê de Bacia investe em saneamento

A tentação da Igreja

Carlos Scheid

Uma rápida varredura na História da Igreja permite identificar a tentação permanente que ronda o “pessoal da Igreja” – expressão de Jacques Maritain – quando a missão parece difícil, as barreiras se multiplicam e a solução aparente est…

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Participação ativa

Um dos princípios orientadores da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II foi o da “participação ativa”, como lemos no número 14 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium [SC]: “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem à…

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Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as)

O EMM nos dá um presente, que é viver o FDS, um verdadeiro encontro consigo, com o outro e com Deus, que nos mostra o caminho para a conversão com mudanças de atitudes, a escuta com o coração e com a decisão de amar sempre. Isto tem sido um porto seg…

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Chamados para uma missão

João da Silva Resende, SDN*

 

“Eu te segurei pela mão, te formei e te destinei para unir meu povo e ser luz das nações. Para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que moram nas trevas.” (Is 42,6-7.) Assim …

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Comitê de Bacia investe em saneamento

CBH-Manhuaçu conclui 16 Planos Municipais e agora acompanha sua implantação.

Passam-se os anos, trocam-se governos, novas políticas públicas são anunciadas e o saneamento básico segue um descalabro no Brasil. Embora seja um direito previsto na Const…

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O Brasil exporta a morte

Na lista dos maiores exportadores de armas do planeta, o Brasil ocupa o 4º lugar. A bomba de gás lacrimogêneo, lançada pela polícia contra os manifestantes na Turquia, traz o selo: “Made in Brazil”.

Matéria do portal UOL, datada de 8/07/2013, registrava que o Brasil é o 4º maior exportador de armas do mundo. A fonte da informação era o relatório divulgado por Small Arms Survey, segundo o qual, apenas no ano 2010, nós vendemos cerca de US$ 326 milhões (736 milhões, em reais), superados apenas pelos Estados Unidos da América (US$ 821 milhões), Alemanha e Itália.

Nossos compradores são nações “pacíficas”, como EUA, Alemanha, Malásia, Estônia e Cingapura, mas os “produtos” logo são repassados para áreas de conflito, como o Iêmen, Angola e Somália. O olhar de terror que aparece na foto da criança síria foi provocado pela explosão da granada brasileira. Uma empresa com sede no Rio de Janeiro fabrica as latas de gás lacrimogêneo do tipo GL-310, conhecidas como “bailarinas”, por se moverem no solo. Elas foram encontradas nas ruas da Turquia, sufocando cidadãos que protestavam contra seu governo.

Os mísseis da Odebrecht
Em 24/07/2015, Tiago Vinholes publicava no “Facebook” uma informação a respeito dos novos mísseis testados pelo Exército Brasileiro, fabricação da empresa Mectron, do Grupo Odebrecht. Trata-se de uma arma anticarro com mira laser, capaz de destruir um veículo à distância de 1.500m.

Segundo informa Vinholes, o MSS 1.2 AC é um míssil de médio alcance “superfície-superfície” desenvolvido atacar carros de combate. O sistema é composto pelo míssil e o tubo lançador e, segundo o fabricante, é muito leve e pode ser transportado com facilidade.

O míssil da Odebrecht ainda possui um sistema de propulsão que não deixa rastro de fumaça ao ser lançado, evitando que a posição do atirador seja descoberta.

De olho na África e na Ásia
Apoiadas pela diplomacia brasileira, as empresas brasileiras fabricantes de armas procuram por novos mercados na África e na Ásia, onde conflitos, guerrilhas e governos ditatoriais são os consumidores. A informação não é novidade: já em 2012, a Agência apublica.org publicava matéria assinada por Daniel Santini e Natalia Viana, registrando que as armas brasileiras haviam chegado à Tunísia, ao Paquistão e ao Iêmen, países conhecidos pelas graves violações contra os direitos humanos.

Segundo esta fonte, a exportação de armas brasileiras está em alta. A atuação agressiva da indústria para expandir suas vendas externas, sustentada pelos ministérios da Defesa e das Relações Exteriores, tem trazido os resultados esperados, principalmente no segmento de armamentos leves. O respaldo dos órgãos governamentais para o crescimento do setor é um dos pontos estabelecidos pela Estratégia Nacional de Defesa, lançada em 2008.

Um mercado de lucros e de sangue
Dados do Small Arms Survey indicam que o mercado global de armas leves movimentava, em 2012, mais de 7 bilhões de dólares por ano. O Brasil está entre os seis países do mundo com exportações anuais superiores a US$ 100 milhões. O destino de metade dos revólveres, pistolas e fuzis brasileiros são os EUA, o maior importador de armas leves do mundo. As armas brasileiras, em especial as da empresa Taurus, são vendidas à polícia americana e ao varejo, que as comercializa para os cidadãos comuns.

“O mercado americano continua estável, com previsão de estabilidade pelos próximos três anos. O mercado global, principalmente na África, está crescendo; na Ásia também, e nós estamos procurando abrir mercado”, declarou o vice-presidente da Taurus, Jorge Py Velloso, na cerimônia de entrega do 39º Prêmio de Exportação da Associação dos Dirigentes de Marketing e Vendas do Brasil – ADVB/RS.

Reportagem do jornal “El País” [13/11/2015], assinada por Robert Muggah, membro do Conselho da Agenda Global sobre Fragilidade, Conflito e Violência do Fórum Econômico Mundial, anota que a guerra no Iêmen é abastecida por armas fabricadas no Brasil, o que desmente o rótulo de “nação pacífica” que nos é atribuído. Segundo o texto, “o Iêmen é a nova Síria. Desde o início do ano, o país passa por uma guerra civil provocada pela disputa entre duas facções pela legitimidade do governo. Para complicar, células da Al-Qaeda e do chamado Estado Islâmico intensificaram suas operações e já controlam grandes extensões do território iemenita. Constantes ataques aéreos estão transformando as cidades históricas em ruínas”.

O lucro em dólares é proporcional ao sangue derramado. “Os confrontos já causaram pelo menos 2.577 mortes de civis – 86% de todas as mortes relacionadas aos combates no primeiro semestre de 2015 – e 5.078 feridos. Provocaram também o deslocamento interno de cerca de 1,5 milhão de pessoas e milhares de refugiados em Omã, Djibuti e Somália. A Organização das Nações Unidas estima que pelo menos 13 milhões de pessoas estejam sem acesso a água limpa.”

Alimentando a morte
O que alimenta essa tragédia, observa Muggah, é o grande suprimento de armas. “Potências como os Estados Unidos, a Arábia Saudita, o Irã e seus parceiros não são os únicos fornecedores. O Brasil, um país com pouca tradição de interferência no Oriente Médio, também está indiretamente envolvido. No Iêmen foram encontradas armas de fragmentação não detonadas produzidas pela empresa brasileira Avibras Indústria Aeroespacial.” Nossos foguetes teriam sido utilizados pelas forças da coalizão saudita.

Os detalhes técnicos são importantes. Os foguetes, SS-60 e SS-80 (ou submunições), foram lançados com um sistema de lançamento múltiplo chamado Astros. Segundo a reportagem, a Avibras alega que as armas deveriam se “autodestruir” com o impacto, mas fotografias feitas no local provam que isso nem sempre acontece. Por não discriminar alvos, e nem sempre explodir assim que entram em contato com o solo, elas representam uma grande ameaça para civis inocentes.

Esse tipo de munição é proibida pelas leis internacionais. Cerca de cem Estados já baniram a fabricação, a estocagem e o uso. O Brasil, a Arábia Saudita e os Estados Unidos não fazem parte dessa lista.

Contradições e mentiras
A participação do Brasil no mercado mundial de armas não é coisa nova. Já nos anos 80, fornecíamos armas para a Arábia Saudita, o Irã, a Líbia e outros países do Oriente Médio e da África. As vozes internas que criticam os subsídios e incentivos fiscais do Governo brasileiro para a produção de armas de fragmentação são simplesmente ignoradas. “El País” informa que nosso Ministério da Defesa chegou a intervir para garantir a solvência de empresas como a Avibras, sem mostrar muito interesse pelo destino das armas.

Essa situação não é mais sustentável, afirma Muggat. “A Avibras está negociando contratos estimados em 2 bilhões de dólares com a Arábia Saudita e o Catar para o fornecimento de armas. Ao mesmo tempo, o país se orgulha de promover a paz e a segurança no cenário internacional, além de defender o cumprimento dos mais altos padrões de respeito aos direitos humanos. É uma contradição clara.”

O próprio Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio informa que armas brasileiras foram vendidas para Jordânia, República Dominicana, Cingapura, Cazaquistão, Libéria, Argélia, Namíbia, Arábia Saudita, Bósnia e Herzegovina, República Democrática do Congo, Guiana, Malawi, Ilhas Maurício, Zâmbia, Letônia, Omã, Botswana, Costa do Marfim e Nepal.
Há quem defenda este tipo de exportação, alegando que esse comércio gera empregos. É o mesmo argumento que os traficantes de drogas gostariam de usar… (ACS)

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