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17/09/2021 CNBB Edição 3940 Parlamentares católicos na busca do diálogo e da política melhor I Encontro de Parlamentares Católicos a serviço do Povo Brasileiro.
F/ CNBB
"Num mundo em que todos estamos interligados , a mera ordem e o mero progresso econômico não são suficientes enquanto é urgente que a sociedade civil reafirme a sua mensagem de fraternidade, de integração e de paz."

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) iniciou, na manhã desta quinta-feira, 16 de setembro, o I Encontro de Parlamentares Católicos a serviço do Povo Brasileiro. Na abertura do evento, foi destacada a busca pelo diálogo e pela “política melhor” apontada pelo Papa Francisco na carta encíclica Fratelli Tutti. Em sua fala, o o arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, destacou que a Igreja apoia e investe em tudo o que pode promover e garantir a ‘política melhor’, como acentuou o Papa no capítulo V do documento sobre a Fraternidade humana e a amizade social.

O encontro teve inicio nesta quinta e segue até amanhã com a participação de cerca de 80 parlamentares, entre vereadores, deputados estaduais e federas e senadores. Na abertura, discursaram o presidente da CNBB; o núncio apostólico no Brasil, dom Giambattista Diquattro; e o presidente do Senado, senador Rodrigo Pacheco.

Aposta no diálogo

Para dom Walmor Oliveira de Azevedo, o I Encontro de Parlamentares Católicos a serviço do Povo Brasileiro “é uma aposta na eficácia do diálogo como instrumento de construção de entendimentos e respostas novas na reconstrução da sociedade brasileira nos trilhos da justiça e da paz à luz dos valores e princípios do Evangelho de Jesus Cristo”.

O arcebispo falou do empenho e do investimento da Igreja Católica no Brasil em promover o diálogo e a tarefa de “fecundar e iluminar a tarefa política com os valores do Evangelho”.

O ápice do encontro é a promoção do diálogo, segundo dom Walmor, para que parlamentares digam o que esperam da Igreja e “se deixem interpelar ao ouvir o que a Igreja também deles espera”. Esse diálogo permanente, continua, “permite o aperfeiçoamento do serviço na política e nutre a esperança de um novo tempo, ao se tocar mentalidades, na medida de redimensionamento de critérios pelos confrontos a partir de valores e princípios”.

Em vista do bem comum

A articulação de parlamentares católicos, no entanto, mesmo com sua importância, não deve ser compreendida, segundo dom Walmor, “como entrincheiramento em defesa de interesses cartoriais e grupais”. Valerá nessa relação “sempre a primazia do bem comum, o sentido inegociável da solidariedade e da igualdade, a defesa da promoção dos princípios democráticos”.

“A fé cristã tem uma grandeza que emoldura e inspira a qualidade do desempenho político na sua essencialidade para a vida na nação. Isso fica entendido como serviço sério e sincero prestado a um povo em vista do seu bem, por meio de legislações que garantam o direito e a justiça na verdade e na paz. A Igreja, por isso, incentiva homens e mulheres à participação e representação políticas no horizonte rico e inspirador de sua Doutrina Social”, destacou o presidente da CNBB.

No atual contexto, com “a complexidade e o desafio de se configurar um novo tecido social e político brasileiro”, dom Walmor destacou elementos que “apelam especial cuidado com exercício da política”. São eles “os desdobramentos históricos da política brasileira, os agravamentos dos problemas com o advento da pandemia da Covid-19 em curso e a precipitação perigosa da cidadania nas alas das polarizações e extremismos”.

Fraternidade Universal

A atuação do parlamentar católico, segundo dom Walmor, tem uma responsabilidade “de ser desempenhada nos trilhos de valores e princípios que impulsionem o novo, gestem respostas novas e alimentem o horizonte cidadão com as convicções da fraternidade universal”.

O núncio apostólico no Brasil, dom Giambattista Diquattro, também destacou a fraternidade como virtude a ser aprimorada no Brasil. Após transmitir a saudação cordial e a bênção do Papa Francisco, recordou a riqueza da variedade étnica, espiritual e cultural única do país: “Essa variedade admirável corrobora para o seu compromisso com a paz e a superação dos conflitos”, sublinhou.

Dom Giambattista ressaltou que “precisamos cada vez mais de fraternidade e amor para promover a integração entre os homens, fato este perseguido no momento crítico que vivemos”.

“Num mundo em que todos estamos interligados , a mera ordem e o mero progresso econômico não são suficientes enquanto é urgente que a sociedade civil reafirme a sua mensagem de fraternidade, de integração e de paz. O Brasil se destaca pela sua solidariedade que ultrapassa as suas fronteiras e por sua história marcada indelevelmente pela fé. Oxalá esta ajude a alimentar de modo tão natural propósitos e sentimentos de amor, de ordem e de progresso”, desejou.

O núncio apostólico no Brasil também espera que a vocação à fraternidade e a “cordialidade identitária” do povo brasileiro “nunca desapareçam dos vossos corações, mas acompanhe sempre, esculpindo a autenticidade que vos caracteriza”.

Ele ainda pediu que os parlamentares cultivem a “beleza do conjunto”, o que requer paciência, fadiga, coragem e partilha, zelo e criatividade. “É obra humana que Deus abençoa”.

Reconhecimento

Em seu discurso, o presidente do Senado, senador Rodrigo Pacheco, iniciou agradecendo o convite e manifestando seu reconhecimento e admiração “pelo papel essencial e pelo trabalho incansável e produtivo que a CNBB vem desenvolvendo há quase sete décadas, na edificação de uma sociedade mais justa, mais fraterna, mais solidária, sempre presente e atuante nos momentos decisivos da conturbada trajetória de consolidação e de desenvolvimento da jovem democracia brasileira”.

Para o parlamentar, com a realização do encontro, “a CNBB irmana-se com os que veem na democracia a única saída viável para a crise brasileira, bem como reafirma seu compromisso com a defesa intransigente dos mais pobres, dos que mais precisam de uma nova política, dos que mais carecem de uma política melhor”.

Superações

O presidente do Congresso Nacional comentou sobre o fato de a porcentagem de católicos na população brasileira não se traduzir em “índices similares de representatividade e atuação política”. A maioria cristã em números também não está refletida quando se considera “as convicções éticas e religiosas cristãs que nos norteiam”. Esse destaque de Pacheco deve-se à realidade do país, transparecida no “contraste ofensivo entre, de um lado, o maior número de brasileiros miseráveis desde 2010 e, de outro lado, o número recorde de novos bilionários brasileiros neste ano de 2021”.

“A reversão dessas tendências, nada alvissareiras, têm como requisito inicial a superação definitiva de impasses institucionais que tanto prejudicam e paralisam o país. Pacificar e tornar plenamente produtiva a interação harmônica entre os poderes é, no entanto, não mais do que uma etapa inicial dentro de uma tarefa maior, que é colocar o Brasil de volta ao caminho do desenvolvimento, de volta ao caminho da erradicação da fome, da geração de emprego e de trabalho, do controle eficaz do poder aquisitivo da moeda e, sobretudo, da redução das desigualdades sociais muito acentuadas inclusive na pandemia do coronavírus”, disse Pacheco.

O parlamentar destaca que atingir esses objetivos “demandará uma nova política, uma política melhor, nos termos da encíclica Fratelli Tutti”.

“Urge, em primeiro lugar, recolocar a política a serviço do bem comum. Isso implica não apenas atender as ora ainda negligenciadas necessidades básicas dos vulneráveis e desfavorecidos, mas também submeter de forma irrestrita o pensar e o agir político nos valores da fraternidade, da solidariedade e da justiça social”.

Para Rodrigo Pacheco, é imprescindível qualificar e valorizar a discussão política “buscando o diálogo paciente e persistente, em oposição às interações superficiais, improdutivas, raivosas e intolerantes, tão características de boa parte das redes sociais”.

Vislumbrando o processo eleitoral do próximo como oportunidade para a “necessária depuração política na substância e na forma” que o Papa descreve, Pacheco  espera “o reencontro do Brasil com alguma normalidade política”. Até que esse momento chegue, o que pode demorar um pouco mais a ideia, segundo o senador, é “manter, nas palavras do Sumo Pontífice, a confiança nas reservas do bem, sem perder a esperança”.

“Às vésperas dos 200 anos da independência nacional, é fundamental que todos nós democratas, que almejamos um Brasil mais justo, fraterno e solidário, não possamos esmorecer. Com calma e serenidade, e o Brasil há de superar a crise multifacetada que ora enfrentamos”, animou Pacheco, que ainda apontou para a retomada do desenvolvimento a necessidade de união nacional, respeito, responsabilidade e otimismo.

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