Variedades Família Julimariana
16/12/2019 Irmãs Cordimarianas Edição 3917 Fenômeno Migratório
F/ Irmãs Cordimarianas
"Os migrantes não são perigosos, estão em perigo. É preciso acolher, proteger, promover e integrar. (Papa Francisco)"

 

 

Irmas Cordimarianas de Amajari-Roraima

 

Deus sempre nos surpreende, coloca em nossa frente desafios que muitas vezes e de diversas formas nos exige um olhar para além de nós. Foi nessa perspectiva, como Cordimarianas, que acolhemos o chamado “fenômeno Migratório” aqui em Amajari, cidade fronteira com a Venezuela que, deste 2013, dava seus primeiros sinais do agravamento na crise política, econômica e humanitária. Esta instabilidade levou milhares de venezuelanos a percorrer em média mais de 200 quilômetros a pé para chegarem no Brasil. Trazem nas suas mochilas nada mais que esperanças e o pouco que conseguiram carregar sob o peso do sol e da fome, uma verdadeira via sacra.

Em 2018 fomos norteadas por campanhas nacionais e internacionais, e inspiradas a agir como Igreja a partir das palavras do Papa Francisco que disse “Os migrantes não são perigosos, estão em perigo.”, “É preciso acolher, proteger, promover e integrar.” Palavras que na prática frente a uma cultura atual desumanizadora revelam os vários estágios da nossa condição humana. De um lado gestos profundos de fraternidade de outro o preconceito, a xenofobia, o desprezo com sua face mais horrenda.

 

Coerência, compaixão e misericórdia

Sentimos-nos, então, provocadas em assumir com coerência nosso Carisma Compaixão Misericórdia do jeito de Maria, no meio de nossos hermanos e hermanas que chegam a nós com todos os tipos de necessidades deste as mais básicas como: Comida, roupas, medicamentos, uma informação, há outras urgências como refúgio, acesso a direitos e denúncias de exploração laboral e tráfico de pessoas.

Tem sido sem dúvidas uma experiência profundamente transformadora, o que pensávamos ser uma fase tornou um ciclo permanente pois todos os dias nossos hermanos cruzam a fronteira em busca de um horizonte possível.

Conseguimos nos organizar com ajuda, da Cáritas, da Pastoral do Migrante, das irmas Scalabrinianas pioneiras em ações migratórias, da OIM, IFRR, e da Diocese de Roraima. O apoio da própria Congregação, Ir. Ximena animadora dos projetos de integração a partir da música, leigos e leigas militantes das causas sociais, Exército Brasileiro, uma verdadeira Força Tarefa, empenhados todos no bem comum, pois todos somos migrantes.

Possivelmente compreendemos o contexto político social da Venezuela, a pressão dos países  dominadores, os impactos das medidas inconsequentes das autoridades locais, o colapso econômico, entretanto fica difícil entender e conviver com a indiferença de muitos, principalmente ao sofrimento das crianças que chegam com fome, desnutridas, doentes, vítimas da migração forçada retrato do descaso principalmente daqueles que deviam promover a vida.

Hoje, queremos dar nossa voz a esse grande apelo migratório. A Diocese de Roraima movida pelo seu Profético elan missionário, na pessoa de Dom Mario Antônio e outras organizações, com apoio da CNBB através do Fundo Nacional de Solidariedade, lançaram o Plano Nacional de Integração, Caminhos de Solidariedade.

O plano conta em um dos eixos com ajuda das dioceses, paróquias, congregações religiosas e outras a acolher migrantes e refugiados venezuelanos em seus territórios por meio de ações solidárias de integração, dando mais dignidade à população venezuelana que chega a Roraima para que possam com esperança voltar a sonhar em outra região do Brasil. Dessa forma todos podemos contribuir. Convido os queridos leitores para animar suas paróquias, suas dioceses, suas congregações, suas famílias, seus amigos… Seja você também construtor de caminhos de solidariedade.

 

 

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