Roteiros Pastorais Homilética
07/04/2020 Dom Emanuel Messias de Oliveira Edição 3922 Domingo da Ressurreição – 12/04/2020 “Ele devia ressuscitar dos mortos.” (Jo 20,9)
F/ Tela de Eugène Burnand
"Madalena simboliza a comunidade sem fé, caminhando ainda no escuro..."

Domingo da Ressurreição – 12/04/2020

“Ele devia ressuscitar dos mortos.” (Jo 20,9)

 

Leituras: At 10,34a.37-43; Sl 117[118]; Cl 3,1-4; Jo 20,1-9

 

  1. O testemunho do apóstolo. A Igreja de Jerusalém corria o risco de esclerosar-se, fechada em Jerusalém e bitolada ao judaísmo. Havia necessidade urgente de abertura. E é Pedro o primeiro a romper o esquema com a abertura aos pagãos. O texto salienta parte do sermão de Pedro: seu anúncio sobre Jesus Cristo aos pagãos. Ele anuncia a atividade de Jesus de Nazaré a partir do batismo pregado por João. Pedro apresenta o itinerário de Jesus: depois do batismo de João, partiu da Galileia e percorreu toda a Judéia. Deus ungiu Jesus com o Espírito Santo e com poder. “Por toda a parte ele andou fazendo o bem, e curando a todos os que estavam dominados pelo diabo, pois Deus estava com ele”. A cura dos que estavam dominados pelo diabo manifesta que Jesus queria era uma sociedade justa e fraterna, com homens livres e respeitosos. Os apóstolos testemunham três atividades: a de Jesus a favor do povo, a dos judeus contra Jesus e a de Deus em favor de Jesus. Os judeus mataram Jesus, suspendendo-o numa cruz, mas Deus o ressuscitou ao terceiro dia e lhe concedeu aparecer às suas testemunhas e até mesmo tomar refeições com elas. Em seguida Pedro fala sobre a missão que Jesus deu aos apóstolos: pregar e testemunhar que Deus o constituiu juiz dos vivos e dos mortos. Pedro termina anunciando o que todos os pregadores (= profetas) testemunham: a necessidade da fé em Jesus para receber o perdão dos pecados.

 

  1. Vida nova em Cristo. No capítulo 2º, Paulo falou sobre o batismo, através do qual o cristão participa da morte e ressurreição de Cristo. Como Cristo morreu e foi sepultado, o cristão também, coberto pela água do batismo, morre para o mundo do pecado. Como Cristo ressuscitou para uma vida nova, também o cristão, emergindo da água, ressuscita para uma vida nova com Cristo. Aqui, Paulo conclui o seu raciocínio. Se os cristãos ressuscitaram com Cristo, eles não pertencem mais a este mundo de pecado. Eles têm, agora, um compromisso novo; não pecar nem buscar mais as coisas da terra, mas sim, as coisas do alto, do céu, de onde Cristo reina. A vida do cristão é Cristo; sua vida está escondida em Cristo no céu. Para as coisas do mundo, o cristão já está morto. A vida do cristão só aparecerá gloriosa junto com Cristo, quando Cristo, que é sua vida, aparecer na sua glória. Que cristão é este que tem a obrigação de viver como se já estivesse ressuscitado? Esse cristão é você, sou eu, somos todos nós. Que estamos esperando para vivermos em profundidade o sentido do nosso batismo?

 

  1. O amor chega primeiro. No 1o dia da semana - dia de domingo, o dia da nova criação -, Maria Madalena vai ao túmulo. Ela vai visitar o cadáver de Jesus. Madalena simboliza a comunidade sem fé, caminhando ainda no escuro. Ela acha que roubaram o corpo de Jesus. Quem não tem fé busca explicações racionais para tudo: houve um roubo. É isso que ela transmite para Pedro e para o discípulo que Jesus amava. Os dois discípulos vão ao túmulo. A comunidade, por falta de fé, não estava reunida. Os dois discípulos correm ao túmulo. O discípulo que Jesus amava chega primeiro, não simplesmente porque é mais jovem, mas por causa do amor. Quem ama chega mais rápido, entende mais, acolhe mais, aceita mais. Por respeito ele não entra, apenas se inclina e vê os panos de linho estendidos. Simbolicamente, o túmulo é para João a cama nupcial, não um lugar de morte, mas lugar de encontro com o Senhor da vida com a comunidade-esposa. Pedro chega, olha e vê tudo: os panos de linho estendidos e o sudário dobrado num lugar à parte. Ladrões não teriam este cuidado de deixar as coisas arrumadinhas. O corpo de Jesus, portanto, não foi roubado. Mas Pedro não chega a conclusões maiores. Ele representa, como Maria Madalena, neste momento, a comunidade ainda incrédula. Então o outro discípulo entrou também. Ele viu e acreditou. Quem ama tem intenções profundas e vai mais longe. O discípulo que Jesus amava percebeu claramente que Jesus havia ressuscitado.

 

Leituras da semana

dia 13: At 2,14.22-32; Sl 15[16],1-2a.5.7-8.9-10.11; Mt 28,8-15

dia 14: At 2,36-41; Sl 32[33],4-5.18-19.20 e 22; Jo 20,11-18

dia 15: At 3,1-10; Sl 104[105],1-2.3-4.6-7.8-9; Lc 24,13-35

dia 16: At 3,11-26; Sl 8,2a.5.6-7.8-9; Lc 24,35-48

dia 17: At 4,1-12; Sl 117[118],1-2.4.22-24.25-27a; Jo 21,1-14

dia 18: At 4,13-21; Sl 117[118],1.14-15.16ab-18.19-21; Mc 16,9-15

 

 

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