Destaques Em cima da hora
01/12/2020 Coord. Grito Excluídos(as) Edição 3931 Solidariedade e organização: sementes de um mundo novo “Em resposta a uma ética da exclusão, estamos todos desafiados a praticar uma ética da solidariedade” (Betinho)
F/ Jornal Grito dos(as) excluídos(as)
"Não podemos perder de vista a solidariedade de classe. Essa sim tem colocado a “vida em primeiro lugar”, ante ao sistema econômico, político e programas “governômicos” ultraliberais. "

O Brasil bate recorde de desemprego que atinge mais de 14% da sua População Economicamente Ativa, de acordo com o IBGE. Em um ano, mais de 12 milhões de postos de trabalho foram fechados. E não foi a pande­mia da Covid 19 a única culpada. Estudos apontam que esses dados já eram crescentes. Temos menos gente ocupada com trabalhos remunerados do que desocupadas.

Desemprego faz crescer a fome

O reflexo do desemprego tem um impacto diretamente na mesa das pessoas, porque faz crescer a fome. Aumenta a população em condição de rua, famílias com crianças pedindo nos semáforos, nos transportes coletivos. Voltamos a ver mães com crianças esmolando para pagar aluguel e comprar comida. Da mesma forma, pessoas idosas. O corte no auxílio emergencial poderá agravar ainda mais essa situação. E com isso cresce a violência doméstica contra as mulheres e crianças, quase na mesma proporção.

Já não bastasse a falta de recursos, o preço dos alimentos sofreu aumentos absurdos. Estamos diante de mais uma crise histórica: política, sanitária, econômica, do trabalho e alimentar. Evidentemente, o atual modelo de sociedade está em questão e deve ser debatido amplamente por todas as forças e camadas sociais. Um pro­grama de políticas neoliberais está em curso no Brasil, em detrimento da soberania da população mais vulnerável. No mês de outubro, o Ministério da Economia pediu a inclusão das Unidades Básicas de Saúde (o posto de saúde da sua comunidade) no Programa de Privati­zações. Isso representa a barbárie para a saúde pública, sobretudo dos seguimentos sociais menos favorecidos.

Bilhões para os bancos, nada para produtores

Por um lado, o governo transfere bilhões para os bancos, que nada produzem, ou para o agronegócio/ agrotóxico que não leva alimentos à mesa dos brasileiros e brasileiras. Por outro, a agricultura familiar ou a economia popular solidária não recebem apoio para produção e comercialização dos seus produtos. Durante a pandemia, o que vimos foram pequenos agricultores, trabalhadores do MST, distribuindo ali­mentos nas periferias das cidades, ou para as pessoas em situação de rua, enquanto o agronegócio nada tem feito neste sentido. É grande a força da solidariedade de classe: pobres ajudando os mais pobres. Enquanto despejos e ameaças acontecem no campo e na cidade.

Além da crise alimentar, ou da ausência de soberania alimentar, assistimos um projeto devastador da eco­logia. As queimadas e o desmatamento no centro-oeste e na Amazônia, a crise hídrica no Sul, a exploração das mineradoras no Sudeste, sobretudo no Leste. A propósito, completa-se cinco anos do crime de Mariana, e rumo a dois anos do de Brumadinho, ambos acometidos pela Vale, até então sem respos­tas às famílias vítimas. Enquanto a mineradora teve 75% de lucro no terceiro trimestre desse ano, mesmo com o avanço do coranavírus. É a “boiada” do Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, passando por cima dos direitos e da vida.

Novo ‘rosto’ da miséria

Mais de 65 milhões de pessoas receberam o auxílio emergencial por conta da pandemia. Desses, 19,2 milhões são famílias oriundas do Programa Bolsa Família e as pessoas que estavam trabalhando com carteira assinada eram 37 milhões. Agora, com o corte no auxílio pela metade, começam a surgir o “novo rosto” da miséria.

O grande desafio que nos é colocado é a organização e luta para garantir os direitos já conquistados e exigir outros. As forças sociais dispersas necessitam trabalhar no mesmo foco estruturante da sociedade. O capital não deve se sobrepor às vidas. Nesse sentido, a 6ª Semana Social Brasileira, Mutirão pela Vida: por Terra, Teto e Trabalho, dá continuidade ao tema exposto no 26º Grito dos Excluídos e das Excluídas. A metodologia de trabalho realizada no Grito, de modo descentralizada, mas focada, é um caminho aglutinador de forças que leva a sensibilizar, conscientizar e transformar a sociedade.

Não podemos perder de vista a solidariedade de classe. Essa sim tem colocado a “vida em primeiro lugar”, ante ao sistema econômico, político e programas “governômicos” ultraliberais. Adentremos à 74ª edição desse Jornal do Grito com essas reflexões e o pensamen­to do companheiro Herbert José de Souza, o Betinho: “o desenvolvimento humano só existirá se a sociedade civil afirmar cinco pontos fundamentais: igualdade, di­versidade, participação, solidariedade e liberdade”.

Fonte: Jornal: Vida em primeiro lugar - Grito dos(das) excluídos(as) - t. 26 -  n. 74 NOV/DEZ 2020.

Leia também:

Piracema: força de vida e esperança
Os warao e a Fratelli Tutti

Missionário Incansável

O Som da cor e as sementes da coragem

Tornamo-nos aquilo que escolhemos, para o bem ou o mal

Existem padres na Amazônia?
“Nossa vida está sempre por um fio”
Consciência negra com D. José Maria Pires
Contra o racismo, a favor da vida para todos


Acesse este link para entrar nosso grupo do WhatsApp: Revista O Lutador Você receberá as novas postagens da Revista O Lutador em primeira mão.

Compartilhe este artigo:
Nome:
E-mail:
E-mail do amigo:
DEIXE UM COMENTÁRIO
TAGS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS