Formação Juventude
01/12/2018 Frt. Dione Afonso, SDN Edição Jovens da Amazônia, muito obrigado! JUVENTUDE [A presença da Pastoral da Juventude na Amazônia é um fenômeno que chama a atenção...
"Por isso, faço minhas, as palavras de Francisco: 'os jovens chamam-nos a despertar e a aumentar a esperança, porque trazem consigo as novas tendências da humanidade e abrem-nos ao futuro, de modo que não fiquemos encalhados na nostalgia de estruturas e costumes que já não são fonte de vida no mundo atual' [EG, 108]."

JOVENS DA AMAZÔNIA, MUITO OBRIGADO!

“Havia encontrado a garotada daqui [da Amazônia] no maior abandono... Reuni uns quinze meninos e iniciei com eles um trabalho de difusão do bem” – Macapá, 1913.

[Pe. Júlio Maria De Lombaerde, MSF].

                                                                                                            

Vivi na Amazônia por exatamente 10 meses, enviado pelos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora. Para encerrar as nossas reflexões aqui na Revista O Lutador desse ano, optei em relatar e também agradecer por esse tempo em que, unido às causas das juventudes desse lugar, aprendi que ser jovem não tem muito haver com idade e cultura, mas, sim, com dignidade e humanidade.

Ainda hoje o clamor dos povos da Amazônia se faz ouvir e a Igreja, “ouve o clamor e desce buscando a libertação” [cf. Ex 3,7] para a Amazônia com sua ação solidária e de evangelização. A devastação da Amazônia representa uma ameaça e uma perda para toda a humanidade, por isso, precisa despertar-nos para conhecer, apreciar e respeitar a vida que a Amazônia guarda: seus povos, sua biodiversidade, sua beleza. Criar uma relação de harmonia para que acolha, respeite e cuide, todos juntos com toda a Criação, “lutando, com firmeza, contra todas as formas de morte, em defesa da vida, sobretudo a dos mais fracos”.

 

Uma questão de dignidade e humanidade

A Igreja da Amazônia sempre contou com a presença de missionários e missionárias que dão suas vidas em prol do anúncio de Jesus Cristo e de seu Evangelho entre os povos que aqui vivem. Numa caminhada muito em comum com a Igreja toda reunida, percebe-se que os desafios e as angústias são comuns: o que a realidade amazônica oferece com maior preocupação é a diversidade de cultura entre os povos – indígenas, ribeirinhos, grandes centros urbanos, aldeias totalmente isoladas, presença forte de igrejas neo-pentecostais, grande presença de jovens inseridos nos movimentos eclesiais –, mas, não são realidades que não encontramos em outros locais de evangelização que já estivemos presente.

A presença da Pastoral da Juventude na Amazônia é um fenômeno que chama a atenção de 98% dos missionários. A diversidade juvenil amazonense abre um horizonte desafiador para a nossa ação evangelizadora e, a Igreja na Amazônia através de seus bispos e missionários coloca em 1974 a juventude como uma das Linhas Prioritárias da Pastoral na Amazônia.

Para esclarecer e ter-se uma informação do campo de missão que temos na Amazônia, dados do censo afirma que: 61,5% da população da Amazônia é infanto-juvenil [de 0 a 29 anos]; 29,1% desse total estão entre 15 a 29 anos; 27% da população juvenil da Amazônia vive no campo, enquanto a média brasileira é de 16%. Segundo os recentes dados do IPEA, publicados no livro Juventude e Políticas Sociais no Brasil, na Região Norte, 13,2% das jovens entre 15 e 19 anos já têm filhos, sendo que 44,4% delas estão na faixa de renda de até meio salário mínimo. Uma em cada dez meninas de 10 a 19 anos tem pelo menos um filho. 64,61% dessas só possuem, no máximo, sete anos de escolaridade. Em 2008, foram 42.614 novas jovens mães. Das moças entre 10 e 17 anos com filhos, 75% não estudam e 57% delas nem trabalham. Com relação aos jovens indígenas, 38% dos 750 mil índios brasileiros vivem em situação de extrema pobreza, o que afeta pesadamente os jovens das aldeias.

Os jovens da Amazônia

 “Os jovens arregaçam as mangas, põem as mãos na massa e a fazem crescer com a levedura de seu suor. Entendem que se imita demais e que a salvação é criar. Criar é a palavra-chave desta geração. O vinho é de banana, e se sair ácido, é o nosso vinho!” [MARTÍ, 1983].

Encontrei aqui jovens alegres, sorridentes, rostos carregados de expressões culturais e de muita fé. Os jovens da Amazônia levam consigo uma representatividade extraordinária, uma força de vontade que nos enriquece e nos motiva a ir junto com eles, pra luta, pra comunidade, e com garra. Tentamos traçar um possível retrato da população jovem da região amazônica. E, nesse meio juvenil é triste percebermos como que a realidade do desemprego maltrata e desfigura o rosto humano. Coloca os jovens numa condição deplorável, tira deles a dignidade, a vida, a esperança.

Em outubro, quando celebramos o DNJ aqui na Arquidiocese de Manaus, o Pe. Cândido, na homilia lembrava que, “é inquestionável a força que vocês têm. Muitos de vocês jovens que estão reunidos aqui hoje sofre pela falta de oportunidades, falta de emprego, vivem fazendo um bico aqui e outro ali, afim de conseguir pelo menos uma pequena chance de ser independente. Sonham com um futuro melhor, sofrem abusos nas ruas, prostituem-se no desespero da falta de comida na mesa, transformam-se pelo tráfico de drogas por acreditarem ser a única porta que vos abre, e, infelizmente, talvez seja. Mas, mesmo assim, em meio a toda essa realidade que vocês vivem todos os dias, vocês estão aqui! Rezando, caminhando, lutando por seus direitos, gritando as dores que sentem, reivindicando políticas públicas pra vocês, porque vocês ainda acreditam que um futuro melhor há de chegar. Eu me enriqueço ao ver e sentir a garra e a fé de cada um de cada uma de vós que está aqui. Obrigado!”.

Muito obrigado!

Na Amazônia, vivi de perto essas realidades, senti, sofri, sorri, chorei, celebrei junto a uma Igreja jovem, amazônica, cristã e cheia de fé. O sínodo que celebramos há pouco mais de um mês nos pediu uma “fé jovem”. “Os jovens não devem ser tratados como objetos, mas como sujeitos da proclamação do Evangelho”, lembraram os bispos reunidos em Roma. A presença jovem na igreja da Amazônia é uma esperança para todos nós. Vemos neles a esperança de salvação de nossa Casa Comum.

Por isso, faço minhas, as palavras de Francisco: “Os jovens chamam-nos a despertar e a aumentar a esperança, porque trazem consigo as novas tendências da humanidade e abrem-nos ao futuro, de modo que não fiquemos encalhados na nostalgia de estruturas e costumes que já não são fonte de vida no mundo atual [EG, 108].

Papa Francisco nos apresenta uma igreja de “coração aberto para os jovens”. Talvez esse seja o caminho. Viver com os jovens com o coração aberto, com olhos de amor e de misericórdia, viver com eles, aprender com eles. “Que a Igreja e as pessoas de boa vontade se comprometam com a juventude como agente de uma nova evangelização e como força transformadora da Igreja e da sociedade”. A juventude caminha e é caminho, e eu, aprendi a caminhas com eles. Obrigado Amazônia, obrigado juventude linda, obrigado Manaus!

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