Formação Liturgia
21/06/2019 Diác. Matheus Garbazza, sdn Edição 3911 Três critérios para a música litúrgica
F/ Band of Angels. Hans Memling / Getty Images
"A tradição da Igreja sempre valorizou muito a Sagrada Escritura como fonte da música litúrgica"

Diác. Matheus R. Garbazza, SDN

 

No mês de março, dedicamos estas linhas ao venerável Glória, um hino de grande relevância no contexto da celebração eucarística. A partir dele, relembramos que os hinos integrantes do chamado “Ordinário da Missa” (partes fixas) devem ser executados conforme a letra que consta do Missal.

Lancemos nossa atenção, agora, aos cânticos acompanham determinados ritos. Na liturgia da missa, são sobretudo os de entrada, apresentação das oferendas, comunhão e final. Para estas ocasiões (e outras que possam surgir segundo a necessidade) não há uma letra prevista. Será preciso recorrer ao repertório litúrgico que a comunidade tem à disposição.

Esse é um trabalho que não deveria comportar improvisações. Cada música escolhida para a celebração tem sua importância e ajuda a compor o conjunto da “obra de arte” que deve ser a liturgia. Portanto, as equipes responsáveis devem ser reunir com alguma antecedência não apenas para ensaiar a parte técnica, mas também para pensar com cuidado e carinho cada escolha.

Como um modo de auxiliar tal processo, oferecemos aqui três critérios simples e básicos para a seleção dos cânticos. É certo que devem ser enriquecidos com outros que a formação litúrgico-musical da comunidade vai adquirindo com o tempo.

 Adequação ao momento celebrativo

A primeira coisa que deve ser observada é se a letra do hino em questão se adequa ao momento para o qual está sendo pensado. Por exemplo, se o escolhido para acompanhar a procissão de entrada serve para “dar início à celebração e favorecer a união dos fiéis reunidos”, conforme pede a Instrução Geral do Missal Romano (n. 47).

É importante tomar cuidado com esse item para não criar um descompasso entre o rito e o cântico. Quando isso acontece, os gestos simbólicos dizem uma coisa, mas a letra e/ou a melodia que os acompanham passam outra mensagem. Aí a qualidade da comunicação litúrgica fica comprometida, criando ruídos que impedem o pleno exercício da vida espiritual.

 Adequação ao Tempo litúrgico

Também é de suma importância que os hinos escolhidos situem bem a assembleia no espírito do tempo litúrgico em questão. Tudo deve concorrer para tonar ainda mais incisivos os apelos próprios daquele período do ano litúrgico ou da festa celebrada. Penso, sobretudo, no poder da melodia: introspectiva na quaresma, jubilosa na Páscoa, contemplativa no advento e assim por diante.

Faz muito mal para a espiritualidade litúrgica que a equipe de música recorra a determinados “cânticos-curinga”, que geralmente estão catalogados numa mesma seção dos hinários das comunidades. Não que sejam errados em si, é claro. Mas passar o ano inteiro com o mesmo canto de entrada, por exemplo, certamente não ajuda a viver com fruto cada tempo do ano litúrgico. É importante lembrar, nesse caso, que estes tempos têm sobretudo a função de nos fazer meditar os mistérios de Cristo e da nossa Salvação.

 Harmonia com a Liturgia da Palavra

A tradição da Igreja sempre valorizou muito a Sagrada Escritura como fonte da música litúrgica. Basta observar, por exemplo, que muito do que temos de repertório para o canto gregoriano são pequenos trechos de livros bíblicos. A mesma lógica é aplicada pelo Missal Romano para as antífonas de entrada e de comunhão.

Sempre que possível, portanto, é bom harmonizar o hino escolhido para o momento celebrativo com a Liturgia da Palavra daquela celebração – sobretudo o Evangelho dos domingos e festas. Assim a celebração fica mais viva, mais sintonizada e significativa. Um exemplo digno de menção são alguns dos hinos propostos pelo Hinário da CNBB para o tempo comum, que possuem opções diversas para o refrão, inspiradas no Evangelho do dia. É uma excelente maneira de fazer a Palavra de Deus ser mais meditada e interiorizada.

 

Para refletir

1) Os cânticos executados nas nossas celebrações ajudam a rezar e a meditar a Palavra?

2) Nossas equipes de música se esmeram em escolher os hinos para a celebração? Ou ainda prevalece o improviso?

 

F/ Band of Angels. Hans Memling / Getty Images

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