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16/05/2020 Robson Ribeiro De Oliveira Castro Edição 3924 O corona vírus e a ética da responsabilidade
F/ Pixabay
"Epidemias e pandemias tendem a despertar instintos brutais de sobrevivência em todos nós. Elas também podem provocar outras reações e comportamentos que contradizem a mensagem do Evangelho."

O corona vírus e a ética da responsabilidade

Robson Ribeiro De Oliveira Castro [robsonrcastro@yahoo.com.br]

 A cada dia temos mais informação que no dia anterior, somos “bombardeados” por todos os lados com inúmeros fatos e dados. Nossa vida se pauta em cogitar comprar ou não, viver de uma forma ou de outra e assumir uma posição econômico-social, ou não. Nesta perspectiva a ética da responsabilidade, temos apresentado pelo Filósofo Hans Jonas vem a calhar para nos elucidar diante de uma pandemia como a do Corona Vírus. Esta realidade que assolado nosso planeta é mais uma oportunidade para refletir sobre nossas propostas devida e nosso caminhar diante da necessidade de se impor.

As condições atuais, a modernidade e a tecnologia não nos deixa mais ficar isolados do mundo, mas podem nos transformar em uma ilha. Diante disso, o indivíduo deveria buscar o bem comum, o bem da natureza que a sua casa e cuidar dela com todo zelo possível. Diante deste cenário a própria religião se tornou um produto comercializado. Tudo que vem e advém dela tem seu preço, seja espiritual ou não, porém é muitas vezes apresentado como sendo algo economicamente aceito.

 É necessário mudar...

É mister observar a realidade dos seres humanos que não se preocupam com a Mãe Terra. Na Carta Encíclica Laudato Si’, nº 23, Francisco afirma que: “A humanidade é chamada a tomar consciência da necessidade de mudanças de estilos de vida, de produção e de consumo, para combater este aquecimento ou, pelo menos, as causas humanas que o produzem ou acentuam.” Devemos observar a condição de seres humanos como responsáveis pelo cuidado do planeta e não como usurpadores em busca apenas dos benefícios. Francisco, na mesma Carta convoca a um reconhecimento da fragilidade da natureza: “Se reconhecermos o valor e a fragilidade da natureza e, ao mesmo tempo, as capacidades que o Criador nos deu, isto permite-nos acabar hoje com o mito moderno do progresso material ilimitado.” Hans Jonas, por sua vez, nos apresenta um imperativo ético, que se firma na proposta de agir de forma que devemos nos preocupar em manter o ser humano no planeta. É imprescindível observar o caminho feito, com responsabilidade e zelo, diante da condição humana.

Massimo Faggioli, teólogo leigo e historiador da Igreja, em seu artigo “O coronavírus e a miopia (religiosa) em massa”, tem uma excelente percepção sore o que nos assola quando vivemos em realidade de pandemias: “Epidemias e pandemias tendem a despertar instintos brutais de sobrevivência em todos nós. Elas também podem provocar outras reações e comportamentos que contradizem a mensagem do Evangelho”.

 Agir com consciência

Diante desta realidade devemos nos apegar a realidade de seres humanos inteligentes e agir com consciência, não pensar somente em si, mas nos que mais precisam. Assim a ética da responsabilidade deve ser nossa meta, atento ao que o planeta nos convoca e nos dá a oportunidade de cuidar da mãe terra.

Na Itália, a cidade de Veneza, mediante a redução do número de turistas nos canais que cortam a cidade, voltaram a apresentar sinais de vida marinha, é possível enxergar peixes e o fundo dos canais, as águas se tornaram cristalinas depois que as ruas foram esvaziadas. Outro fato importante é a diminuição da emissão de gás carbônico, e outros gases. É possível estimar que haverá uma diminuição de um milhão de toneladas de gás carbônico por dia, devido a diminuição do fluxo de veículos nas cidades por conta da pandemia do “Corona Vírus”. Esses relatos clamam por uma reflexão sobre a realidade da vida e da condição humana. Além da proposta de uma reformulação nos padrões e na forma de agir para findar com a degradação abusiva da natureza e do meio ambiente.

Precisamos observar o que Hans Jonas nos apresenta como uma nova ética que compreenda, não somente as questões do desenvolvimento humano, mas que restrinja as ações prejudiciais em relação a Casa Comum.

Que em temo de pandemia e de grande descompasso social, possamos ter um novo olhar sobre a nossa realidade e abrir as portas do nosso coração para o compromisso com o outro.

 

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