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10/04/2021 Pe. Nelito Dornelas Edição 3935 Há algo de podre no reino da Dinamarca
F/ Pixabay
"Hamlet planeja matar o rei, mas no caminho flagra o rei Claudius rezando sozinho. Neste momento, desiste de sua vingança, por medo de que o rei vá direto para o céu por morrer durante a reza..."

Pe. Nelito Dornelas

Assim começa o drama Hamlet de Wiliam Shakespeare: ¨há algo de podre no reino da Dinamarca¨. É o drama existencial do jovem príncipe Hamlet que se encontra em um beco sem saída. Seu pai foi assassinado e os guardas do castelo informam-lhe que o fantasma de seu pai estaria rondando o local durante a noite, procurando falar com o filho. Hamlet vai encontrar-se com o espectro, e houve de sua boca uma revelação terrível: o novo rei Claudius, tio de Hamlet, havia matado o irmão e casado com a cunhada Gertrude, a rainha da Dinamarca e mãe de Hamlet.

O príncipe assume o comportamento de louco para despistar seus inimigos, passando a impressão de ser inofensivo ao novo rei e planeja vingar a morte do pai. Hamlet permanece inseguro, querendo saber se o fantasma é realmente seu pai e que lhe tenha contado a verdade, então ele arma um teste para descobrir se Claudius realmente matou o rei para assumir o trono. Ele chama uma trupe de atores para apresentar uma peça no castelo: um usurpador que envenena seu irmão e casa-se com sua cunhada. Quando apresentam a cena do assassinato, o rei revolta-se e deixa a sala, o que para Hamlet é a prova de sua culpa.

Hamlet planeja matar o rei, mas no caminho flagra o rei Claudius rezando sozinho. Neste momento, desiste de sua vingança, por medo de que o rei vá direto para o céu por morrer durante a reza.

O drama vai se evoluindo e envolvendo muitos personagens e situações existenciais duríssimas que requer muita habilidade para encará-las. Como é uma tragédia de vingança, ela respeita todas as suas características. A vingança é a principal ação da peça, é provocada, hesitada, planejada, executada; é a causa  da catástrofe, pois não aparece depois da crise, mas é parte dela; aparecem os fantasmas exigindo vingança; há elementos  de  loucura  real  ou  fingida  e a  contra intriga  do antagonista é forte, bem armada e recebe considerável ênfase.

A tragédia de Hamlet é o drama da humanidade. Ele é um herói que tem responsabilidade sobre seus atos, mas o erro trágico que o faz cair é seu orgulho excessivo. Em Hamlet encontram-se as contradições humanas de assassinato, traição, vingança, luta pelo poder, ódio e amor.

Toda essa tragédia é desenvolvida a partir da tomada de consciência da podridão que simboliza toda a corrupção no reino da Dinamarca. Hamlet sentencia: “sim, senhor. Ser honrado, de acordo com os tempos que correm, equivale a ser escolhido um dentre dez mil, pois a honra está manchada pela corrupção”.

As imagens em Hamlet são emblemáticas e ajudam a criar a atmosfera deprimente e a reação de repulsa ao ambiente. O clima é de um frio cortante, de escuridão, depressão e de cheiro de podridão. Na escuridão da meia noite é que aparecem os fantasmas. Nietzsche afirma que “é o verdadeiro conhecimento, a visão da verdade, que aniquila todo ímpeto, todo motivo para agir, em Hamlet”. O homem na peça aparece universalizado e está no centro do palco, que se agita na tentativa de sobrevivência, de permanência da sua humanidade. Uma humanidade que tenta deixá-lo, pois ele carrega o peso do mundo, o peso da vingança em suas costas. Constatamos isso em várias passagens da peça.

No decorrer da peça Hamlet vai refletindo sobre a vida e as condições reais do ser humano sem nenhum pudor. Assume a consciência de que somos pó e chega a expressar-se assim: “aqui estou eu com os pés na lama, o olhar nas estrelas, um punhal na mão, mas o resto é tudo silêncio”.

As dúvidas de Hamlet podem ser as nossas dúvidas, o “ser ou não ser” pode estar relacionado às decisões que temos que tomar no decorrer de nossas próprias vidas.

Revisitemos Hamlet para com os olhos no evangelho superarmos a podridão existente para além do reino da Dinamarca.

O caminho é este: usemos o punhal da Palavra de Deus, esta espada cortante e julgadora, lida e refletida nos grupos de reflexão, formando comunidades eclesiais de base autênticas capazes de limpar a podridão que exala da corte.

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