Formação Juventude
08/06/2019 Ir. Dione Afonso, SDN Edição 3911 Jovens na Via-Sacra
F/JMJPanamá
"A Via-Sacra de Jesus prolonga-se hoje na vida de tantos jovens, homens e mulheres que, afogados numa espiral de morte..."

Frt. Dione Afonso, SDN

dafonsohp@outlook.com

 

 

Aproxima-se a nossa peregrinação, nossa subida ao Calvário, assumindo, com Jesus, as dores e sofrimentos de tantos irmãos e irmãs que hoje, vivem sua Via-Crúcis no dia a dia de suas vidas. A Via-Sacra de Jesus prolonga-se hoje na vida de tantos jovens, homens e mulheres que, afogados numa espiral de morte são arrastados pelo álcool, pelas drogas, suicídios, prostituição, exploração, e pelo tráfico humano.

 

Mãe, “eis aí o teu Filho” [Jo 19,26]

A Via-Crúcis com os jovens é um dos pontos altos da celebração na Jornada Mundial da Juventude. Na edição deste ano, o papa Francisco pronuncia a todos nós palavras firmes cobrando atitudes mais concretas e condizentes com o Evangelho que anunciamos. Atitudes que revelam nosso compromisso com nossa missão batismal e compromisso com tantos jovens que sobem sua Via-Crúcis, todos os dias e vivem um Calvário, por falta de emprego, falta de qualidade de vida, falta de oportunidades para estudar, falta de formação profissional para um trabalho digno e honesto.

Nas palavras do papa Francisco, a “Via-Crúcis de Jesus prolonga-se no grito sufocado das crianças impedidas de nascer e de tantas outras a quem se nega o direito de ter uma infância, uma família, uma instrução; nas crianças que não podem jogar, cantar, sonhar; prolonga-se nos jovens com rostos franzidos que perderam a capacidade de sonhar, criar e inventar o amanhã e ‘passam à aposentação’ com o dissabor da resignação e do conformismo, uma das drogas mais consumidas no nosso tempo; prolonga-se na dor escondida e indignada de quantos, em vez de solidariedade por parte duma sociedade repleta de abundância, encontram rejeição, sofrimento e miséria, e além disso acabam assinalados e tratados como portadores e responsáveis de todo o mal social”.

Assumir o compromisso de caminhar com Jesus significa que nós estamos dispostos a estar não somente junto d’Ele, mas estamos nos comprometendo com cada chão que Ele pisa. O papa nos alerta que caminhar com Jesus é uma grande alegria para cada um de nós, pois estando próximo d’Ele poderemos penetrar em seu coração e conhecer o seu íntimo, porém, caminhar com Jesus “é um grande risco, porque, em Jesus, as suas palavras, os seus gestos, as suas ações contrastam com o espírito do mundo, a ambição humana, as propostas duma cultura do descarte e da falta de amor”.

 

Filho, “eis aí a tua Mãe” [Jo 19,27]

Mesmo diante de tantos sinais de morte entre nossos irmãos, na subida para o Calvário ainda encontramos com cristãos que se comprometem a participar com fé firme e corajosa e não cruzam os braços diante da dor e do sofrimento de nossos jovens. Este sinal vemos na pessoa de Maria que soube acolher as dores do Filho. Com Maria aprendemos a dar hospedagem pra quem perdeu seu lar; com Maria queremos ser aquela Igreja que promova a cultura do encontro, e que possa acolher, proteger, promover e integrar tantos jovens que perderam suas raízes e o caminho da vida.

Como Maria que esteve com seu Filho até o final, nos comprometemos a devolver a esperança da vida àqueles que vivem uma eterna Via-Crucis. “Temos a coragem de permanecer ao pé da cruz, como Maria? – nos questiona o papa – Contemplemos Maria, mulher forte. D’Ela, queremos aprender a ficar de pé junto da cruz. [...] Ela soube acompanhar o sofrimento de seu Filho, vosso Filho, ó Pai, apoiá-Lo com o olhar e protegê-Lo com o coração. Que dor sofreu! Mas não A abateu. Foi a mulher forte do ‘sim’, que apoia e acompanha, protege e abraça. É a grande guardiã da esperança”.

Filho, “eis aí a tua Mãe”. A esperança da ressurreição é o raiar de um novo dia, um novo tempo que tantos jovens clamam a nós. E o papa conclui dirigindo a Deus uma prece, contando com o nosso apoio e coragem na missão de acompanhar os jovens de nossa sociedade: “Pai, – e o papa olha para o céu – também nós queremos ser uma Igreja que apoia e acompanha, que sabe dizer: estou aqui, na vida e nas cruzes de tantos cristos que caminham ao nosso lado”.

 

Os Jovens na CF-2019

A Campanha da Fraternidade 2019 cobra de nós maior participação e presença cristã ativa junto aos órgãos da sociedade lutando por Políticas Públicas garantindo o Bem Comum como bem de todos. Políticas Públicas que sejam capazes de gerar fraternidade, dignidade humana e solidariedade. Nossos jovens gritam por Políticas Públicas que proporcionem a eles caminhos de vida plena, como o incentivo ao esporte, lazer, educação de qualidade, oportunidade de trabalho digno e cultura. Tudo isso revela entre nós Sinais do Reino de Deus.

O Texto-Base da CF-2019 destaca em alguns números a importância do protagonismo dos jovens na elaboração e realização das Políticas Públicas. Pede dos jovens “maior estímulo e apoio na participação das Políticas Públicas. Formação e conhecimento aos setores juvenis da sociedade para que eles possam se aproximar das ações que favoreçam sua participação nesses campos”. O Texto-Base ainda nos pede “um maior apoio aos setores juvenis para que as Políticas Públicas possam fornecer a eles maior engajamento e apoio ao ensino superior e ao primeiro emprego no mercado de trabalho” [TB, 2019, nº. 97-98].

 

Para rezar e discutir em grupo:

  1. Nossa prática celebrativa tem nos ajudado a identificar esses cristos na vida de tantos jovens que ainda hoje sobem sua Via-Crúcis e são crucificados pela falta de Políticas Públicas? Quais serão nossas ações concretas para mudar essa situação?
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