Roteiros Pastorais Homilética
30/05/2020 Dom Emanuel Messias de Oliveira Edição 3924 Solenidade da Santíssima Trindade - 7/06/2020 [Branco]
F/ parishofbengeo
"“Deus entregou seu Filho único” (Jo 3,16)"

Solenidade da Santíssima Trindade - 7/06/2020 [Branco]

“Deus entregou seu Filho único” (Jo 3,16)

 

Leituras: Ex 34,4b-6. 8-9; Sl (Dn 3,52-56); 2Cor 13,11-13; Jo 3,16-18

 

  1. Quem é Deus? No capítulo 32, demorando-se Moisés no Monte Sinai, o povo fez para si um bezerro de ouro, rompendo a Aliança com Deus. Moisés, enfurecido, quebra as tábuas da Lei, mas, depois, intercede de novo pelo povo, e o Deus da Aliança, se mostra de novo compassivo e misericordioso. No texto, Deus mesmo se apresenta, autodefinindo-se, por seu modo de agir para com o homem pecador. "Senhor, Senhor! Deus compassivo e bondoso, paciente, rico em misericórdia e fidelidade". São palavras do próprio Deus, e não de Moisés. Deus não se cansa de perdoar e de renovar seu compromisso de aliança.

A oração de Moisés responde à pergunta inicial: Primeiro, Deus é aquele que se aproxima do homem e caminha com seu povo, conduzindo-o para a libertação total, apesar de suas infidelidades. Segundo, Deus é misericórdia e perdão. Terceiro, Deus é capaz de aceitar como herança este povo "cabeçudo", pobre e cheio de culpas. Também somos herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo. Será que somos diferentes? Diga, a partir de sua experiência, quem é Deus para você?

 

  1. Trindade, onde moras? O apóstolo dá o endereço do Deus uno e trino. É claro, Deus mora na comunidade cristã que, na 1Cor 12, Paulo vai chamar de Corpo de Cristo. Na 1Cor 6, Paulo diz que o corpo do cristão é Templo do Espírito Santo, e isto quer dizer que o Espírito Santo mora no cristão. Aqui, Paulo esclarece que o Deus de Amor e da paz está numa comunidade que realmente manifesta a fraternidade, alegria, a busca de perfeição, ânimo, concórdia e paz. O texto de hoje traz 2 referências litúrgicas: 1) o cumprimento através do beijo fraterno; 2) a saudação trinitária que usamos como abertura das nossas celebrações eucarísticas. Com ela, o celebrante deseja que a Trindade habite no coração da comunidade e de cada um de seus membros.

 

  1. O amor que se dá. Celebramos a Santíssima Trindade, mas o Evangelho fala mais explicitamente de Deus Pai e de seu Filho Jesus. Como o Espírito Santo é o amor entre o Pai e o Filho, poderíamos ver no amor do Pai a presença indireta da 3ª Pessoa da Santíssima Trindade. O amor consiste na entrega total de si mesmo para a felicidade do outro, no dom supremo da própria vida. Deus é amor. Quando Deus entrega, envia, doa seu Filho Único, ele está fazendo a doação de si mesmo, pois Deus é um só em três pessoas.

Na pessoa do Filho, o Pai se entrega totalmente através do Espírito de Amor. Este amor do Pai é vivido pelo Filho até às últimas consequências, entregando-se por nós como dom supremo do Pai.

Não existe manifestação maior de amor do que dar a vida pela pessoa amada. Foi o que Deus fez por nós através do Filho. Deus quer que todos tenhamos vida qualificada, uma vida nova, a vida do próprio Deus, que São João chama de vida eterna ou definitiva.

A fé em Deus consiste em acolher o Filho Único de Deus na pessoa de Jesus, tomar a sua cruz, viver como ele viveu: uma vida de serviço ao outro, de entrega, para gerar comunhão e vida qualificada. Acreditar é algo concreto, não é dizer “Senhor, Senhor”, não é um gesto de admiração a Jesus ou se entusiasmar em orações e cânticos.

A fé está na linha do agir concreto, do agir com as mãos para que o futuro tenha mais vida. A esta altura podemos entender que quem crê não é julgado, não se perde, mas tem a vida; quem crê é salvo por Jesus, pois foi para isso que Jesus veio. Ele não veio para condenar ninguém. Mas quem não acreditar nele já está aqui e agora condenado.

Uma vez que Deus em Jesus se manifesta de modo decisivo em benefício do homem, a atitude do homem com relação a Jesus é também decisiva. Se o homem acolhe Jesus, ele se salva, se o homem rejeita Jesus, ele se condena. Atenção! É o homem que busca sua própria condenação ao não aceitar o dom supremo de Deus em Jesus. Jesus é de fato caminho, verdade e vida. Rejeitar Jesus é extraviar-se na condenação de si mesmo.

Como você manifesta sua fé em Jesus no meio da comunidade? Ela leva você à experiência de comunhão trinitária?

 

Leituras da semana

dia 8: 1Rs 17,1-6; Sl 120[121],1-2.2-4.5-6.7-8; Mt 5,1-12

dia 9: 1Rs 17,7-16; Sl 4,2-3.4-5.7-8; Mt 5,13-16

dia 10: 1Rs 18,20-39; Sl 15[16],1-2a.4.5 e 8.11; Mt 5,17-19

dia 11: Dt 8,2-3.14b-16a; Sl 147[147B],12-13.14-15.19-20; 1Cor 10,16-17; Jo 6,51-58

dia 12: 1Rs 19,9a.11-16; Sl 26[27],7-8a.8b-9.13-14; Mt 5,27-32

dia 13: 1Rs 19,19-21; Sl 15[16],1-2a e 5.7-8.9-10; Mt 5,33-37

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