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A tentação da Igreja Participação ativa Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as) Chamados para uma missão Comitê de Bacia investe em saneamento

A tentação da Igreja

Carlos Scheid

Uma rápida varredura na História da Igreja permite identificar a tentação permanente que ronda o “pessoal da Igreja” – expressão de Jacques Maritain – quando a missão parece difícil, as barreiras se multiplicam e a solução aparente est…

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Participação ativa

Um dos princípios orientadores da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II foi o da “participação ativa”, como lemos no número 14 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium [SC]: “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem à…

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Um porto seguro para casais, sacerdotes e religiosos(as)

O EMM nos dá um presente, que é viver o FDS, um verdadeiro encontro consigo, com o outro e com Deus, que nos mostra o caminho para a conversão com mudanças de atitudes, a escuta com o coração e com a decisão de amar sempre. Isto tem sido um porto seg…

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Chamados para uma missão

João da Silva Resende, SDN*

 

“Eu te segurei pela mão, te formei e te destinei para unir meu povo e ser luz das nações. Para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que moram nas trevas.” (Is 42,6-7.) Assim …

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Comitê de Bacia investe em saneamento

CBH-Manhuaçu conclui 16 Planos Municipais e agora acompanha sua implantação.

Passam-se os anos, trocam-se governos, novas políticas públicas são anunciadas e o saneamento básico segue um descalabro no Brasil. Embora seja um direito previsto na Const…

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Revista Catolica O Lutador O Aplicativo WhatsApp Na Evangelização 800×350

O aplicativo WhatsApp na evangelização

Dom Edson Oriolo*

Em visita à cidade de José Bonifácio, SP, surpreendeu-me a atitude de um garoto que, minutos antes do início da celebração eucarística, ignorando que eu era um visitante, solicitou-me a senha do wi-fi da igreja. Achei inusitada a pergunta e questionei o porquê. A resposta foi imediata: “Para acessar o WhatsApp”. Recentemente um jovem perguntou-me a mesma coisa.

Em visita a minha família, ouvindo a conversa de dois sobrinhos (um de 6 anos e outra de 7 anos), fiquei surpreendido pelo nível do debate. Conversavam sobre senhas. Minha sobrinha defendia que sua senha era virtual e, portanto, muito segura, ao passo que seu primo garantia que as senhas de ipad são também de difícil acesso e muito confiáveis.

Essas motivações, que inicialmente me pareceram inusitadas, levam-me a constatar que de fato vivemos uma nova época, para a qual nos percebemos neófitos e que podemos chamar era virtual. Os protagonistas da virtualidade somos todos nós, mas sem dúvida, as crianças e jovens sofrem o maior influxo da rápida mudança dos conceitos de relacionamento e convivência.

Já Pierre Levy, estudioso do assunto, ainda que em contexto diverso, defende que a palavra “virtual não se opõe ao real, mas sim, ao atual. Contrariamente ao possível, estático e já constituído, o virtual é como o complexo problemático, o nó de tendências ou de forças que acompanha uma situação, um acontecimento, um objeto ou uma entidade qualquer, e que chama um processo de resolução: a atualização”. (LEVY, P., “O que é Virtual”, p.16.)

O fato de vivermos a época da virtualidade sem medida, em contraste com a oportuna reflexão do filósofo, leva-nos a questionar sobre a maneira mais adequada de abordar, inclusive no plano pastoral, desafios como este. Creio que, da parte dos líderes e formadores de opinião, deve haver uma postura otimista com relação ao virtual, que viabilize o seu verdadeiro sentido para a convivência.

É evidente que há o risco de o virtual subverter a ordem das relações, tornando-as ilusão e mesmo alienação, mas não creio que essas realidades sejam necessariamente sinônimas. Penso que o virtual seja uma resposta para um novo estilo de vida, marcadamente urbano, em que as relações se dinamizam na mesma medida em que a demanda do rápido e do imediato se impõem. Não se trata de uma opção, mas de uma realidade inquestionável e muito próxima de todos que vivem o novo estilo de vida.

Interessante perceber a aplicação que essas novas formas de comunicação rápida poderiam ter na catequese

Pastoralmente, as consequências do relacionamento virtual também se fazem perceber e se apresentam desafiantes. Para além dos adolescentes e jovens preocupados com a senha do wi-fi durante as celebrações eucarísticas, resta a grave questão: Como evangelizar esse “novo areópago”, fazendo uma síntese entre as suas contribuições e a mensagem do Evangelho?

Tenho conhecimento de que, em muitas paróquias e setores pastorais, os ministros extraordinários da comunhão eucarística criam grupos no WhatsApp, por onde se comunicam e resolvem questões mais urgentes, com grande facilidade e proveito para todos. Sabemos que a tendência é que iniciativas como essa se multipliquem. Como abordá-las e delas extrair o melhor resultado para a missão evangelizadora?

Interessante perceber a aplicação que essas novas formas de comunicação rápida poderiam ter na catequese. Não se trata apenas de mais um instrumento, mas de possibilidade de adentrar no universo dos adolescentes e jovens, que cada vez mais, aderem ao uso corriqueiro das novas tecnologias de comunicação para orientá-los e ajuda-los. Não seria essa uma nova linguagem na qual o Evangelho precisa ser anunciado?

A catequese quer ser espaço privilegiado de convivência para aprimoramento das relações genuinamente cristã e precisa ser, também, o lugar em que os conteúdos da fé são transmitidos de maneira vivencial. Assim, as novas tecnologias abrem diversos horizontes para a catequese e para outras mediações evangelizadoras.

Também na Pastoral da Comunicação, grande desafio da Igreja nos nossos tempos, se avista um universo das novas formas de comunicação ao lado daquelas tradicionais.

Penso, por exemplo, nos aplicativos de celular que viabilizam relacionamentos rápidos, com diálogos instantâneos, bem como contatos interpessoais, ligações afetivas, profissionais e lúdicas. É o caso do WhatsApp (aplicativo) que deriva de uma palavra em inglês, muito usada como gíria, e que substituiu o hi ou olá, como forma mais popular de saudação casual. Trata-se de mensagens instantâneas para smartphones. Não apenas mensagens de texto, mas de diversas mídias como imagens, vídeos e mensagens de áudio.

Este aplicativo impõe um novo jeito de interagir entre as pessoas: agora, boa parte da população prefere escrever em vez de falar. Além disso, pesa o fato de que o uso de aplicativos de mensagens é mais barato, rápido e acessível, pois você pode se comunicar o tempo todo sem grande custo ou sofisticação.

Os dilemas que compõem os relacionamentos humanos se reinventam no virtual. Para algumas pessoas, isso pode causar ansiedade e, em certos casos, desconfiança e dúvidas. “Por que não responde?” “O que ele(a) estará fazendo?” – são questões comuns no universo relacional do WhatsApp. A questão complica-se ainda mais quando tratamos do quesito privacidade.

O psicólogo Pablo Viudes explica que “a pessoa precisa saber administrar sua conectividade. Do contrário, o WhatsApp pode vulnerar a privacidade. A disponibilidade das pessoas é a base da sua autoafirmação. Se você não pode responder, simplesmente não pode”. Trata-se de transportar para esse universo relacional os valores da autonomia e dos limites que a liberdade impõe.

O Papa Francisco fala constantemente do ideal de uma “cultura do encontro”, que desperte nas pessoas a dimensão da abertura do coração, da quebra do egoísmo e do cuidado. Assim, creio que o problema seria o uso desses canais de comunicação de forma exclusiva. Por outro lado, como fruto da evolução tecnológica, tais ferramentas devem ser um instrumento que conduza para as verdadeiras relações humanas, baseadas no encontro.]

* Bispo auxiliar de Belo Horizonte, MG

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