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06/10/2019 Pe. Aureliano de Moura Lima Edição 3916 Rastros de um Homem de Deus
F/Arq-SDN
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"Não me importa que vocês sejam meus amigos. Quero que vocês sejam bons sacramentinos"

Rastros de um Homem de Deus

Pe. Aureliano de Moura Lima, SDN*

 

No último dia 05 de agosto, nosso querido Pe. Demerval Alves Botelho terminou sua peregrinação na terra. Deixou marcas em muitos corações. Sua vida foi uma bênção. Deus seja louvado e bendito pela sua vida marcante entre nós.

 

Um perde-ganha

“Hoje é um dia de perda, sem dúvida. Perdemos um grande homem a quem Deus deu uma vida longa, esplêndida, maravilhosa. Do ponto de vista humano, a gente diz que foi uma grande perda. Mas do ponto de vista da fé, eu diria que foi um grande ganho. Ganho por quê? Porque a vida é um dom de Deus. E essa vida do Pe. Demerval, cheia de dons, foi uma vida de 95 anos. Seríamos extremamente pessimistas dizermos que foi uma perda para a Igreja. Eu olho do outro lado. Diria: do lado de Deus. Foi uma grande graça. Um ganho. Um grande dom de Deus para nossa Diocese e para a Congregação dos Missionários Sacramentinos, essa vida doada, entregue. Uma vida toda percorrida com dotes extraordinários, com a ternura do Pe. Demerval, com sua capacidade intelectual, com sua humildade profunda. A história que ele deixou como legado é um grande ganho”. Essas palavras de Dom Emanuel Messias de Oliveira, bispo de Caratinga, refletem bem o que foi para a Congregação e para a Igreja a vida do Pe. Demerval: um dom, um ganho, um legado de alegria.

 

Um dom para a Congregação

Tive contato com ele desde 1982. Um homem sempre extraordinário. Observador, respeitoso, alegre, firme, decidido, autônomo. Um homem de oração fervorosa e profunda. Eucarístico-mariano. Por meio dele vim para a Congregação. Foi meu Mestre no tempo de noviciado. Sempre atento aos formandos. Firme, exigente, coerente. Queria formar missionários para a vida. Dizia-nos: “Não me importa que vocês sejam meus amigos. Quero que vocês sejam bons sacramentinos”. Quando notava o grupo meio cansado, colocava todo mundo numa Kombi e dava uma volta, oxigenava o grupo. E pronto: refeitos para continuar. Era mais ou menos assim sua vida de formador. Eterno formador.

Foi sempre elo de unidade no grupo congregacional. Todos o respeitavam e admiravam. Ainda que não concordassem com ele. Ele se impunha pelo modo de viver e de tratar com cada um. Não falava mal dos irmãos. Nem gostava de ouvir lamúrias ofensivas e difamatórias. Tinha um princípio para lidar com os irmãos: “Amo a todos os meus irmãos sacramentinos. Respeito cada um. Embora não admire a todos”.

Conheci a mãezinha dele. Foi minha professora de datilografia [sic]. Gostava de contar histórias de sua vida e família. Mulher de uma piedade extraordinária. Sua vida era oração e trabalho.  Conheci [e conheço] também suas irmãs. Uma delas, a primogênita, Dona Dagmar, que conheci de perto, no alto de seus 97 anos, continua aquela mulher de Deus, orante, comprometida. Uma família marcada pelo Servo de Deus Pe. Júlio Maria.

A vida do Pe. Demerval foi uma demonstração do que acontece com a pessoa que se deixa tomar por Deus: marca significativamente a vida dos outros; torna-se uma bênção [cf. Gn 12,3]. Pe. Júlio Maria, homem no qual Pe. Demerval “viu Deus” - como costumava dizer -, deixou-se tomar por Deus, partiu para a missão, doando sua vida. E aqueles que ele marcou continuaram, por sua vez, influenciando, marcando, ajudando as pessoas a viverem uma vida em Deus.

 

Uma alegria esfuziante

“Onde estão os religiosos, existe alegria”. Estas palavras do Papa Francisco trazem-me à lembrança a figura do Pe. Demerval. Por onde passava espargia alegria. Mesmo em meio às dores da alma ele conseguia contar uma piadinha inocente, fazer “uma tiradinha” com alguém, gerar alegria ao seu redor. No último vídeo que se fez com ele, no leito do hospital, ele dizia: “Estou aqui nessa situação, servindo a Deus de uma maneira diferente. Não estou triste nem aborrecido, nem contrariado, nem depressivo. Quando a tristeza ameaça chegar perto de mim, eu digo: ‘Tristeza, por favor vá embora. Me deixe em paz’”. Foi assim que ele viveu. Assim também ele morreu: confiante, alegre e em paz.

 

* Missionário Sacramentino de Nossa Senhora. Responsável pela Pastoral Vocacional no Regional Nordeste e pela Formação na Casa “Pe. Júlio Maria” – Maracanaú-CE.

  

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