Formação Família
27/03/2020 Pe. Sebastião Sant’Ana Silva, SDN   Edição 3922 Famílias cristãs, façamos o que o Samaritano fez
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"O Papa Francisco nos convida a vencer a globalização da indiferença..."

 

Abordamos,  na edição de Fevereiro, o profundo questionamento que a Campanha da Fraternidade 2020 vem fazer à nossa maneira de viver a fé cristã.

Com o tema "Fraternidade e vida: dom e compromisso" e o lema: "Viu, sentiu compaixão e cuidou dele" (Lc 10,25-37) – a CF convida-nos a olhar com os olhos de Cristo a realidade sofredora de tantos irmãos e irmãs ao nosso redor. Com o olhar de Cristo, somos chamados à solidariedade também com a sociedade e com o planeta Terra, nossa Casa Comum.

O objetivo geral da CF resume sua rica proposta: "Conscientizar, à luz da Palavra de Deus, para o sentido da vida como Dom e Compromisso, que se traduz em relações de mútuo cuidado entre as pessoas, na família, na comunidade, na sociedade e no planeta, nossa Casa Comum".

As tragédias de Mariana e Brumadinho ou as provocadas pelas chuvas (Minas e E. Santo) suscitaram não só desafios à fé, mas também inúmeros e significativos gestos de solidariedade.

 

Fazer o que o Bom Samaritano fez

Como vimos na edição anterior, a parábola do Bom Samaritano é considerada a chave de leitura não só da experiência de Jesus Cristo, mas também da teologia e da antropologia cristãs. Diante do homem caído à beira do caminho, o sacerdote e o levita, ao retornarem das celebrações no Templo, se mostraram indiferentes, veem-no e passam em frente; o samaritano, porém, o "viu, sentiu compaixão e cuidou dele".

À luz do Bom Samaritano entende-se a dimensão sublime da misericórdia. Ajuda não só a compreender melhor quem é Deus, mas também a humanidade querida por Deus e como devem ser nossas famílias, nossas pastorais e nossas comunidades eclesiais missionárias.

O Papa Francisco nos convida a vencer a "globalização da indiferença".  E o Texto-Base (TB) da CF faz o alerta: "Se já não somos capazes de perceber a desumana dor ao nosso lado, também nós nos tornamos desumanizados".

 

Parábola de extrema atualidade

Temos notícias de que encontros de preparação das lideranças paroquiais ou diocesanas para a CF 2020 estão ajudando a perceber a extrema atualidade da parábola do Bom Samaritano. Ela questiona profundamente nossa maneira de viver a fé.

Em janeiro último, curtindo uns dias de férias em São Paulo, quis visitar alguns santuários. A convite de minha irmã e cunhado, aproveitando o sábado, fomos conhecer Tambaú e rezar junto às relíquias do Pe. Donizetti, beatificado em 23 de novembro de 2019; aprendi muito com o novo beato. Noutro sábado, fomos visitar novamente a Basílica de Aparecida;  momentos preciosos e memoráveis.

Na última visita a santuários em São Paulo, o presidente da celebração, durante a homilia, numa boa interação com a assembleia, nos questionou: "Vocês gostam de fazer peregrinação a Aparecida, de ir à Igreja, de rezar... Mas como vocês tratam os pobres que Deus coloca no caminho de vocês? Com indiferença? Vocês conhecem pessoas que não vão à igreja como nós, mas têm compaixão dos pobres, como fez o samaritano? Oh, Jesus nos repete hoje: 'Vão e façam o que o Samaritano fez!'".

 

Ver, sentir compaixão e cuidar

De fato, não basta sermos sacerdotes, levitas nem ministros da Palavra ou da Comunhão, ou coordenadores e agentes desta ou daquela pastoral. Precisamos do olhar de Cristo para "ver, sentir compaixão e cuidar" e, assim, assumir uma postura mais coerente diante de tantos irmãs e irmãos sofredores.

"Aprendemos com o Bom Samaritano (...) que o meu próximo é aquele com quem tenho a alegria de compartilhar o caminho da vida. Com a CF, "somos convidados a proclamar, em todo o país, que a vida, Dom e Compromisso, é essencialmente samaritana!" (TB, 166).

Esta  CF 2020 promete ser  grande incentivo a uma profunda conversão da cultura da morte para a cultura da vida, da cultura da indiferença para a cultura do cuidado, da ternura. Oxalá nos ajude a ver com os olhos de Cristo e abraçar solidariamente o trabalho social (a ser) feito pela Igreja em favor dos irmãos e irmãs que mais precisam de nossa presença solidária.   

 

A conversão ecológica nas famílias

Através de sua rica e diversificada proposta, sintetizada nos objetivos geral e específicos, a CF 2020 é um forte apelo às nossas famílias para viverem as relações de cuidado não só entre as pessoas, na família, na comunidade, na sociedade, mas também no planeta, nossa Casa Comum.

Papa Francisco nos alerta que "o desenvolvimento de uma ecologia integral é tanto um chamado como um dever". Para isso, fundamenta sua afirmação, nos convidando a redescobrir a nossa identidade de filhos e filhas de nosso Pai Celeste, criados à imagem de Deus e encarregados de ser administradores ou cuidadores do planeta Terra, nossa Casa Comum (TB, 150).

Na Exortação Amoris Laetitia,  após ressaltar que no ambiente familiar é possível também repensar os hábitos de consumo, cuidando juntos da casa comum, o Papa diz com toda ênfase: "A família é a protagonista de uma ecologia integral, porque constitui o sujeito social primário, que contém no seu interior os dois princípios-base da civilização humana sobre a terra: o princípio da comunhão e o princípio da fecundidade" (AL, 277).

 

Rico material disponível para todos

Recomendo às famílias, aos agentes de pastorais e aos amigos leitores que não desperdicem a oportunidade de entrar em contato com a grande proposta e o rico material da CF 2020 que a Igreja no Brasil está oferecendo não só aos católicos mas a todas as pessoas de boa vontade.  Vejam, por exemplo, o MANUAL da da CF traz, em suas 432 páginas:

– Oração e Hino da CF, Apresentação da CF pela CNBB, Texto-Base, Fraternidade Viva (encontros de aprofundamento), Encontros Catequéticos para Crianças e Adolescentes, Jovens na CF, Círculos Bíblicos, Via-Sacra, Vigília Eucarística e Celebração da Misericórdia, Celebração Ecumênica, Ensino Fundamental I, Ensino Fundamental II, Ensino Médio, Famílias na CF e Retiro Popular Quaresmal.

Somem-se ao rico material DVDs, vídeos e, sobretudo, cursos e encontros de capacitação de multiplicadores da CF. Que tal a alegria de participar?

Santa Dulce dos Pobres, rogai por nós! 

 

 

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