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08/01/2020 Denilson Mariano Edição 3919 Editorial: Um Natal mais humano
F/ panama2019.pa
"A ação de Deus na história acontece de forma simples, velada, a partir de dentro das pessoas..."

 

É impressionante o caminho que Deus escolhe para vir ao nosso encontro. Vem sem alarde, na simplicidade, na pobreza, desce ao mais profundo da existência humana. Se encarna, assume não só a natureza humana, assume a sua fragilidade, os seus riscos e sofrimentos. E assim, a partir de baixo, a partir dos pobres, pequenos e sofredores, gesta-se a esperança para toda a humanidade.

A ação de Deus na história acontece de forma simples, velada, a partir de dentro das pessoas, movendo-se a partir de dentro, do interior mais profundo de cada pessoa. Deus não invade a liberdade humana, antes conta com ela para o Seu projeto de vida. Na medida em que o ser humano se abre para Deus, cria condições para que Ele possa agir. Foi assim com Maria, com Isabel, com José, com Simeão, com os pastores, com os Magos... Pessoas que em sua simplicidade, com sua abertura interior criam condições para que Deus venha ao nosso encontro e se faça um de nós. Cria condições para que novas relações de justiça, solidariedade e paz aconteçam.

A singeleza do Natal nos revela que Deus age a partir de dentro, na interioridade, no silêncio. Aí Ele convida, convoca, desperta, pede nossa colaboração em seu plano de amor e vida para toda a humanidade. Definitivamente, a festa do Natal remete a um encontro com Deus que desce ao mais profundo da existência humana, ao mais profundo de nós mesmos, Ele vem para fazer morada em nós, no coração, na interioridade...

Infelizmente, em nossos tempos, a lógica do capital que tudo transforma em mercadoria, vem roubando a simbologia do Natal e desviando esse movimento de Deus ao interior para exterioridades. Tudo passa a ser pautado pela lógica do comércio, do lucro, das vantagens financeiras e pelo poder do capital. A ponto de se dizer, em situações de dificuldade, que: “Este ano não vamos ter Natal em casa, pois estou desempregado...” ou “Sem dinheiro, não tem Natal.” Natal virou sinônimo de comilança, de exageros na bebida, de troca de presentes... Virou algo meramente exterior, que já não toca o interior, o mais profundo das pessoas. Que nada revela da grandeza de Deus que quer recuperar o melhor de nós, nossa humanidade.

Assim, assistimos a uma onda natalina desprovida de afetos verdadeiros, distante das relações de justiça e de fraternidade, longe do espírito cristão de descer ao encontro dos mais sofridos para devolver-lhes a alegria e a esperança de viver. O Natal, há muito vem se paganizando e o pior, com a aparência de continuar a ser uma festa cristã. Celebrações bonitas e pomposas, mas que não levam as pessoas a se humanizarem, a vencerem o ódio, a se deixarem guiar pelo Espírito do Amor, pelo Espírito que guiou Jesus.

Não nos faltam festam, falta solidariedade, não faltam presentes, falta o senso de justiça, não faltam desperdícios e exageros, falta humanidade, aquela capacidade que ver o outro, sobretudo o pobre e sofredor, como nosso irmão. Falta ao nosso Natal justamente aquilo que Deus veio nos revelar com a sua encarnação: humanidade. Somente um Natal mais humano, vivenciado a partir de dentro, não nas exterioridades, nos aproxima de Deus e dos irmãos. E isso é prá começo de conversa.

 

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