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18/02/2020 Carlos Scheid Edição 3920 Marcados a ferro
F/ daigiwoorld.com
"Foi como se eu tivesse sido marcado a ferro. Ao meu professor eu devo boa parte do que sou..."

 

 

Ao longo da vida, nós convivemos com pessoas que deixam em nós impressões tão fortes, que o tempo jamais apagará. São marcas positivas que nos impulsionam a buscar um sentido para a vida, a encontrar nosso lugar da cidade dos homens. Infelizmente, também ocorrem cicatrizes doloridas quando as pessoas nos tratam mal, destilando desprezo e humilhações.

Entre aqueles que nos marcam mais profundamente, sem dúvida estão os professores, desde a normalista recém-formada que exala perfumes e simpatia, até o velho professor universitário que abre nossos olhos para os mistérios da ciência.

Em outubro passado, no dia do professor, as redes sociais forneceram comoventes testemunhos de alunos que manifestavam gratidão pelos mestres do passado. Não posso deixar de transcrever, em parte, um desses testemunhos:

“Em 1977, eu era um menino que só pensava em futebol. Filho de pais analfabetos, saí de uma escola católica e fui para outra. Eu estava dando início àquilo que se chamava ‘ginásio’.

Em minha primeira aula de Português, vi entrar um homem que, já pela sua aparência, despertou em mim curiosidade. Ele usava barba, camisas e calças pouco convencionais para a época. Nos pés, aquilo que chamávamos de ‘sandália franciscana’.

Pois eu digo a vocês: ali surgiu o melhor professor que tive em toda a minha vida. Esse homem me ensinou a gostar de música, me ensinou a gostar de ler, me ensinou a gostar de ir à aula. Ele tinha recursos que nunca vi um professor ter, principalmente porque estávamos em pleno regime militar e numa escola católica.

Nunca o esqueci. Foi como se eu tivesse sido marcado a ferro. Ao meu professor eu devo boa parte do que sou, porque depois que o conheci, eu passei boa parte da minha vida tentando ser ele. Obrigado, professor.”

*   *   *

Confissões deste tipo deveriam bastar para que os governantes acordassem de seu sono econômico e abrissem os olhos para a importância vital da educação na vida do povo. Por isso mesmo, deveriam valorizar os mestres, dando-lhes não só um salário digno, mas as condições de trabalho sem as quais um sistema escolar não pode atingir seus objetivos.

Nossas crianças e nossos jovens entram em sala de aula como argila moldável, suscetível às impressões causadas pelos professores. Dia a dia, as impressões digitais dos mestres vão-se desenhando na alma e nos corações dos alunos, deixando marcas que o tempo não saberá dissolver.

Você se lembra daquela professorinha que segurou a sua mão para desenhar o primeiro “A”? Lembra-se daquele professor de geografia que abriu o imenso mapa-múndi diante de seus olhos deslumbrados? Lembra-se daquele professor de biologia que fez você entender a origem secreta de seus olhos azuis?

É claro que você se lembra... Você também foi marcado a fogo...

 

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