Roteiros Pastorais Homilética
23/01/2020 Hans Urs von Balthasar Edição 3920 Quarta-feira de Cinzas – 26/02/2020 Roxo
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"Não saiba tua mão esquerda o que faz a direita..."

Quarta-feira de Cinzas – 26/02/2020

Leituras: Jl 2,12-18; Sl 50[51]; 2Cor 5,20 – 6,2; Mt 6,1-6.16-18

“Não saiba tua mão esquerda o que faz a direita...” (Mt 6,3b)

 

  1. Rasgar os corações. A Antiga Aliança já convidava o povo, na primeira leitura, a entrar em um temo geral de “conversão” e de expiação. Também agora é conveniente fazer penitência e jejuar, não como uma obra exterior, mas como uma disposição interior: “Rasgai os ossos corações, e não as vossas vestes”.

Também aqui, não se trata de tentar “mudar as disposições de Deus”, mas é uma questão de voltar-nos a nós mesmos para o Deus de graça e misericórdia. Também aqui, há um ato litúrgico: o “jejum sagrado” é compreendido como um “serviço de Deus” de toda a comunidade.

Não se trata de agir magicamente sobre Deus, mas simplesmente rezamos, com intensidade, para implorar a compaixão divina.

 

  1. Apelo à conversão. A liturgia da Igreja nos traz um chamado à conversão e a um tempo de penitência. Seu porta-voz é Paulo com seus colaboradores: “Nós estamos em embaixada por Cristo: deixai-vos reconciliar com Deus!”

Isto significa duas coisas: deixai-vos pessoalmente, cada um de vós, e deixai-vos por nós, os representantes da Igreja, reconciliar-vos com Deus. São os “cooperadores de Deus” que nos exortam, são eles que chamam nossa atenção: “Eis o momento favorável, eis agora o dia da salvação”.

Se nós somos livres para fazer penitência em todo tempo que quisermos, agora é uma questão de obediência à Igreja fazê-lo no quadro do ano litúrgico. O motivo que a Igreja nos dá é o agir de Deus, que “se fez pecado por nós”, ele, o Filho sem pecado, “para que nele nos tornemos justiça de Deus”.

Esta coisa tão grande, o fato de que Cristo já assumiu sobre si mesmo, em nosso favor, a penitência mais estranha possível, deve levar-nos a não o deixarmos sozinho - mesmo nos alegrando que um outro tenha-se tornado, em nosso lugar, o representante do pecado diante de Deus, o que de novo seria algo enorme -, mas também deve estimular-nos a entrar em sua paixão com o pequeno nada que podemos realizar com ele, para expiar o pecado do mundo.

 

  1. Aos olhos de Deus. No Evangelho, Jesus não aboliu a penitência, mas preservou-a de cair no farisaísmo: tudo deve ser transferido ao interior, ao invisível, para ter sentido e valor diante de Deus. Assim, em suas três exortações – sobre a maneira como devemos dar esmola, rezar e jejuar – Jesus insiste sobre o mais invisível possível, a fim de que nosso agir conserve seu sentido cristão.

Com essa invisibilidade exterior, nada é forçado na necessidade de tal comportamento; ao contrário, Jesus sublinha o quanto ele é agradável aos olhos do Pai celeste, que sabe apreciar seu valor e recompensá-lo.

Ainda uma vez, porém, não é para sermos recompensados que nós fazemos penitência; em primeiro lugar, é simplesmente porque seguimos a Cristo com reconhecimento; a seguir, porque diante do mundo em que vivemos nós vemos com clareza que só podemos ajudá-lo profundamente por meio da penitência.

Para isso, Jesus nos indica três formas eficazes: a esmola, a oração e o jejum. Pode-se jejuar de muitas maneiras: pela renúncia aos alimentos, às facilidades de todo tipo, ao sono, à alegria, para dar preferência aos pobres, aos indigentes, aos enfermos – todos aqueles que não podem retribuir a nós (cf. Lc 14,14).

(Texto de Hans Urs von Balthasar)

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