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18/02/2021 Pe. Marcelo Ribeiro da Silva Edição 3933 Haters Catolicos Reacionários
F/ Pixabay
"O trabalho desses Haters, em última instância, coloca-se em contradição com valores da Igreja pós-conciliar, é uma escolha que os situa em distanciamento cada vez mais visível da sã tradição da Igreja. Com efeito, não precisamos nos enveredar pelos mesmos caminhos, há como ser católico com o magistério da Igreja, há como defender a vida, a família e nação sob à luz do Concílio Vaticano II."

 Pe. Marcelo Ribeiro da Silva

 

A comunhão de fé e vida entre os católicos encontra-se sob o ataque de internautas especializados em descontextualizar discursos, manipular a doutrina e criticar lideranças católicas. O dito interesse em defender a integridade da fé católica se mistura com o desejo de disseminar uma interpretação reacionária do mundo. Eles são “Haters” e podem estar utilizando-se de sua boa-fé e do seu amor à Igreja para cultivar um clima de desconfiança e medo.

Os “Haters” são influenciadores digitais, trabalham com a produção de vídeos e textos nas plataformas do Youtube, Facebook, Instagram. Suas palestras, discursos e cursos costumam falar meias verdades, amam repetir em suas falas palavras universais e inspiradoras como vida, família, santidade e doutrina, vivem descobrindo antagonistas e inimigos que estão a conduzir os católicos ao erro doutrinal e a perda da fé, escolhem como inimigos, sobretudo, lideranças que dificilmente iremos encontrar pessoalmente para podermos formar uma opinião real sobre elas, associam essas mesmas lideranças a uma grande conspiração comunista e, por consequência, diabólica.

Gostam dos papas do passado, não sabemos se há real admiração pela pessoa dos papas ou por aquilo que pode ser usado para justificar seus projetos reacionários. Não costumam citar o papa João XXIII, Paulo VI e rejeitam o magistério atual do Papa Francisco. Citam concílios e declarações dogmáticas de séculos passados, mas costumam ignorar as declarações também dogmáticas do Concílio Vaticano II.

Bem, aqui está o nó da questão: há no catolicismo uma diversidade aceita e valorizada, ela é dom do Espírito Santo e fruto das experiências diversas entre as pessoas, mas todas essas expressões perseveram católicas aceitando na fé o magistério universal e ordinário dos bispos, no caso, o grande magistério vivido e interpretado do Concílio Vaticano II. Ele é um magistério que costura com sabedoria a vida do homem contemporâneo com a tradição, um magistério que apresenta a Igreja como “Sinal de Salvação”, mas também como “Povo de Deus”, que valoriza o ecumenismo e o diálogo entre as religiões, que apoia o apostolado leigo, os meios de comunicação social, e que reposiciona a Sagrada Escritura e a Liturgia como fontes da vida cristã.

O trabalho desses Haters, em última instância, coloca-se em contradição com valores da Igreja pós-conciliar, é uma escolha que os situa em distanciamento cada vez mais visível da sã tradição da Igreja. Com efeito, não precisamos nos enveredar pelos mesmos caminhos, há como ser católico com o magistério da Igreja, há como defender a vida, a família e nação sob à luz do Concílio Vaticano II, há como ser católico com sensibilidade social sem ser comunista. Só não há como ser Católico Apostólico Romano sem o Concílio Vaticano II.

Reitor do Seminário São Cura D’Ars - Padre da Diocese de Toledo/PR

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