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30/05/2020 Pe. Nelito Dornelas Edição Os sete recados do Espírito Santo para nós hoje
F/ Periodistadigital
"O Deus que outrora falou, mantém um permanente diálogo com a esposa de seu dileto Filho, a Igreja, e o Espírito Santo, pelo qual a voz viva do Evangelho ressoa na Igreja"

Os sete recados do Espírito Santo para nós hoje

Pe. Nelito Dornelas

No livro do apocalipse encontramos sete cartas como advertências às sete Igrejas, em nome de Jesus (cf. Ap 1-3). As advertências situam-se entre duas opções: ser “vomitados” da boca do Senhor (cf. Ap 3,16) ou “sentar-se com ele” no trono dos vencedores (Ap 3,21). Inspirado nestas cartas podemos discernir sete recados para nós, os cristãos e cristãs de hoje.

Primeiro recado: a matéria divide, o espírito une. Para existir, o espírito necessita de um suporte material, que lhe traz alguns condicionamentos. Mas isto não lhe impede de revelar características opostas e extraordinariamente mais interessantes que as da matéria. Tomemos como exemplo uma criação intelectual, uma poesia, uma música ou uma descoberta científica. Cada uma dessas realidades, cuja essência é espiritual e não material, pode ser possuída por muitas pessoas por inteiro, sem necessidade de divisão. Muitos podem apreciar a beleza de uma música e reproduzi-la, beneficiar-se da descoberta de uma vacina contra o coronavirus e ter uma sobrevida de forma inesperada.

Segundo recado: tudo que é produto da inteligência humana é patrimônio espiritual da humanidade que não pode ser medido e quantificado pela matéria e pelos dividendos econômicos. Todos deveriam ter acesso às criações do espírito, segundo a capacidade de suas faculdades espirituais: intelecto, vontade, amor, sem diminuir em nada a possibilidade de outros usufruírem da mesma verdade, da mesma beleza, da mesma posse. Deixar-se guiar pelo espírito é promover uma sociedade que cria comunhão entre as pessoas, as aproxima e as torna capazes de conhecer e viver ilimitadamente o que é bom, belo e verdadeiro. Confiantes que o caminho do espírito há de nos revelar muitas coisas novas e boas, a serem partilhadas por todos, vamos ouvir mais de perto o espírito de Deus, o Espírito Santo para repensarmos uma nova forma de vida em sociedade no pós pandemia.

Terceiro recado: ainda temos muito a aprender do Espírito. O Espírito não está preso à matéria, mas dela se serve como suporte, para se fazer conhecer e alcançar toda a humanidade. Já advertia o apóstolo Paulo que “a letra mata. É o Espírito que dá a vida” (2Cor 3,6).

Quarto recado: cada ser humano tem uma identidade própria. Esta identidade permanece a mesma desde o nascimento até a morte, mas através de contínuas mudanças e adaptações promovidas pelo espírito, as pessoas vão evoluindo e crescendo espiritualmente. O apostolo Paulo adverte: não desanimemos. Enquanto o ser humano exterior caminha para a ruína, o seu interior se renova a cada instante. As nossas aflições passageiras produzem em nós uma gloria incomparável, de valor eterno (2 Cor 4,16-17).

Quinto recado: voltemo-nos para o futuro. O Concílio Vaticano II na constituição Dei Verbum afirma que Deus não nos falou somente outrora, no passado, mas nos fala hoje, com palavras vivas e atuais. Assim, o Deus que outrora falou, mantém um permanente diálogo com a esposa de seu dileto Filho, a Igreja, e o Espírito Santo, pelo qual a voz viva do Evangelho ressoa na Igreja e, através dela, no mundo, induz os crentes a toda verdade e faz habitar neles abundantemente a palavra de Cristo. A leitura da Palavra de Deus exige uma leitura iluminada pelo Espírito, o único que pode nos fazer compreender as coisas de Deus e nos abrir para a construção de um futuro iluminado e iluminador.

Sexto recado: viver sob o primado do Espírito. Quem se deixa guiar pelo espírito não faz diferença e discriminação entre as pessoas e nem vê o outro do ponto de vista carnal e biológico. Sabe que, no Espírito, todos somos incorporados em Cristo e, igualmente, chamados à santidade (cf. Gl 3,28). Sobre a santidade há uma lenda russa, citada por Soloviev (†1900), na qual se conta que São Pedro premiou com duas festas por ano no calendário eclesiástico a São Nicolau, que tinha sujado de lama a veste branca e resplandecente do paraíso para ajudar um camponês, enquanto São Cassiano, que se tinha recusado a entrar na lama para não sujar a mesma veste branca, recebeu como data da festa o dia 29 de fevereiro. Trata-se de colocar a santidade onde ela merece: acima de tudo! Diante da santidade, desaparecem todas as diferenças e superam-se todos os desafios.

Sétimo recado: deixar-se moldar pelo espírito das bem aventuranças. Das oito bem aventuranças podemos destacar pelo menos três como essenciais na construção de uma sociedade bem-aventurada. Bem aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Este é o princípio que sustenta a mística, a espiritualidade e a dimensão transcendente, como base fundamental de todas as relações. Bem aventurados os mansos, porque possuirão a terra. Fomos criados e vocacionados para a dimensão do cuidado com a criação divina. Dela não podemos nos apropriar e nem a destruir. A mansidão é uma forma de garantirmos a integridade da matéria, e de toda a criação. Bem aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Nossas relações humanas devem ser pautadas pela dimensão da misericórdia em todos os níveis até atingirmos a perfeição divina. Sede misericordiosos como vosso Pai celeste é misericordioso (Lc 6, 36). Viver e espalhar o espírito das Bem aventuranças é apoiar-se nos valores do evangelho, sobretudo no princípio vivido por Jesus: Eu vim para servir, e não para ser servido. Eu que sou mestre e senhor lavei os pés de vocês, façam a mesma coisa aos seus irmãos.

 

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