Roteiros Pastorais Homilética
20/12/2019 Dom Emanuel Messias de Oliveira Edição 3917 Imaculada Conceição de Nossa Senhora – 08/12/2019 Festa
F/ Patheos
"O anjo saúda Maria, convidando-a a alegrar-se, pois o Senhor está com ela, repleta dos favores de Deus. "

Leituras: Gn 3,9-15.20; Ef 1,3-14; Lc 1,26-38

 A serpente vencida. O texto retrata uma época de opressão semelhante à sofrida pelo povo hebreu no Egito, sob o jugo do Faraó, como também a opressão babilônica. É o tempo de Salomão. As histórias da árvore, do paraíso e da serpente são uma pesada crítica à absolutização do poder, do ter e do saber. Poder, ter e saber, quando absolutizados, se tornam ídolos geradores de morte.

Tudo isso é culpa da serpente. Por quê? Porque ela simboliza a autossuficiência humana. O homem autossuficiente acha que não precisa dos outros nem de Deus. Ele se basta a si mesmo, ocupa assim o lugar de Deus. No auge do seu orgulho, despojado de toda a graça de Deus, o homem percebe que está nu, por isso se esconde envergonhado e amedrontado. Sua autossuficiência estraga seu relacionamento com Deus e com o seu semelhante. Ignora a obediência e o serviço (vv. 10-11), por isso o homem acusa a mulher. A autossuficiência conduz à irresponsabilidade.

Depois da maldição da autossuficiência e do orgulho, fonte de todo pecado, aparece no v. 15 o que os estudiosos chamam de protoevangelho: uma espécie de anúncio evangélico antecipado no Primeiro Testamento. Depois que o texto diz que Deus põe inimizade entre a “serpente” (=autossuficiência humana) e a mulher (criada à imagem e semelhança de Deus), vem esta linda frase para corrigir tudo o que houve de errado no mundo: “Esta (a descendência da mulher, isto é, Jesus) te ferirá a cabeça e tu (“a serpente” = autossuficiência humana) lhe ferirás o calcanhar”.

Jesus, com seu mistério da encarnação, paixão, morte e ressurreição, vence a serpente, a autossuficiência humana e restaura com sua graça a dignidade humana perdida – sua imagem e semelhança com Deus, dando-lhe nova chance de habitar o paraíso perdido. É a Boa Nova do Reino.

 A adoção filial. Paulo começa bendizendo ao Pai, que em Cristo nos cumulou com toda espécie de bênçãos; é um hino de louvor, composto de seis bênçãos, se o prolongarmos até o versículo 14. Em síntese, o Pai nos abençoou em Cristo com a eleição (v. 4), a predestinação (vv. 8-10), a redenção (v. 17), a recapitulação (vv. 8-10), a herança (vv.11-12) e o Espírito Santo (vv. 13-14).

Deus nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e sem defeitos no amor. “Santos e sem defeitos” é referência aos sacrifícios judaicos, cujas vítimas não podiam ter manchas ou defeitos. Fomos destinados a ser “filhos adotivos”. O Filho é sempre da mesma natureza do Pai. Assim é Jesus. Mas nós não somos da mesma natureza de Deus. Deus é divino, nós somos humanos; entretanto, Deus nos adotou como filhos em Jesus Cristo, por isso somos filhos adotivos. A finalidade é o “louvor e a glória da própria gratuidade da ação divina”.

 O mistério revelado. O pequeno grande-anúncio evangélico de Gn 3,15 (1a leitura) vai ser agora plenamente revelado em Jesus Cristo. Também o mistério das bênçãos amorosas do Pai, lembradas na Segunda Leitura, tem início com o “sim” da Imaculada Virgem Maria, como resposta ao anúncio do anjo Gabriel. Em Jesus, o Filho da Virgem Imaculada, o povo vai ver realizadas suas esperanças. As bênçãos aconteceram e o Mistério do Reino foi revelado sobre nós.

O anjo saúda Maria, convidando-a a alegrar-se, pois o Senhor está com ela, repleta dos favores de Deus. A alegria dos tempos messiânicos já começa a aparecer. O Messias, o continuador da dinastia de Davi, nascerá do seio de Maria, e seu reino não terá fim. As profecias referentes ao Messias vão-se realizando. No caso, a profecia de Natã (cf. 2Sm 7,1-5.8b-12.19a.25-26).

Maria pergunta como isso vai acontecer e o anjo responde que é pelo poder do Espírito Santo que ela conceberá. Maria não entende nada do que está acontecendo, mas acolhe com o coração aberto o mistério do amor de Deus. Deus mostra a independência e a liberdade do seu agir na história. José não tomará parte na gravidez de Maria, mas assegurará legalmente a filiação davídica de Jesus, pois ele é descendente de Davi. Jesus é assim filho de Deus e filho de Maria. Não tem pai humano, apenas mãe. Para mostrar que para Deus nada é impossível, o anjo revela a gravidez de Isabel, que era estéril e já estava no sexto mês.

O sim de Maria significa crer; crer significa confiar apesar da obscuridade. Maria se coloca como a serva. Serva com toda liberdade. Serva, aqui, não significa escrava, pois Deus não quer escravos, mas livres. No Sim de Maria, nós a vemos como modelo para todos os que creem, inteiramente a serviço da Palavra de Deus que anuncia tempos novos e gera uma sociedade nova. Maria está a serviço de Jesus, Palavra que se fez carne. Mais tarde, Maria vai nos revelar os segredos do Reino: “Fazei tudo o que ele vos disser!” (Jo 2,5.)

 

Leituras da semana

dia 9: Is 35,1-10; Sl 84[85],9ab-10.11-12.13-14; Lc 5,17-26

dia 10: Is 40,1-11; Sl 95[96],1-2.3 e 10ac.11-12.13; Mt 18,12-14

dia 11: Is 40,25-31; Sl 102[103],1-2.3-4.8.10; Mt 11,28-30

dia 12: Gl 4,4-7; Sl 95[96],1-2a.2b-3.10; Lc 1,39-47

dia 13: Is 48,17-19; Sl 1,1-2.3.4 e 6; Mt 11,16-19

dia 14: Eclo 48,1-4.9-11; Sl 79[80],2ac e 3b.15-16.18-19; Mt 17,10-13

 

 

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