Roteiros Pastorais Homilética
20/12/2019 Dom Emanuel Messias de Oliveira Edição 3917 Solenidade de N. S. Jesus Cristo, Rei do Universo - 24/11/2019 Festa Cristo Rei
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"Que lugar Jesus ocupa na sua vida?"

 

 

Leituras: 2Sm 5,1-3; Cl 1,12-20; Lc 23,35-43

Davi, figura do Messias. A liturgia de hoje escolhe este texto, em que Davi é aclamado rei de todo Israel, para simbolizar a universalidade do reinado de Jesus. Com a morte de Saul, Davi é ungido rei (2Sm 2,4.7) sobre Judá durante sete anos e meio. Depois é eleito rei sobre as tribos do Norte (2Sm 5,3) e reina sobre todo o Israel durante trinta e três anos, unificando todas as tribos (1Rs 2,11). Por quais motivos Davi foi escolhido rei também das tribos do Norte? Por causa da fraternidade de raça (v. 1), sua experiência militar e as bênçãos de Deus (v. 2).

Vemos assim, em 2Sm 5,1-5, o perfil da autoridade em três traços principais: a) a verdadeira autoridade exerce a liderança pela liberdade e justiça (v. 2a); b) a consciência de que o povo pertence a Deus (v. 2b); O líder é um pastor que dá segurança e vida para o povo; c) a autoridade autêntica sabe conviver com as lideranças populares (os anciãos de Israel (v. 3a), partilhando o poder.

Davi torna-se assim o unificador do povo de Deus e símbolo do rei ideal. Após o exílio, o povo sonha com um novo Davi. Sua importância cresceu por ser ele o antepassado profético de Jesus, o Messias, chamado filho de Davi. Por todas as qualidades de líder e de unificador das tribos, tornou-se figura do Messias, que iria governar todo o universo (cf. 2a leitura).

Jesus é Rei. Na comunidade de Colossos, misturavam-se elementos judaicos e cristãos, e mesmo pagãos. A soberania de Jesus estava sendo posta em dúvida diante de poderes angélicos, outras forças cósmicas e outros seres intermediários, no mesmo plano do único mediador Jesus Cristo. Além disso, buscavam uma série de observâncias religiosas (cf. 2,16.21.23). A Carta procura corrigir a comunidade e salienta:

a) A origem divina da iniciativa da salvação (vv. 12-14).

Foi o Pai que nos permitiu participar da herança dos cristãos na luz; como pagãos, vivíamos nas trevas. Agora, vivemos numa comunidade, em que Jesus é nossa luz.

b) Jesus é o Rei de todo o universo (18-20). Ele é nosso Salvador, a plenitude do humano e do divino. Ele reina sobre o universo inteiro. Vemos Jesus como raiz, centro e ponto de unidade de toda a criação, pois Deus criou tudo em Jesus (as coisas da terra e as coisas do céu, as coisas visíveis e as invisíveis).

Que lugar Jesus ocupa na sua vida? Jesus conseguiu seu reinado aliando-se aos poderosos ou aos marginalizados e excluídos?O início do Reino. Muitos gostariam de ver os evangelhos como uma reportagem televisiva, ou pelo menos lê-los como uma crônica, com seus pormenores históricos. Aos evangelistas não interessa tanto a crônica, a história em si, mas o testemunho de fé da comunidade, ou o testemunho de uma comunidade de fé. O que nos interessa na narração da Paixão é o significado da pessoa de Jesus e do seu gesto de amor.

Jesus é o servo escolhido por Deus, que assumiu até às últimas consequências sua messianidade; ele veio salvar a humanidade, trazer vida para os marginalizados e assumir um reinado somente reconhecido pelos pequenos e excluídos.

O patíbulo da cruz é seu trono de glória. Tudo isso é algo que ultrapassa a nossa lógica, é algo fora do “bom senso”; por isso, enquanto aqueles que vivem fora da lógica dos grandes o aceitam, os letrados e donos do mundo o rejeitam.

A atitude do bom ladrão simboliza e sintetiza a caminhada de fé de todos os que creem e aceitam Jesus como seu Rei e Salvador. Os outros evangelistas não narram este diálogo. Para Lucas, quais são os passos da caminhada de fé para Lucas?

Primeiro: o reconhecimento do nosso pecado. Todos somos pecadores e merecemos a condenação. Ao reconhecer o nosso pecado, confessamos a inocência de Jesus.

Segundo: a profissão de fé na realeza de Jesus. Jesus é rei, apesar de não estarmos percebendo isto claramente aqui e agora.

Terceiro: a súplica pela salvação: “Lembra-te de mim quando vieres em teu reino”. (v. 42).

A resposta de Jesus é uma garantia digna de fé: “Eu lhe garanto: Hoje mesmo você estará comigo no paraíso”. O Reino de Deus começa aqui e agora para quem tem fé. O início do Reino de Deus começa com o movimento de conversão e reconhecimento do próprio pecado.

Quem começa a sair das gargantas destruidoras desta estrutura de pecado e morte começa a entrar no Reino, começa a refazer o paraíso perdido. Só os excluídos têm facilidade em dar esse passo de vida, pois eles não estão agarrados a esta estrutura de morte.

 

Leituras da semana

dia 25: Dn 1,1-6.8-20; (Sl) Cânt. Dn 3,52.53.54.55.56; Lc 21,1-4

dia 26: Dn 2,31-45; (Sl) Cânt. Dn 3,57-59.60-61; Lc 21,5-11

dia 27: Dn 5,1-6.13-14.16-17.23-28; (Sl) Cânt. Dn 3,62-63.64-65.66-67; Lc 21,12-19

dia 28: Dn 6,12-28; (Sl) Cânt. 68-70.71-72.73-74; Lc 21,20-28

dia 29: Dn 7,2-14; (Sl) Cânt. Dn 3,75-77.78-79.80-81; Lc 21,29-33

dia 30: Rm 10,9-18; Sl 18[19A],2-3.4-5; Mt 4,18-22

 

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