Roteiros Pastorais Homilética
04/06/2019 Dom Emanuel Messias de Oliveira Edição 3912 Solenidade de São Pedro e São Paulo Apóstolos - 30/06/2019
São Pedro e São Paulo – Tela de Rubens
"Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei minha Igreja [Mt 16,18]"

Solenidade de São Pedro e São Paulo Apóstolos - 30/06/2019

 

Leituras: At 12,1-11; Sl 33[34]; 2Tm 4,6-8.17-18; Mt 16,13-19

Destaque: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei minha Igreja” [Mt 16,18]

 

  1. A Páscoa de Pedro. Herodes Agripa I, governador da Judéia e Samaria, desencadeou uma perseguição contra a Igreja. Mandou matar à espada Tiago, irmão de João, e vendo que isto agradava aos judeus, mandou prender o apóstolo. Quando passasse a Páscoa, Herodes tencionava apresentá-lo diante do povo durante a noite.

A Igreja rezava constantemente na intenção de Pedro, que revive o drama de Jesus. O episódio revela uma espécie de "Páscoa de Pedro".

Deus intervém. A presença do anjo enche a cela de luz. O anjo toca em Pedro, desperta-o e as cadeias se desamarram. O anjo o manda aprontar-se e segui-lo. Pedro pensava que fosse uma visão, mas os portões foram-se abrindo diante deles. O anjo desapareceu e só aí Pedro toma consciência de que fora libertado por Deus.

A menção da prisão no dia dos ázimos, a libertação na noite da Páscoa e a referência de que o Senhor enviou seu anjo para libertar Pedro relembram de perto a libertação do Egito. O antigo Povo de Deus, que fora libertado do Egito, se torna agora Egito opressor do novo Povo de Deus. O antigo rejeitou seu Filho Amado e agora persegue seus seguidores, mas Deus continua sendo o libertador do povo. Ele disse que estará com a Igreja até o fim do mundo.

 

  1. A Paixão de Paulo. Paulo está preso. Sabe que chegou a sua hora. Jesus, a seu tempo, disse: "Pai, chegou a hora, Glorifica teu Filho, para que teu Filho te glorifique". (Jo 17,1.) A mesma coisa está acontecendo com o grande apóstolo dos gentios. É claro o paralelo entre a paixão de Jesus e a paixão de Paulo.

"Já fui oferecido em libação.” É o rito de derramar o vinho, água e óleo sobre a vítima nos sacrifícios judaicos (cf. Ex 29,40). Paulo preparou sua oferta total com sofrimentos, abandono, dor. Ele já se vê pronto para o sacrifício de sua vida. Sua morte é vista como uma viagem, naturalmente, para a casa do Pai. "Chegou o tempo da minha partida."

Ele que fez tantas viagens de evangelização, parte agora bem preparado, de cabeça erguida para sua última viagem. Não será mais uma viagem de trabalho penoso como foram as outras, mas a viagem do eterno repouso: "Combati o bom combate". Ele se vê como aquele a quem Deus confiou a mensagem, que deverá ser proclamada e ouvida por todas as nações, sem desvios ou falsificações: "Guardei a fé".

E não lhe faltaram a assistência e a força de Deus nos momentos de solidão e de abandono. Por isso, Paulo termina com um hino de louvor ao Senhor que o chamou, transfigurou sua vida, acompanhou-o por toda a missão e está prestes a condecorá-lo: "A ele a glória pelos séculos dos séculos! Amém!"

 

  1. Quem é Jesus? A pergunta é muito importante e válida para todos os tempos. No fundo, nossa vida depende desta resposta, que deve, naturalmente, brotar das atitudes e não das ideias. Jesus não quer uma elite de pensadores, mas um grupo de operários do Reino. A pergunta é dirigida aos discípulos, mas Jesus quer colher duas opiniões. Primeiro a opinião do povo, depois a opinião dos discípulos.

É Pedro quem responde. Ele é visto como o porta-voz dos discípulos e tem uma função de destaque em todo o Segundo Testamento. Podem conferir: Mt 4,18; Mc 5,37; Lc 24,34; Jo 6,67-69; 21,15-23; At 1,13.15; 3,1; 10,5; Gl 2,7 etc. É Jesus que lhe dá o nome de Pedro para simbolizar seu indispensável papel na fundação e direção da Igreja.

Pedro responde que Jesus é o Messias e o Filho de Deus. Naquele tempo, a palavra Messias era mais importante, pois todos estavam esperando o Messias prometido. A expressão Filho de Deus tinha para o povo uma aplicação mais ampla. Referia-se aos anjos, ao povo eleito, aos israelitas fiéis e também ao Messias.

Naturalmente, para a comunidade onde surgiu o Evangelho de Mateus, o título Filho de Deus, professado por Pedro, já tinha alcançado seu verdadeiro sentido, ou seja, Jesus tem uma relação filial única com Deus. Ele partilha com o Pai e o Espírito Santo a divindade. Ele é a 2ª Pessoa da Santíssima Trindade. De fato, Jesus diz a Pedro que o que ele acaba de afirmar provém de uma revelação divina. Só mais tarde a Igreja vai perceber a profundidade da resposta de Pedro.

Jesus muda o nome de Pedro. Isto significa que ele lhe atribui a missão de estar à frente da Igreja de Jesus (= minha Igreja). Essa missão de chefe da Igreja é hoje dada ao sucessor de Pedro, a quem chamamos de Papa. "As portas do inferno nunca prevalecerão contra ela." Quer dizer que as forças que estão contra o projeto de Deus não serão capazes de derrubar a Igreja. Estas forças malignas brotam do coração do próprio homem. Brotam de todos aqueles que oferecem resistência ao Evangelho, à vontade de Deus, à justiça, ao bem.

 

Leituras da semana

dia 1º: Gn 18,16-33; Sl 102[103],1-4.8-11; Mt 8,18-22

dia 2: Gn 19,15-29; Sl 25[26],2-3.9-12; Mt 8,23-27

dia 3: Ef 2,19-22; Sl 116[117],1-2; Jo 20,24-29

dia 4: Gn 22,1-19; Sl 114[115],1-6.8-9; Mt 9,1-8

dia 5: Gn 23,1-4.19 – 24,1-8.62-67; Sl 105[106],1-5; Mt 9,9-13

dia 6: Gn 27,1-5.15-29; Sl 134[135],1-6; Mt 9,14-17

 

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