Formação Juventude
08/06/2019 Ir. Dione Afonso, SDN Edição 3910 Jornada Mundial da Juventude: Jovens Discípulos a Caminho
F/JMJPanamá
"A JMJ revela para nós um grande testemunho de fé, movida pelo calor da juventude e pelas cores e ritmos de vossas culturas, ela renova a alegria e a esperança da Igreja"

Frt. Dione Afonso, SDN

dafonsohp@outlook.com

 

 

A 34ª edição da Jornada Mundial da Juventude foi sediada no Panamá entre os dias 22 a 27 de janeiro de 2019. “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a Tua Palavra” [Lc 1,38] teve como inspiração para este encontro de fé com os jovens de toda a Igreja. Na figura de Maria, o sucessor de Pedro convida os jovens a se colocarem a caminho e a enxergar no “Sim” de Maria, o chamado renovado a os impulsionar e a testemunhar Cristo em suas comunidades. A JMJ revela para nós um grande testemunho de fé, “movida pelo calor da juventude e pelas cores e ritmos de vossas culturas, ela renova a alegria e a esperança da Igreja” [Papa Francisco].

 

O discípulo é aquele que caminha

O discurso inaugural do papa Francisco desperta nos jovens dois movimentos essenciais para a caminhada enquanto sujeitos na Igreja e na sociedade. O primeiro movimento é o discipulado. Para descobrir a novidade da juventude na Igreja é preciso saber caminhar juntos. Não caminhar por caminhar. Sair do vosso país para estar juntos por estar. Isso não é ser jovem. É preciso caminhar com objetivo. O escritor anglicano britânico Charles Lutwidge Dodgson [1832-1898], conhecido pelo pseudônimo Lewis Carrol em sua renomada obra “Alice in Wonderland” deixa bem claro que o caminho só nos é claro e concreto se tivermos um objetivo, “se você não sabe quem é, nem para onde vai Alice, qualquer caminho serve” [L. C., 1865].

O discípulo é aquele que não tem medo de se arriscar e pôr-se a caminho. “Se alguém se põe a caminhar, já é um discípulo. Se ficas parado, é um perdedor. Começar a caminhar é a maior alegria do discípulo. Vós, jovens, não tendes medo de arriscar-se e caminhar”. Papa Francisco chama a atenção para um discipulado com visão missionária. Esse primeiro movimento convida os jovens a se pôr a caminho, a se tornar discípulos de Jesus, e, caminhando com Ele, eles não se igualam ao caminho da Alice que, perdida, não sabe onde quer chegar, mas, “sabendo caminhar escutando e escutar completando-se uns aos outros, sabendo testemunhar anunciando o Senhor no serviço aos nossos irmãos” vossa caminhada se converterá numa pastoral concreta a serviço do Reino.

 

Mestres e artesãos da Cultura do Encontro

Encontrar-se não é fazer mímica, todos fazendo a mesma coisa, isso quem faz são os papagaios. Assim, vemos o segundo movimento da caminhada do jovem discípulo. Vós, jovens, são os mestres e os artesãos da cultura do encontro: “A cultura do encontro é aquela que nos faz caminhar juntos com as nossas diferenças, mas com amor, todos unidos no mesmo caminho [...] Entrar na cultura do encontro é apelo e convite a termos a coragem de manter vivo e em conjunto um sonho comum. Entre nós, há tantas diferenças, falamos línguas diferentes. Todos nos vestimos de forma diferente, mas, por favor, procuremos ter um sonho em comum. Isto, podemos fazê-lo. E isto não nos aniquila, mas enriquece. Um sonho grande, um sonho capaz de envolver a todos  [...] Um sonho concreto, que é uma Pessoa, que corre nas nossas veias [...]”.

Quem caminha, não caminha só. E para caminhar juntos, é preciso sonhar juntos. Lutar juntos, rezar juntos. “A cultura do encontro é aquela que nos faz caminhar juntos com as nossas diferenças, mas com amor, todos unidos no mesmo caminho”. Voltando à ficção de Wonderland, Alice só atinge seu objetivo quando aceita se encontrar consigo mesma e com aqueles que, estranhos e diferentes se unem para caminhar juntos e vencem no final.

 

O legado da JMJ

É interessante observar nos discursos do papa durante a Jornada Mundial da Juventude que ele chama a atenção de toda a Igreja afirmando que a JMJ não se reduz a esse momento de grande encontro mundial. Na verdade, diz ele “a JMJ só acontece porque vocês a dão vida lá nas suas comunidades. Lá é onde vocês mostram quem realmente são, com vossos trabalhos missionários e com vossas dores e dificuldades”. O que deve ficar também não pode morrer aqui com a missa de envio. O próprio nome já afirma, é envio, é um ide, é um “fazer em mim a Palavra do Senhor” acontecer.

Jovens com os vossos rostos radiantes de esperança e fortalecidos na fé. Com as vossas orações e o desejo de uma Igreja mais discípula e caminhante. Com o coração transformado, “onde cada um retornará para vossas casas, paróquias, e pequenas comunidades carregando uma força nova que gera o desejo do encontro verdadeiro e sincero com o Senhor, cheios do espírito Santo para lembrar e manter vivo aquele sonho que nos faz irmãos e que somos convidados a não deixar que o coração congele diante dos desafios do mundo” [papa Francisco].

A Jornada Mundial da Juventude deve formar nossos jovens como discípulos missionários caminhantes. Jovens sujeitos de uma nova sociedade. Jovens protagonistas da evangelização. Jovens de coração aberto e acolhedor, ensinando-nos a verdadeira cultura do encontro. Jovens que se inspirem em Maria e não deixem que o coração esfrie diante dos grandes desafios que nosso mundo nos impõe. E que possam dizer sim. Um sim que esquenta, que faça renovar o compromisso com cada comunidade onde moram.

 

Para rezar e discutir em grupo:

  1. Partindo da leitura de Lucas 1, 26-38, como as atitudes de Maria nos ilumina nos dois movimentos: “discípulo que caminha” e “caminhar para encontrar”?
  2. O papa nos chama de “artesãos da cultura do encontro”. Vamos tecer em nossa comunidade encontros entre nossos irmãos? Como podemos fazer? Sugestões.
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