Roteiros Pastorais Homilética
03/07/2020 Antônio Carlos Santini Edição 3925 Festa de Nossa Senhora do Carmo – 16/07/2020
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"Tua mãe e teus irmãos estão aí... (Mt 12,47) "

Festa de Nossa Senhora do Carmo – 16/07/2020

Leituras: Zc 2,14-17; (Sl) Lc 1,46-47.48-49.50-51.52-53.54-55; Mt 12,46-50

 A Filha de Sião. Na memória litúrgica de Nossa Senhora do Carmo, incluída no calendário romano desde 1726, a primeira leitura, extraída do livro do profeta Zacarias, é encerrada com um misterioso versículo: “Cale-se todo mortal diante do Senhor, porque ele despertou e sai de sua santa morada”. Alguns estudiosos entendem que se trata de uma provável fórmula litúrgica muito antiga, usada logo antes da proclamação da palavra de Deus.

Qual é a morada do Senhor? Por nove meses de sua gestação, o Senhor – o Verbo encarnado - “morou” no seio puríssimo da Virgem Mãe. Daí a escolha desta passagem em uma celebração de cunho mariano. Maria é a Filha de Sião - título antes aplicado a Jerusalém, a cidade santa onde habitava o Senhor. Ela é agora convidada a alegrar-se e exultar devido à presença do Verbo - palavra do Senhor - que nela vem habitar.

A Mãe de Deus sempre foi considerada pela Igreja como modelo e meta para o cristão que aspira pela experiência de Deus. Afinal, toda a vida de Maria foi orientada para um desígnio divino, ao qual ela aderiu de modo incondicional. O júbilo e a alegria são a consequência dessa identificação com a proposta de cooperar para a encarnação do Verbo.

 Minha alma engrandece o Senhor. A Igreja escolheu como salmo responsorial para esta memória mariana o Cântico do Magnificat. Neste refinado poema, todo tecido de alusões veterotestamentárias, Maria confessa sua humildade como serva / escrava do Senhor. Todos os seus privilégios, ela reconhece, derivam da misericórdia divina que se manifestou em sua escolha como Mãe do Salvador. Há “maravilhas”, sim, em sua vida, mas puro dom da graça.

Alias, foi exatamente essa graça – grátis, não merecida – que levou o anjo da Anunciação a chamá-la de “kecharitoméne”, “agraciada” ou, como traduz em nota da Bíblia de Jerusalém, “tu que foste e permaneces cheia do favor divino”.

A atitude de Maria é própria da pessoa que se faz pequena diante de Deus. Pequena como aquela nuvenzinha citada em 1Rs 18,44, avistada pelo profeta Elias do alto do Monte Carmelo. Pequena, do tamanho da mão, mas anunciadora de fortes chuvas que vinham acabar com a severa seca de muitos meses que esgotara todos os mananciais.

Graças à cooperação da Mãe de Deus, esplendor do Carmelo, veio a nós o orvalho do alto, o Cristo Salvador.

 Eis a minha Mãe. Neste Evangelho, Jesus pronunciou estas palavras com o olhar circulando por seus discípulos e, certamente, fazendo com a mão um amplo gesto circular. Ele apontava para aqueles que “fazem a vontade de meu Pai que está nos céus” (cf. Mt 12,50). Lá fora, sua Mãe e seus irmãos chegavam à sua procura.

Ao contrário do que pensam aqueles que viram nesta cena um desprestígio para Nossa Senhora, Jesus está mostrando que o grande mérito de Maria vai muito além de qualquer laço biológico, mas deriva de sua identificação ao querer divino.

Para os primeiros eremitas que habitaram o Carmelo desde o século XII, Maria sempre foi o modelo perfeito de vida cristã. Tendo penetrado silenciosamente nos mistérios divinos, Maria é contemplada como imagem da mais íntima comunhão com o Senhor. Sua intercessão materna era capaz de lhes proporcionar a experiência de Deus no silêncio e na oração.

Foi na imitação de Maria que muitos santos, como Teresa de Ávila e João Cruz, conseguiram reunir dois aspectos que alguns julgam contraditórios: a mística e a ação. De fato, observa Leo Scheffczyk, “na verdadeira vida cristã, a ação e a contemplação jamais se opõem; ao contrário, completam-se mutuamente. A vida de Maria é um exemplo também neste sentido”. (A.C.Santini)

 

 

 

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