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30/10/2019 São Pedro Damião, OSB Edição 3916 Deixamos tudo para te seguir PÁGINAS QUE NÃO PASSAM
F/Iluminura de Giovanni Antonio Decio - 1480
F/Iluminura de Giovanni Antonio Decio - 1480
"É necessário, pois, que nós deixemos tudo para seguir somente a Cristo, que nos esforcemos por agradar somente a Cristo, que nos apeguemos à sua benevolente vontade com um cuidado vigilante. "

PÁGINAS QUE NÃO PASSAM

 

Deixamos tudo para te seguir

São Pedro Damião, OSB

 

Que palavras solenes! É uma grande promessa, é uma obra santa e digna de bênçãos deixar tudo e seguir a Cristo! Estas palavras arrastaram homens e mulheres à pobreza voluntária; elas fizeram nascer os mosteiros. Elas encheram os claustros e as florestas de inumeráveis monges e eremitas. A Igreja se refere a esta palavra quando canta o versículo do salmo: “Para me conduzir segundo tua palavra, eu guardei o caminho prescrito”. (Sl 17,4)

Na verdade, é uma grande coisa deixar tudo, mas é coisa ainda maior seguir a Cristo, pois, como aprendemos nos livros, muitos deixaram tudo e não seguiram a Cristo. Seguir a Cristo é a nossa tarefa, é nosso trabalho; nisto consiste o essencial à salvação do homem, mas não podemos seguir a Cristo se não abandonamos tudo. Já que ele se lança como alegre conquistador (Sl 19,6), ninguém pode segui-lo sobrecarregado por um fardo.

“Eis que deixamos tudo”- diz Pedro -, não somente os bens deste mundo, mas também os desejos de nossa alma. É que não abandonou tudo aquele que ainda permanece apegado a si mesmo. Mais ainda: de nada serve ter abandonado todo o resto, à exceção de si mesmo, pois não existe para o homem um fardo mais pesado que o próprio eu. Que tirano é mais cruel, que patrão é mais impiedoso para o homem que sua própria vontade? Por conseguinte, é preciso que abandonemos nossas posses e nossa vontade própria se queremos seguir aquele que não possuía um lugar onde repousar a cabeça, e que veio não para fazer sua vontade, mas para fazer a vontade daquele que o enviou.

É necessário, pois, que nós deixemos tudo para seguir somente a Cristo, que nos esforcemos por agradar somente a Cristo, que nos apeguemos à sua benevolente vontade com um cuidado vigilante. É certo que logo conheceremos por experiência o que a Verdade promete a todo aquele que abandona tudo e caminha em seu seguimento: “Ele receberá o cêntuplo, diz ela, e terá como herança a vida eterna”. De fato, o dom do cêntuplo é para nós um conforto para a caminhada, e a posse da vida eterna fará nossa felicidade para sempre na vida celeste.

Mas o que é esse cêntuplo? Simplesmente, as consolações do Espírito doce como o mel, suas visitas e seus primeiros frutos. Este é o testemunho de nossa consciência, é a feliz e muito alegre expectativa dos justos, é a memória da superabundante bondade de Deus e, na verdade, é também a imensidade de sua doçura.

Aqueles que fizeram a experiência desses dons não têm necessidade de lhes falemos a este respeito. E quem poderia descrevê-los com simples palavras para aqueles que não a fizeram?

 

PEDRO DAMIÃO [1007-1072] nasceu em Ravena, Itália. Ao ficar órfão, foi educado por sua irmã, Roselinde. Concluiu seus estudos em Ravena, Faenza e Parma, tornando-se professor em sua cidade natal. Depois de se encontrar com dois eremitas de Font Avellana, o célebre mosteiro de São Romualdo, fez-se monge e foi ordenado sacerdote, sendo eleito prior em 1043. Depois de fundar vários mosteiros, foi criado cardeal pelo Papa Estêvão IX, e assumiu o bispado de Óstia em 1057. Trabalhou intensamente pela reforma da Igreja, tornando-se conselheiro dos papas Gregório VI, Clemente II, Leão IX e Gregório VII. Deixou numerosos sermões, tratados e opúsculos de poemas e orações.

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