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07/08/2019 Elílio Júnior Edição 3915 O nosso tempo e a misericórdia
F/ Pixabay
"A Igreja, por sua vez, depositária dos ensinamentos de Jesus, dá especial ênfase à misericórdia."

 

Elílio Júnior

 

O nosso tempo, que alguns chamam de pós-moderno, está, de uma maneira geral, mais sensível às coisas do amor e do afeto, da dignidade do homem e da misericórdia, da empatia e do perdão. É claro, existem retrocessos também e muita maldade na prática dos homens, mas hoje não aceitamos, por exemplo, que um homem seja considerado escravo por natureza ou que uma mulher deva suportar calada os maus tratos do marido.

Na Antiguidade, valeu em muitos povos a “Lei do Talião”, que, com todo seu rigor, era já um dispositivo para reduzir a crueldade da vingança ou por fim à sua desproporção: “De quem te tirou um olho, tu deves tirar somente um olho, não mais”. Mas o Talião era frio, rigidamente justo.

Um ponto de inflexão é alcançado com a mensagem de Jesus, seja pelo seu conteúdo, seja pelo impacto que exerceu na história do Ocidente. Jesus pregava a superioridade da misericórdia e ordenou amar os inimigos. Os povos que a Igreja batizava nem sempre estavam à altura da nova moral. Mas as sociedades ocidentais foram pouco a pouco absorvendo o conteúdo ensinado pelo Nazareno.

Foi o Ocidente a reconhecer filosófica e legalmente a igual dignidade de todos os homens. Hoje, se os pensadores da moda não conseguem ver um fundamento inabalável para o sentido da vida, ao menos ninguém nega que todos os homens merecem respeito e amor. O respeito e o amor prevalecem sobre a teoria do fundamento. É o que Gianni Vattimo quis dizer quando inverteu o antigo ditado - “Platão é amigo, mas mais amiga é a verdade” - afirmando: “Platão é mais amigo do que a verdade”.

A Igreja, por sua vez, depositária dos ensinamentos de Jesus, dá especial ênfase à misericórdia. Ela sabe que não existiria uma misericórdia sem justiça, mas sabe também que a misericórdia é muito mais bela. Para a Igreja, o discurso sobre a dignidade, o amor e a misericórdia tem um fundamento no Deus que se fez pobre para nos enriquecer. Os cristãos que se recusam a reconhecer que nossos tempos estão dando um passo adiante neste quesito colocam-se fora da nova consciência que aflora na humanidade.

 

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