Formação Leigos
17/11/2020 Dom Giovane Pereira de Melo Edição 3930 MENSAGEM PARA O “DIA NACIONAL DOS CRISTÃOS LEIGOS E LEIGAS”
F/ CNLB
"É preciso levantar a cabeça, a voz, não deixar morrer a profecia e a esperança colocando nossa confiança no Deus libertador que não deixa de socorrer o grito e o clamor do seu povo. "

 Conhecemos a vida e a prática de muitos cristãos leigos e leigas que foram e são testemunhas de profecia e de serviço à vida. São homens e mulheres “lúcidos” que a partir da sua experiência de fé, da fidelidade à Palavra de Deus, da sensibilidade às diversas realidades de injustiça e opressão tanto econômica quanto política “levantam a voz”, são testemunhas da profecia em favor da vida, no campo e na cidade. No contato com eles e elas, as pessoas que buscam vida, justiça e paz recebem alento e força. Nas suas ações podemos ver como a opção fundamental pela vida, a profecia, o serviço da justiça em favor dos pequenos e marginalizados vão se concretizando.

As situações marcam a vida, os sentimentos e as opções das pessoas. Esses profetas e profetizas são pessoas que assumiram o lugar social dos pobres. Conhecemos seus nomes, sua história, a causa que os moveu? É importante resgatar a memória desses homens e mulheres de Deus, eles e elas são irmãos (ãs) de fé, seu testemunho anima a caminhada da gente. São militantes fiéis e comprometidos com o Deus dos profetas de Israel, o Deus libertador dos empobrecidos, explorados e marginalizados.

Esses homens e mulheres, profetas e profetisas, testemunhas da vida, não surgiram por acaso, não estão fora da história. Eles viveram no tempo e no espaço, em determinados lugares e em determinadas épocas. Nasceram do chão sofrido e machucado dos “pequenos” da terra e da cidade, fortaleceram sua militância nas CEBs, no movimento popular, nas organizações sociais e nos partidos comprometidos com a causa popular; são homens e mulheres que apareceram nos momentos difíceis e mais críticos da história do nosso povo como foi o período da profecia na caminhada do Povo de Deus.

A profecia é contemporânea dos tempos duros, sofridos e de opressão como foi no período da monarquia em Israel (1050-587 a. C.) e nos tempos atuais. “A partir daí se pode dizer que os profetas e profetizas exigem ser lidos e interpretados em uma ótica política”. Como no passado, os profetas de hoje denunciam: as estruturas sociais injustas e idolátricas (profeta Oseías); a política que privilegia os grandes; a economia acumulativa, predatória, excludente e que “mata”; que explora o campesinato (profetas Miquéias, Amós) e o pequeno produtor em favor dos grandes produtores; a exploração dos empobrecidos, a pobreza dos que vivem nas periferias miseráveis da cidade, os sem pão, sem trabalho e sem teto (profeta Isaías). Essas testemunhas da profecia são homens e mulheres que efetuam uma análise das estruturas inadequadas e injustas. São porta voz das mulheres e homens, articulam as dores dos mais sofridos, fazem opção pelos empobrecidos e se preciso dão a vida na defesa da vida, do direito e da justiça para os pobres.

O testemunho desses irmãos e irmãs precisa iluminar nossa vida, nossas práticas, nossas lutas, a nossa militância hoje. Eles e elas são companheiros (as) de fé e de luta na construção de uma sociedade estruturalmente justa, fraterna e solidária.

O Brasil passa por um período difícil da sua história, uma “verdadeira tempestade” que precisamos atravessar. Essa situação exige das lideranças, instituições, organizações civis, muita lucidez, “diálogo nacional”, “unidade na pluralidade”, coragem profética e apresentação de propostas em vista de superarmos os grandes desafios, em favor da vida, principalmente dos grupos socialmente mais vulneráveis e excluídos da sociedade. É preciso levantar a cabeça, a voz, não deixar morrer a profecia e a esperança colocando nossa confiança no Deus libertador que não deixa de socorrer o grito e o clamor do seu povo.

Dom Giovane Pereira de Melo

Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato

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