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22/04/2019 Juan G. Bedoya Edição 3912 O calvário dos bispos na Venezuela chavista
Povo nas ruas na Venezuela
F/ Manaure Quintero Getty
"“Abra os olhos e não fique indiferente ao sofrimento e ao clamor do povo”."

Juan G. Bedoya

Em sua edição de 1º/02/2019, o jornal “El País” publicou matéria assinada por Juan G. Bedoya que fornece um trágico retrato da situação do episcopado católico na Venezuela nos últimos 20 anos.

Em 2002, o Arcebispo Baltazar Porras presidia a Conferência Episcopal Venezuelana e era objeto de ataques e zombarias por parte de Chávez. Chávez costumava expressar jocosamente suas críticas à Igreja, mas pediu socorro ao Arcebispo Porras para salvar sua vida em 2002. Segundo declarou o próprio cardeal, na madrugada de 12 de abril de 2002, durante o golpe de estado, o então presidente, decidido a deixar o país, pediu que o acompanhasse até a escada do avião.

Nomeado cardeal em 2016, pelo Papa Francisco, ele enfrenta hoje o presidente Nicolás Maduro. Embora seja de origem judaica sefardi, Maduro se declara cristão. Seu jogo político consiste em atacar os bispos para contrastá-los com sacerdotes que trabalham entre os pobres: “Nós somos os cristãos autênticos. Os bispos estão apunhalando a Cristo”. Por seu lado, os católicos mais conservadores estariam reclamando do Papa Francisco um posicionamento mais forte perante o chavismo.

Segundo o portal ACIPrensa (24/02/2019), o Cardeal Baltazar Porras criticou a violência no regime de Nicolás Maduro e rezou pelos mortos e feridos pela repressão do governo e de grupos paramilitares. “A violência é a arma dos desalmados”, disse ele.

O Bispo de San Cristóbal, Mons. Mario Moronta, dirigiu-se ao presidente Maduro para pedir-lhe que “abra os olhos e não fique indiferente ao sofrimento e ao clamor do povo”. “Escute o clamor do povo que quer não somente liberdade e democracia, mas ser considerado em sua dignidade.” Para o Vice-Presidente da CEV – Conferência Episcopal Venezuelana, “há vários anos o povo da Venezuela está pedindo uma mudança na orientação sociopolítica e mesmo econômica. A Igreja tem insistido em que o povo deve ser escutado. A direção política, social e econômica deve estar ao lado do povo”.

Reunidos em 9 de janeiro, em sua 111ª Assembleia Geral, os bispos da Venezuela afirmaram que “a pretensão de iniciar um novo período presidencial em 10 de janeiro de 2019 é ilegítima por sua origem, e abre uma porta para o não reconhecimento do Governo, porque carece de sustentação democrática na justiça e no direito”.

A carta do Papa Francisco a Nicolás Maduro confirmou a posição da Santa Sé sobre a crise venezuelana e, ao mesmo tempo, mostrou que Maduro está cada vez mais isolado. Mesmo sem romper os vínculos diplomáticos com a Venezuela, a diplomacia da Santa Sé sempre esteve ao lado dos bispos do país, apoiando seus esforços para restaurar a paz social, ajudar a população e pedir eleições novas e livres.

 

F/ Manaure Quintero Getty

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