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04/11/2020 Ameríndia Edição 3930 Teologia em tempo de crise e esperança. Declaração do encontro de teologia da libertação em tempo excepcionais de crise e esperança.
F/ Cebs do Brasil
"Nos sentimos convidados a uma profunda 'conversão', capaz de se traduzir também em uma diversidade de compromissos a serem discutidos em cada grupo nacional"

Ameríndia 

  1. Ao finalizar os Encontros convocados pela Ameríndia ao longo do mês de outubro de 2020, animados pelas conferências, diálogos e celebrações que compartilhamos com irmãs / irmãos de 25 países da América Latina, Caribe e Hispânicos nos Estados Unidos, nós Sentimo-nos chamados a recolher esta experiência numa Declaração que expresse com paixão e numa perspectiva de futuro o compromisso que assumimos. 
  2. Como consequência das restrições ligadas à pandemia do coronavírus, o que seria um encontro presencial de coordenadores de nossa rede que aconteceria na cidade de Manaus (Brasil), tornou-se algo diferente. Não só porque teve de ser realizado virtualmente, mas porque participou um número muito maior e mais diversificado de ativistas cristãos do continente e - dizemos com inegável alegria - muitos jovens de diversos países da região. 
  3. Todos nós que participamos nos sentimos parte de uma amável tradição latino-americana-caribenha que quer manter viva a novidade que o Espírito de Jesus deu às nossas igrejas. Uma novidade fecunda que deu origem à opção radical pelos pobres e excluídos, a participação nas lutas dos setores marginalizados, das comunidades eclesiais de base, o martírio dos leigos, religiosos e ministros da comunidade, e uma missão vivida do diálogo e da reciprocidade. Também deu origem à teologia da libertação, entendida como o segundo momento que acompanha a descoberta do rosto de Cristo nos rostos e na paixão dos mais pobres e excluídos, bem como nas suas lutas incessantes. Reflexo de fé feito a partir dos processos através dos quais o mundo se transforma precisamente para se abrir ao dom do Reino de Deus. A teologia que hoje realizamos no esforço de incorporar a ecologia integral, assume o giro descolonial, a luta pelos direitos das mulheres e o clamor dos povos indígenas e afrodescendentes. 
  4. Hoje estamos no meio de uma crise causada pela pandemia do coronavírus. Estamos comovidos com a tragédia da saúde que produziu 11 milhões de infecções e 400.000 mortes somente em nossa região. Mas também pelas terríveis consequências socioeconômicas, psicológicas, culturais e espirituais que desencadeou. Esta pandemia, provocada por intervenções territoriais de empresas que alteram o habitat de animais selvagens, gerou rapidamente uma cadeia de infecções que convulsionou processos, situações e relações que configuram a nossa convivência social. Tornamo-nos espectadores e vítimas de um 'efeito borboleta' que mostra que o mundo é um sistema em que cada um dos elementos, por mais insignificante que pareça, interage com os outros e acaba afetando o todo. Temos aprendido, a um custo altíssimo, que tudo se inter-relacione, como repete com insistência a encíclica 'Laudato si'. Nesse sentido, a pandemia só agravou ainda mais o desastre ecológico e cultural global perpetrado contra a região amazônica, com derrubada de florestas, incêndios voluntários, poluição ambiental e destruição da biodiversidade, todos indissociáveis desconhecimento do direito dos povos indígenas ao território e o assassinato de muitos de seus líderes. 
  5. Para além das cifras, porém, comove-nos as múltiplas faces marcadas pela fome, o desemprego, a violência de gênero e intrafamiliar, a migração exposta a mil formas de exploração, a situação de quem vive na rua, o o racismo e o desprezo dos povos indígenas. A pandemia foi democrática em contágio, mas muito desigual em suas consequências. Ela expôs um sistema mundial radicalmente desumano e violento que oferece proteção a alguns, mas deixa as maiorias populares indefesas. Um sistema que gera desigualdades crescentes e saqueia nosso lar comum, reproduz uma ideologia patriarcal que oprime as mulheres e promove uma mentalidade colonial que menospreza os hábitos e a sabedoria dos povos indígenas e afrodescendentes. 
  6. Por outro lado, esta crise mostra-nos a comovente solidariedade vivida sobretudo ao nível dos trabalhadores e dos sectores populares com extraordinária ternura, criatividade e coragem, como vemos, por exemplo, nos funcionários da saúde, nos funcionários públicos, as panelas populares, a troca de medicamentos tradicionais alternativos, a troca de produtos básicos fora do mercado. Eles mostraram que o primeiro valor a defender é a vida. Uma vida que só se sustenta assumindo vulnerabilidade, interdependência e cuidado mútuo solidário. Da extraordinária capacidade de dedicação de tantas pessoas e grupos redescobrimos que o outro mundo possível que almejamos só pode nascer do cuidado com a vida dos pobres e da Mãe Terra a que tudo deve estar subordinado. 
  7. Estas experiências mostraram também que as iniciativas voluntárias e específicas de solidariedade não são suficientes. Cuidar da vida deve se tornar um critério fundamental no nível social e estadual. Não como caridade, mas como parte dos direitos de plena cidadania. A evidente e universal vulnerabilidade do ser humano exige que incluamos na agenda política dimensões do cuidado que até agora estavam relegadas ao âmbito das ações voluntárias. O cuidado não deve ser reduzido ao escopo do opcional. Vulnerabilidade, interdependência e cuidado são elementos que nos definem, nem mais nem menos, como espécie humana. 
  8. Por todas essas considerações comuns, nos sentimos chamados, como ameríndios, a colocar o cuidado da vida dos pobres e da Mãe Terra no centro de nossa paixão e de nossas práticas pessoais, sociais e pastorais, numa perspectiva de profunda reciprocidade. . Um cuidado que queremos aprender com homens e mulheres, comunidades organizadas de vida, que têm rostos, culturas, dores, lutas e esperanças. São os poetas sociais que criam a partir de sua obra inventada quando descartados, são povos da terra que cultivam sua sabedoria ancestral apesar das antigas e novas colonialidades, são mulheres que escrevem outras narrativas apesar do patriarcado que a violência grava em seu couro , São afro-americanos que nos lembram que todos viemos da África apesar do racismo reciclado e dos muros em construção, são migrantes que superam muros em busca da sempre almejada terra prometida, a terra sem mal. Enfim, são eles que vêm de baixo dando sua lição, ensinando o jeito de curar o mundo, de nos libertar de cada faraó. 
  9. Reafirmamos que este cuidado com a vida implica para nós assumirmos os três compromissos que emergem do Sínodo Pan-amazônico: incorporar o paradigma da ecologia integral, lutar contra a desigualdade em uma chave intercultural e encorajar uma igreja sinodal desde a base. Três aspectos que não entendemos separadamente, mas constantemente retroalimentando. Somente uma igreja cada vez mais sinodal pode incorporar a perspectiva de cuidar do lar comum e da igualdade radical entre pessoas, grupos e culturas, incluindo as relações de gênero e entre diferentes tradições religiosas, culturais e humanitárias. Trata-se de substituir relações de dominação e subordinação por relações de reciprocidade no respeito à diversidade. 
  10. Nos diálogos e nas celebrações compartilhadas, reconhecemos que não vivenciamos esses compromissos como um acúmulo avassalador de obrigações a cumprir a partir de um projeto centrado em nossas forças. Nós os experimentamos antes como uma resposta à esperança que nos habita e que sentimos a enorme alegria e responsabilidade de compartilhar com todos e cada um. 
  11. O Papa Francisco, em suas muitas referências à crise humanitária evidenciada pela pandemia, diz que não devemos voltar à chamada 'normalidade' porque na realidade era uma situação que já estava farta de injustiças e maus-tratos ao lar comum. A normalidade a que somos chamados, afirma Francisco, é a do Reino de Deus, onde 'os cegos vêem e os coxos andam, os leprosos são purificados e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a Boa Nova é anunciada aos pobres' . (Mt 11,5) Jesus não vive essas práticas libertadoras como algo fácil. Ao contrário, ele as realiza em um mundo que se opõe frontalmente a ele e se apresenta como imutável. Acima de tudo por causa da ação repressiva do Império Romano, a exploração econômica dos proprietários de terras e o controle do cumprimento da Lei de Moisés pelas autoridades do Templo. Estes são deixados à própria sorte, condenados a viver sem a menor esperança de que algo mude. A primeira coisa que Jesus faz é quebrar este mundo totalmente fechado introduzindo uma novidade radical: Deus está presente entre nós como força criadora de fraternidade e justiça para fazer deste mundo um banquete para o qual todos somos convidados. O chamado para viver de uma forma diferente está enraizado no último mistério da vida que nos leva a construir um mundo mais humano. Deus não nos deixa sozinhos com nossos sofrimentos e conflitos, mas quer construir conosco e a partir de agora uma vida mais humana, na qual nos tratemos como irmãos. Estes são deixados à própria sorte, condenados a viver sem a menor esperança de que algo mude. A primeira coisa que Jesus faz é quebrar este mundo totalmente fechado introduzindo uma novidade radical: Deus está presente entre nós como força criadora de fraternidade e justiça para fazer deste mundo um banquete para o qual todos somos convidados. O chamado para viver de uma forma diferente está enraizado no último mistério da vida que nos leva a construir um mundo mais humano. Deus não nos deixa sozinhos com nossos sofrimentos e conflitos, mas quer construir conosco e a partir de agora uma vida mais humana, na qual nos tratemos como irmãos. Estes são deixados à própria sorte, condenados a viver sem a menor esperança de que algo mude. A primeira coisa que Jesus faz é quebrar este mundo totalmente fechado introduzindo uma novidade radical: Deus está presente entre nós como força criadora de fraternidade e justiça para fazer deste mundo um banquete para o qual todos somos convidados. O chamado para viver de uma forma diferente está enraizado no último mistério da vida que nos leva a construir um mundo mais humano. Deus não nos deixa sozinhos com nossos sofrimentos e conflitos, mas quer construir conosco e a partir de agora uma vida mais humana, na qual nos tratemos como irmãos. Deus está presente entre nós como força criadora de fraternidade e justiça para fazer deste mundo um banquete ao qual todos somos convidados. O chamado para viver de uma forma diferente está enraizado no último mistério da vida que nos leva a construir um mundo mais humano. Deus não nos deixa sozinhos com nossos sofrimentos e conflitos, mas quer construir conosco e a partir de agora uma vida mais humana, na qual nos tratemos como irmãos. Deus está presente entre nós como força criadora de fraternidade e justiça para fazer deste mundo um banquete ao qual todos somos convidados. O chamado para viver de uma forma diferente está enraizado no último mistério da vida que nos leva a construir um mundo mais humano. Deus não nos deixa sozinhos com nossos sofrimentos e conflitos, mas quer construir conosco e a partir de agora uma vida mais humana, na qual nos tratemos como irmãos. 
  12. Por isso, ao longo de nossos encontros, nos sentimos convidados a uma profunda 'conversão', capaz de se traduzir também em uma diversidade de compromissos a serem discutidos em cada grupo nacional. É por isso que a América continentaltambém terá que assumir o que foi compartilhado com tanta paixão e lucidez para discernir, com a contribuição de todos, como aprofundar seu projeto no novo tempo que já começamos a viver. 

 Fonte: Amerindiaenlared

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