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12/11/2021 Luis Miguel Modino - Regional Norte 1 Edição 3942 Violência Estrutural: Se a dor do outro não doe em mim, vou me desumanizando
F/ By L M Modino
"Somos livres para escolher, mas também responsáveis por nossas escolhas... a vida humana não tem sentido, a não ser o sentido que se dê a ela. A partir daí, o homem é definido como ser humano em projeto, afirmando que a vida humana tem sentido quando ela tem um projeto."

“Refletir sobre o fenômeno da violência estrutural como processo de construção histórica e ideológica, dentro e a partir do momento histórico em que nosso país se encontra”, foi o objetivo da “Conferência Interdisciplinar sobre Violência Estrutural: Reflexões para uma agenda de processos humanizadores”, organizada pelo Seminário São José de Manaus e o Instituto de Teologia, Pastoral e Ensino Superior da Amazônia (ITEPES).

Risco de banalizar a violência

Diante de uma realidade em que “a violência estrutural sacrifica vidas todos os dias em nosso país”, a conferência abordou essa problemática desde a psicologia, a filosofia, a pastoral e a teologia. Em representação do Seminário São José, o padre Jardson Sampáio destacou a importância de os jovens refletir sobre esta temática. O diretor do ITEPES, o padre Ricardo Castro, afirmou que “o conhecimento não é só teórico, mas é um conhecimento para realidades invisibilizadas ao longo da história, que neste momento da história se tornam gritantes”.

Elayne Cardoso abordou a questão da violência estrutural, refletindo sobre a relação entre violência e saúde, que segundo a psicóloga se tornou problema de saúde pública. A violência tem se convertido em algo normalizado, parte de nossos atos e modos de nos relacionarmos, segundo Elayne, que citou vários fatores que provocam violência, que considera a violência como algo que funciona em espiral, como algo que tende a crescer.

A psicóloga afirmou que a violência nunca é justificável por si mesma e sempre serve alguns interesses. Segundo ela, a violência cria inimigos, o que naturaliza as ações e justifica a violência. A sociedade chegou numa situação em que a violência foi internalizada como padrão de relação social, uma realidade que no Brasil pode ser dito que se tornou violência de Estado.

A realidade da violência a partir do existencialismo foi a abordagem do professor Arthur Hidalgo, tendo como referentes Franz Kafka e sua obra “O Processo”, e “A Peste” de Albert Camus, um escrito que cobrou nova relevância com a pandemia da Covid-19. Mostrando elementos da vida de ambos autores, o professor da Faculdade Salesiana Dom Bosco, de Manaus, apresentou o existencialismo como uma corrente filosófica que tem a liberdade como princípio.

Somos responsáveis por nossas escolhas

Em palavras do professor, “o ser humano faz suas escolhas”, insistindo em que “somos livres para escolher, mas também responsáveis por nossas escolhas. Seguindo os postulados do existencialismo, ele afirmou que segundo essa corrente filosófica, “a vida humana não tem sentido, a não ser o sentido que se dê a ela”. A partir daí, o homem é definido como ser humano em projeto, afirmando que a vida humana tem sentido quando ela tem um projeto.

Para abordar a violência, se faz necessário ter presente o horizonte da construção da cultura da paz. Segundo a Ir. Rose Bertoldo vivemos numa sociedade que “não nos deixa sentir e pensar a dor do outro”. Segundo a religiosa, “se a dor do outro não doe em mim, vou me desumanizando”.

A partir do trabalho na Rede um Grito pela Vida, a Ir. Rose afirmou que “a violência sexual contra crianças e adolescentes é um crime com autor conhecido”. De fato, os números são assustadores, insistindo em que não são números, são vidas, situações que afetam diretamente o desenvolvimento do ser humano. A religiosa se perguntava: “o que fazer para quebrar a violência?”. Ela fazia algumas propostas para isso: denunciar, capacitar os profissionais, garantir a presença das crianças na escola, ajudar as crianças a identificar as violências, fortalecer a rede de proteção...

Desde a teologia e a religião, o padre Ricardo Castro salientou que somos movidos pela cultura, que é o que nos torna humanos. Segundo ele, é de Deus que emanam as compreensões do ser humano. O diretor do ITEPES insistiu na necessidade de compreender a estrutura da religião para não se converter em instrumento de violência. Ele abougou pela capacidade de fazer uma autocrítica e a necessidade de promover diálogos, seguindo as propostas e atitudes do Papa Francisco, que tem assumido essa disposição para o diálogo como postura vital.

 

 

 

  

 

 

 

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