Formação Liturgia
07/01/2019 Frt. Matheus R. Garbazza, SDN Edição 3908 O Rito da Profissão Religiosa Expressão eclesial de acolhida da consagração a Deus
Jardim dos Monges
Jardim dos Monges

A Igreja faz acompanhar de ritos litúrgicos os grandes momentos da vida. Tanto é assim que fala-se cada vez mais da recepção dos sacramentos inserida num grande contexto de iniciação à vida cristã: são marcas ao longo do caminho, e não um ponto de chegada.

Não poderia ser diferente para aquelas pessoas, homens e mulheres, que decidem assumir a vocação de uma consagração a Deus pelos votos de pobreza, castidade e obediência. Desde os inícios da Igreja surgiram diversas formas para tal consagração: os eremitas, os monges, as virgens, as ordens e congregações religiosas, os institutos seculares. A vida consagrada, inspirada no Evangelho, propõe-se a tomar a Cruz e seguir o Cristo (Lc 14,25-33).

O Ritual da Profissão Religiosa, que encontramos no Pontifical Romano reformado após o Concílio Vaticano II, é uma expressão de acolhida eclesial. A Igreja assume a consagração da vida feita pelo(a) religioso(a). Depois de percorrido todo o caminho de formação dentro da família religiosa, a Profissão Perpétua manifesta de forma solene esta acolhida e a consequente bênção.

Cada família religiosa tem a liberdade de adaptar o rito segundo sua própria tradição espiritual. Entretanto, alguns elementos são basicamente comuns a todas. Observemos esses gestos rituais, para perceber a teologia litúrgica da Profissão Religiosa.

 

Chamada:

Ao responder “aqui estou”, manifesta-se a liberdade da decisão tomada e o desejo pessoal de consagração a Deus. Neste momento deixa-se clara, também, a vontade de pertencer especificamente àquela família religiosa.

Diálogo:

Após a homilia, faz-se o diálogo entre o superior(a) e quem irá professar. Apresenta-se diante de toda a comunidade o bom propósito de quem se consagra. Salienta-se, logo na primeira pergunta, a consagração primeira e mais fundamental: o Batismo, da qual depende necessariamente a consagração religiosa.

Prece litânica:

Com a pessoa que vai professar ajoelhada ou prostrada ao chão, canta-se essa solene ladainha. A primeira parte contém a invocação de todos os santos e santas, sobretudo os religiosos(as). A segunda parte consta de uma série de invocações pela Igreja, por quem está se consagrando, por seus pais e sua família religiosa. A comunidade acompanha com as respostas e a intercessão orante.

Profissão dos Votos:

Por meio da “fórmula de profissão” (do verbo proferir, jurar publicamente) realiza-se a consagração definitiva da pessoa a Deus por meio dos votos. Cada família religiosa elabora a sua própria fórmula, de acordo com seu carisma e espiritualidade. É interessante notar a distinção entre a Profissão e a Ordenação. Nesta, a Igreja (por meio do Bispo e da Prece) insere o candidato na ordem ministerial. Naquela, ao contrário, é o próprio religioso(a) quem se consagra ao Senhor.

Bênção Solene:

O presidente da celebração eucarística, terminada a profissão dos votos, entoa a solene bênção sobre aqueles que se consagraram. Nesta prece, após a memória escriturística, invoca-se a ação de Deus para que conforme os consagrados a Cristo, dando-lhes as graças necessárias para a perseverança na missão.

Entrega das insígnias:

As insígnias da profissão são definidas pela família religiosa. Podem ser uma cruz, uma aliança (no caso das religiosas) ou outro símbolo. Elas são sinais visíveis e afetivos da consagração a Deus, e também da pertença à família religiosa.

Acolhida:

Por fim, os que fizeram sua profissão serão acolhidos pelos irmãos ou irmãs de sua família religiosa com um abraço fraterno. Manifesta-se o espírito familiar e de fraternidade daqueles que se reuniram para ter “tudo em comum” (At 2,44).

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