Roteiros Pastorais Homilética
01/11/2019 Dom Emanuel Messias de Oliveira Edição 3916 Solenidade de Todos os Santos - 3/11/2019 ROTEIROS HOMILÉTICOS
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"Será grande a vossa recompensa nos céus [Mt 5,12]"

Solenidade de Todos os Santos - 3/11/2019

 

Leituras: Ap 7,2-4.9-14; Sl 23[24]; 1Jo 3,1-3; Mt 5,1-12a

Destaque: “Será grande a vossa recompensa nos céus.” [Mt 5,12]

 

  1. O Cordeiro que salva. A pergunta de Ap 6,17: “quem poderá ficar em pé?” encontra no capítulo 7º sua resposta. A salvação é impossível ao homem, mas para Deus nada é impossível. O autor tem presente o recenseamento dos hebreus no deserto (cf. Nm 1,20-43). Como proteção de Deus, a marca na fronte indica a salvação. Os marcados são 144 mil. Um número simbólico que aponta para a totalidade de 12 (12x12x1000=144.000), isto é, todo o povo de Deus do Primeiro Testamento. Este número pode indicar a largura da misericórdia divina, salvando a totalidade dos eleitos.

Expressões que se referem à salvação aparecem aqui com fartura. “De pé” (não serão julgados; é sinal salvífico); “vestes brancas” (simbolizam a vitória, a salvação); “palmas nas mãos” (vitória). Todos reconhecem que a salvação vem de Deus através da cruz de Cristo - o Cordeiro: “lavaram suas vestes e alvejaram-nas com o sangue do Cordeiro”. O sangue simboliza a eficácia da morte de Jesus.

O Apocalipse é, assim, uma injeção de ânimo para que os cristãos de todos os tempos lutem até o fim, para não deixarem que o bem - o projeto de Deus- seja abocanhado pelo mal encarnado nas injustiças e perseguições de pessoas e instituições.

  1. Somos todos irmãos. O texto de hoje pertence à seção cujo tema é: “viver como filhos de Deus” (cf. 2,29-4,6). Praticando a justiça, nascemos de Deus e assim podemos ver a maior prova de amor que o Pai nos deu: “sermos chamados de filhos de Deus e o sermos de fato”.

Para Jesus, na 7ª bem-aventurança (cf. Mt 5,9), isto é concedido aos que promovem a paz. Uma paz verdadeira é bem-estar que exclui injustiça e opressão. Supõe, portanto, a fé traduzida em obras, uma fé no único Pai de todos, que nos ama através do amor do Filho que, vivendo e morrendo por nós, nos concedeu a graça da filiação divina. Somos, portanto, todos irmãos com a obrigação do amor mútuo. O mundo cultiva o ódio e nos impede de ver a Deus. Quando Cristo se manifestar, também a nossa realidade de filhos se manifestará, e aí seremos semelhantes a ele, pois o veremos tal como ele é.

 

  1. Os filhos de Deus. No início do “Sermão da Montanha” (Mt 5-7), Jesus fala para multidões numerosas vindas de vários lugares (cf. 4,25). São gente simples, pobres, aflitos, perseguidos, famintos. Jesus sobe a montanha e se assenta. A montanha lembra o Sinai, onde Deus, através de Moisés, tinha feito aliança com seu povo. Assentado, Jesus assume o papel de Mestre. No Sinai a distância era grande entre Deus e o povo. Aqui o clima é de confiança e aproximação. Aqui não há leis, mas propostas de felicidade.

Duas bem-aventuranças (a 1ª e a 8ª) sintetizam as outras. A 1ª é: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos céus”. A 8ª é: “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus”. As outras bem-aventuranças não são mais do que esclarecimento dessas duas.

A 2ª, a 3ª e a 4ª bem-aventuranças vão explicar a 1ª e a 8ª, dizendo quem são os pobres. Os mansos foram amansados pelos poderosos, que até lhes cassaram os direitos, mas eles herdarão a terra. Podem ser identificados com “os sem-terra”! A 3ª diz quem são os aflitos - pessoas cativas e aprisionadas, vítimas da sociedade cruel e opressora, mas Deus os consolará, libertando-os.

A 4ª diz quem são os que têm fome e sede de justiça - aqueles que não podem viver na atual injustiça. Eles lutam pela sobrevivência. Sua luta é justa e eles serão saciados. As bem-aventuranças 5ª, 6ª e 7ª vão mostrar que os pobres querem construir a nova sociedade. Os pobres são misericordiosos, são solidários, querem colocar tudo em comum. Deus reparte com quem reparte. Os puros de coração verão a Deus. O coração é a sede das opções profundas.

A 7ª diz respeito aos que promovem a paz. Paz (=shalom) é a plenitude dos bens, é exclusão da injustiça, da opressão e da violação dos direitos. Paz, aqui, é mais social do que pessoal. Serão chamados filhos de Deus os que lutam pelo bem comum, pelo bem-estar de todos.

 

Leituras da semana

dia 4: Rm 11,29-36; Sl 68[69],30-31.33-34.36-37; Lc 14,12-14

dia 5: Rm 12,5-16a; Sl 130[131],1.2.3; Lc 14,15-24

dia 6: Rm 13,8-10; Sl 111[112],1-2.4-5.9; Lc 14,25-33

dia 7: Rm 14,7-12; Sl 26[27],1.4.13-14; Lc 15,1-10

dia 8: Rm 15,14-21; Sl 97[98],1.2-3ab.3cd-4; Lc 16,1-8

dia 9: Ez 47,1-2.8-9.12; Sl 45[46],2-3.5-6.8-9; Jo 2,13-22

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