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09/06/2021 Luis Miguel Modino Edição 3937 Uma Igreja samaritana que chega aos recantos mais afastados
F/ REPAM
"Ir ao encontro das pessoas que não conseguem satisfazer suas necessidades básicas de subsistência, revela que estamos diante de uma Igreja samaritana que chega aos recantos mais afastados."

A fome tem se tornado uma realidade cada vez mais presente na vida do povo brasileiro, também na Amazônia. A pandemia da Covid-19 tem provocado que outras pandemias, muitas vezes ocultas, apareçam de forma explícita.

O Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tem sido uma das regiões mais atingidas em número de óbitos provocados pela pandemia. Até 31 de maio, segundo dados coletados pela Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), o número de casos era de 447.733, com 14.112 mortes, números muito elevados se levarmos em conta que a população é em torno de 4,5 milhões.

Uma Campanha solidária

A situação mais trágica no Regional foi vivida com o início da segunda onda, o que fez com que no dia 15 de janeiro, diante da crise de saúde pública vivida pelo Estado do Amazonas e da situação delicada pela qual também passava o Estado de Roraima. O Regional Norte 1 da CNBB, que cobre os dois Estados, lançou a Campanha “Amazonas e Roraima contam com a sua Solidariedade”.

Isso despertou uma grande solidariedade em nível brasileiro e mundial, até o Papa Francisco enviou um donativo. Com as abundantes doações foram adquiridos, segundo informa Francisco Lima, secretário executivo do Regional Norte 1, materiais de saúde (cilindros de oxigênio, BIPAPs, concentradores de oxigênio, oxímetros, EPIs...) que foram doados aos hospitais da região.

Uma vez superado o pico da segunda onda, logo veio também a necessidade de ajudar na segurança alimentar. Junto com a crise da Covid-19, o Estado do Amazonas está passando por uma grande enchente nos últimos dias, que atinge 400 mil pessoas, a maior já registrada desde 1902, ano em que começou a ser medido o nível do Rio Negro em Manaus.

Alternativas para amenizar o sofrimento

Os Bispos do Regional, sempre atentos a esta realidade, foram buscando alternativas para amenizar o sofrimento das comunidades. Assim novas doações foram chegando. A Conferência Episcopal Italiana enviou uma ajuda, através da Arquidiocese de Manaus, que foi dividida entre todas as dioceses e prelazias do Regional. Essa importante doação está permitindo atender as famílias mais vulneráveis com cestas básicas, assim como outras ações no campo da saúde. A CNBB também enviou uma ajuda do Fundo Nacional de Solidariedade, o que possibilitou através das Pastorais Sociais, o atendendo famílias com cestas básicas e material de higiene e limpeza.

Segundo seu secretário executivo, “o Regional continua atento às necessidades das nossas Igrejas Particulares no cuidado com a vida”. Um exemplo disso, como sucede em outras dioceses e prelazias, é o trabalho que está sendo realizado na diocese de Alto Solimões, que está encerrando a primeira remessa das cestas básicas que estão sendo distribuídas com a ajuda do Regional Norte 1. A previsão é de realizar três remessas, segundo Dom Adolfo Zon, bispo diocesano.

Até o momento foram distribuídas 675 cestas básicas nos 7 municípios que fazem parte da diocese. As ajudas estão chegando nas cidades e nas comunidades indígenas e ribeirinhas. Dom Adolfo, em nome da diocese de Alto Solimões, agradece a solidariedade da Igreja do Regional e da Arquidiocese de Manaus. Segundo o bispo é de grande importância “a proximidade e solidariedade com nosso povo neste tempo de grande necessidade provocada pela pandemia”.

O bispo de Alto Solimões destaca o empenho em “ir ao encontro das pessoas que não conseguem satisfazer suas necessidades básicas de subsistência”. Mais uma vez, estamos diante de um exemplo de “uma Igreja samaritana que chega aos recantos mais afastados”, segundo Dom Adolfo.

Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

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