Destaques Igreja Hoje
07/01/2019 Revista O Lutador Edição 3908 Suicídio. O que diz a Igreja? A posição da Igreja Católica...
Revista O Lutador
Revista O Lutador
"A doutrina católica considera finalmente o suicídio como “contrário ao amor do Deus vivo."

A grave questão do suicídio é abordada de modo explícito pelo Catecismo da Igreja Católica na terceira parte, intitulada “A vida em Cristo”. O artigo sobre o “respeito à vida humana”, que evoca, pela ordem, a legítima defesa, o homicídio voluntário, o aborto e a eutanásia, trata também do suicídio. “O suicídio é gravemente contrário à justiça, à esperança e à caridade. Ele é proibido pelo quinto mandamento”, assim resume o parágrafo 2325.

Uma vida dada por Deus

A posição da Igreja Católica se fundamenta sobre o princípio de que a vida é dada por Deus e, assim sendo, ela não nos pertence. “Cada um é responsável por sua vida diante de Deus, que lha deu. Nós somos os administradores, e não os proprietários da vida que Deus nos confiou. Não podemos dispor dela.”

De qualquer modo, o suicídio é firmemente desaprovado no Catecismo, pois esse ato “contradiz a inclinação natural do ser humano de conservar e perpetuar sua vida”. E ainda, ele “ofende igualmente o amor ao próximo, porque rompe injustamente os vínculos de solidariedade com as sociedades familiar, nacional e humana, às quais nos ligam muitas obrigações”. A doutrina católica considera finalmente o suicídio como “contrário ao amor do Deus vivo”.

O texto do Catecismo inclui também certo número de matizes. Assim, o ato é julgado mais grave ainda se ele é “cometido com a intenção de servir de exemplo”. Também está explícito que “a cooperação voluntária ao suicídio é contrária à lei moral”. Por outro lado, o estado de saúde da pessoa ou o contexto do suicídio podem diminuir a responsabilidade do autor do gesto, como “perturbações psíquicas, a angústia ou o medo grave da provação, do sofrimento ou da tortura”.

A Igreja reza pelos suicidas

No que diz respeito à salvação da pessoa que atentou contra a própria vida, aspecto que angustia os amigos e familiares, prevalece sempre a misericórdia. “Não se deve desesperar da salvação das pessoas que se mataram”, ensina o Catecismo. “Deus pode, por caminhos que só ele conhece, dar-lhes ocasião de um arrependimento salutar. E Igreja reza pelas pessoas que atentaram contra a própria vida.” (2283)

Nos tempos atuais, a Igreja Católica aceita celebrar as exéquias de uma pessoa que se matou, como explica o Pe. Bruno Mary, diretor do serviço nacional da pastoral litúrgica e sacramental da Conferência dos bispos da França, entrevistado pelo jornal católico “La Croix”. “Sem dúvida, ainda passa pela cabeça das pessoas a recusa da celebração de funerais na igreja para aqueles que tinham suicidado. Na época, considerava-se que o suicídio era um ato deliberado de desafio contra Deus, uma vontade de ocupar o lugar de Deus, que é o único senhor da vida. Hoje, nós bem sabemos que geralmente não é este o caso, e que o suicídio permanece um grande mistério para as famílias. Nos funerais, nós confiamos os defuntos a Deus, para que ele cuide deles. Não está em questão um julgamento sobre a vida deles.”

 

 

Compartilhe este artigo:
Nome:
E-mail:
E-mail do amigo:
DEIXE UM COMENTÁRIO
TAGS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS