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01/06/2021 Joaquim Armindo Edição 3937 Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão
F/ Pixabay
"O objetivo central deste Sínodo é que ninguém fique calado, reunir todas as sensibilidades que existem na Igreja, para dizermos como queremos uma Igreja Sinodal, que estabeleça a comunhão, participação e missão. "

Para que este seja efetivo e universal, a primeira é grande necessidade é que o Sínodo expresse as opiniões do Povo de Deus, são necessárias as ações anunciadas pelo bispo de Roma, mas o principal é que nas dioceses e paróquias, não exista um clima de medo na participação, que seja alargada a todas as cristãs e cristãos batizados, e não só aqueles que “comandam” as paróquias e as dioceses.

Não só a questão do “padrocentrismo”, “bispocentrismo” ou “diaconocentrismo”, nem aos leigos que fazem das sacristias o seu modo de ser e viver. Hipócritas e maldizentes, conduzindo o ser cristão a um núcleo tão minúsculo, porque os outros, esses “não querem nada com os padres”, dizem.

Necessário se torna ir às “periferias” da vida e das “mentes” e fazer deles os autênticos presentes no Sínodo. Uma reunião só será Sinodal e de Comunhão, Participação e Missão, se as Dioceses o não boicotarem. Lembram-se do Sínodo dos Jovens? O que é feito dele? Onde param as suas conclusões e a consulta estabelecida? Sabem onde tudo isso para? É para ser esquecido? Nas Jornadas Mundiais da Juventude a realizar em Lisboa, será que tudo vai ser abafado, depois delas, para onde vão os jovens que emoldarão Lisboa?

Os Sínodos vão servir para mais documentos esquecidos em bibliotecas, para serem lembrados daqui por uns anos? Não pode ser assim o Povo de Deus, autêntica força do Espírito Santo, reside nesse Povo, e retirá-lo é, no mínimo, obsceno. Ainda que todas e todos que levantarem a sua voz com dissonâncias do clericalismo sejam reduzidos ao silêncio, resta-nos esse Espírito que falará sempre, mesmo que as estruturas clericalizadas não o queiram.

O objetivo central deste Sínodo é que ninguém fique calado, reunir todas as sensibilidades que existem na Igreja, para dizermos como queremos uma Igreja Sinodal, que estabeleça a comunhão, participação e missão. Tal objetivo começa por reduzir o clero àquilo que ele deve ser: Serviço; não vale comandar as “suas tropas” – os que vão sempre a tudo -, e dizer a elas o que querem que elas repitam.

As fases das Dioceses e das Conferências Episcopais, podem ser os coveiros daquilo que Francisco deseja, uma igreja de escuta e de serviço. O Povo de Deus não quer destruir Deus, nem Jesus Cristo, nem o Espírito Santo – até porque seria insana fazer tal, não obteriam resultados -, o Povo de Deus quer ser escutado, fazer as suas queixas, fazer comunhão, participação e missão, que não seja comandada ao nível militar. As forças obscuras que amam “os poderes”, as “estátuas”, as “catedrais” e os lugares primeiros e bem visíveis, só podem nesta altura ter uma remição, colocar-se ao serviço e não ao comando, como se fossem eles só os Filhos de Deus.

A Igreja na escuridão, que são aquilo que chamamos os “leigos”, e muito mais as mulheres, autênticas forças dinamizadoras da igreja católica romana e de outras tradições religiosas, são a pedra que os construtores rejeitam, mas fazem parte da pedra angular, ou estão representadas em todas as reuniões sinodais, ou a última só representará uns 10% da igreja, o que será um engano total na realização do Sínodo, assim nunca existirá comunhão, participação e missão, e o Espírito do Senhor terá de  falar por outras instâncias.

Se a consulta das dioceses forem nas instâncias normais, o Povo de Deus não será ouvido, as instâncias normais, são órgãos que não existem como em muitas paróquias os Conselhos Pastorais ou, então, são de nomeação “padresca” e sempre as mesmas pessoas, como numa monarquia.

Francisco, bispo de Roma e papa, faz bem em convocar da forma como descreveu o Sínodo, mas tem de se lembrar que nem sempre estamos em dioceses e paróquias onde o Povo de Deus é ouvido, e mesmo as instruções papais não são seguidas. Como é notório, por exemplo, no pagamento das missas por intenções, onde existe uma tabela e Francisco diz que não deve existir.

Veremos o que vai ser o Sínodo sobre os “sínodos”.

Joaquim Armindo - Pós-doutorando em Teologia - Doutor em Ecologia e Saúde Ambiental - Diácono – Porto -Portugal

 Fonte: Amerindiaenlared

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