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08/01/2020 UOL Edição 3918 É possível viver com pouca água?  
F/ Toninho Ferreira
"A vida de mais de 15 milhões de pessoas está em perigo por causa da seca em diversas regiões..."

 

Em 2030, quase metade da população global viverá em estresse hídrico – situação em que a demanda por água supera a oferta - se não forem mudados os atuais níveis de poluição e consumo. O dado, apresentado neste ano pelo Painel Internacional de Recursos - IRP do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - PNUMA, dá o alerta para que cada vez mais a humanidade encontre formas inteligentes e econômicas de uso.

Enquanto isso, no Ceará, que vive o quinto ano consecutivo de seca, três experiências têm ajudado os moradores do campo a encarar melhor o período e podem se tornar um modelo para o planeta. Uma delas é o gerenciamento coletivo dos sistemas de abastecimento de água, em um esquema que hoje atende a 531 mil pessoas em 1.344 comunidades rurais.

Outra, a adoção de um sistema de informações sobre saneamento, usado em oito países da América Latina. Finalmente, um projeto piloto levou a 15 famílias uma tecnologia de reutilização da água usada no banho e na cozinha. O plano é alcançar mais 70.

Uma das agricultoras beneficiadas por essas iniciativas, Niédia Barbosa, da comunidade de Cristais, lembra o tempo em que convivia ao mesmo tempo com a pouca disponibilidade de recursos hídricos e com a lama que se formava em seu terreno, resultado da falta de saneamento. “Com a tecnologia de reuso, acabou-se o problema e temos água tratada para cultivar vegetais sem agrotóxicos”, conta ela.

 

A resposta de Israel

A vida de mais de 15 milhões de pessoas está em perigo por causa da seca em diversas regiões de Quênia, Etiópia e Somália, alertou a organização humanitária Oxfam, que pediu mais financiamento da comunidade internacional para combater esse problema. A escassez de chuvas botou a perder os cultivos e, com eles, os meios de vida e subsistência de várias comunidades, o que deixou 7,6 milhões de pessoas em risco de fome extrema, ressaltou a Oxfam em comunicado. Muitas dessas pessoas se viram obrigadas a migrar para sobreviver.

Entretanto, parece que Israel tem a resposta. No auge da seca, Shabi Zvieli, um jardineiro israelense, temia por seu ganha-pão. Um imposto pesado foi adotado para o consumo excessivo de água pelos lares, penalizando as famílias com gramados, piscinas e vazamentos. Assim, muitos dos clientes de Zvieli adotaram grama sintética e trocaram as flores sazonais por plantas locais resistentes, mais adequadas ao clima semiárido. Por todo o país, os israelenses foram instruídos a reduzir seu tempo no chuveiro para dois minutos. Lavar carros com mangueiras foi proibido, e os poucos ricos o bastante para arcar com o custo de manutenção de um gramado foram autorizados a regá-los apenas à noite.

Mas isso foi há cerca de 6 anos. Hoje, há abundância de água em Israel. Uma versão mais leve de uma velha campanha "Israel está secando" foi aproveitada para anúncio de fraldas. "O medo acabou", disse Zvieli, cujos clientes voltaram a plantar flores. Enquanto a Califórnia e outras áreas no oeste dos Estados Unidos lidam com uma seca extrema, uma revolução ocorreu aqui. Um grande esforço nacional para dessalinização da água marinha do Mediterrâneo e reciclagem de águas residuais forneceu ao país água suficiente para todas as suas necessidades, mesmo durante secas severas. Mais de 50% da água dos lares israelenses, da agricultura e indústria agora se produz de modo artificial.

A dessalinização despontou como um foco dos esforços do governo, com quatro grandes usinas entrando em operação ao longo da última década. Uma quinta deverá estar pronta para funcionar em alguns meses. Juntas, elas produzirão um total de mais de 130 bilhões de galões de água potável por ano, com uma meta de 200 bilhões de galões até 2020.

Enquanto isso, Israel se tornou a líder mundial em reciclagem e reuso de águas residuais para agricultura. O país trata 86% de seu esgoto doméstico e o recicla para uso na agricultura - cerca de 55% do total de água usado na agricultura. A Espanha fica em segundo lugar, reciclando 17%, enquanto os Estados Unidos reciclam apenas 1%, segundo dados da Autoridade de Águas.

Os ambientalistas israelenses dizem que a adoção às pressas da dessalinização ocorre em parte em detrimento de alternativas, como tratamento das reservas naturais de água que foram poluídas pela indústria, particularmente a indústria militar na planície costeira. Alguns ambientalistas também dizem que o método de retirada de água de mar aberto usada pelas usinas de dessalinização de Israel, de acordo com as regulações locais, em vez da retirada abaixo da superfície, tem um efeito potencialmente destrutivo sobre a vida marinha, sugando bilhões de ovas e larvas de peixes.

Fonte: UOL

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