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22/01/2020 Antônio Carlos Santini   Edição 3919 Esse incômodo Salvador...
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"Aqui e ali, a mídia anuncia tentativas de arrancar os crucifixos da parede de locais públicos, em nome do espírito republicano ou da igualdade entre os credos."

 

Segunda metade dos anos 80. Um casal do ECC fala do filho, mau estudante, rebelde e cercado de más companhias. Pedem que eu tenha uma conversa com o adolescente. Acho que tivemos duas ou três “conversinhas”. Foi fácil notar que era um bom garoto, mas de alma vazia. Encaminhamos o diálogo para a pessoa de Jesus Cristo. Sugerimos a leitura do Evangelho. Parece que o garoto gostou da proposta.

Um mês depois, voltam os pais. Embora o filho tivesse deixado as más companhias e mostrasse mais dedicação na escola, eles tinham outra queixa: o filho estava lendo demais a Bíblia. Nem queria ver televisão. E rebatiam: “Assim não dá...”

Apenas um episódio entre tantos outros, mas com uma constante que se repete: quando Jesus entra na vida de alguém, passa a incomodar muita gente. Mesmo sem fazer nenhum discurso de proselitismo, o “convertido” incomoda simplesmente por assumir um novo modelo de vida. Acaba sendo uma denúncia silenciosa pelo contraste com a vida mundana.

Há uma passagem do Evangelho que sempre me chamou a atenção. Em Mateus 8, 28ss, Jesus expulsa os demônios que possuíam dois homens na região dos gadarenos. Como os maus espíritos fizessem o pedido, Jesus autorizou que eles entrassem nos porcos que pastavam junto à falésia do mar. De imediato, o rebanho se precipitou no abismo e os animais morreram.

Informados do acontecido, vieram os gadarenos e suplicaram a Jesus que se retirasse de sua região. Era uma presença incômoda para eles. Sim, Jesus curava os doentes, libertava os endemoniados, mas... dava prejuízo...

Aqui e ali, a mídia anuncia tentativas de arrancar os crucifixos da parede de locais públicos, em nome do espírito republicano ou da igualdade entre os credos. Em uma cidade próxima do meu quintal, o juiz da comarca mandou amarrar o badalo do sino da igreja, proibindo os chamados para a missa. No fundo, o mesmo incômodo com a presença do Crucificado.

Como escreve Hébert Roux, preferem permanecer com seus possessos e seus doentes, preferem a desordem estabelecida, e que os loucos continuem loucos, antes que acolher esse tal perturbador e correr o risco de sua companhia. E diz mais: “A partir do momento em que Jesus intervém de maneira muito concreta e mexe com a tranquilidade ordinária da existência deles, é melhor mantê-lo à distância, pois será impossível dormir tranquilo com ele por perto se os loucos se tornam sábios e os porcos se lançam no mar”.

Pobre Cristo! Nunca imaginou que seria essa presença incômoda!

 

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