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19/04/2019 Dom Edson Oriolo Edição 3912 Cuidar de Si
Mão que cuida
F/ Pixabay
"Todo ser humano merece respeito, pois a vida de cada pessoa é sagrada."

Dom Edson Oriolo*

O ser humano, criado a imagem e semelhança do bom Deus, é um cuidador - de si e dos outros. Prestar assistência às pessoas nas suas necessidades fundamentais é responsabilidade de todos. Mas é importante ter a seguinte clareza: dedicar-se ao outro, solidariamente, exige, antes de tudo, cuidar-se de si. Quem oferece ajuda ao próximo deve zelar pela própria vida. E todos que se dedicam a gestos de solidariedade merecem também receber cuidados.

Todo ser humano merece respeito, pois a vida de cada pessoa é sagrada. Por isso, a capacidade para o cuidado deve ser permanentemente cultivada. Isto inclui a abertura para amparar o próximo, compreendendo suas perspectivas e, assim, permitindo-o se expressar. Mas também exige que cada pessoa cuide de si, protegendo-se das ameaças que estão ao redor de todos, principalmente na adoecida sociedade atual.

 

“Vampiros emocionais”

Vale ter atenção especial, sobretudo, para não tornar-se presa de “vampiros” que se fazem presentes em diferentes lugares. O psicólogo americano Albert Bernstein foi o primeiro a forjar a expressão “vampiros emocionais”, para se referir às pessoas imaturas e narcisistas que sugam a nossa energia vital de várias maneiras, cansando-nos e corroendo a nossa autoestima. Em seu livro, Bernstein elencou os tipos mais comuns desses “parasitas da alma”, que sugam a energia emocional dos outros, provocando exaustão mental e física.

Os “vampiros emocionais” podem ser aqueles que nos cansam a partir de simples conversa, ameaçam nossa saúde mental e autoestima, as amizades tóxicas, pessoas negativas, dramáticas ou altamente críticas, que nunca reconhecem seus próprios erros e sempre culpam os outros por qualquer tipo de problema, gente invasiva que não reconhece o que é limite, homens e mulheres que são peritos em criar confusão por onde passam, desestabilizando as emoções de quem está perto. Também são “vampiros emocionais” os que só falam de problemas ou se dedicam a espalhar boatos e fofocas. Pessoas que carregam uma aura de negatividade, roubando a energia dos que estão ao seu redor.

Todos nós que vivemos em comunidade já estivemos, de uma maneira ou de outra, em contato com um “vampiro emocional”. É o amigo que não para de falar de si, sem ser capaz de nos ouvir, ou o colega que só sabe lamentar. Também é “vampiro emocional” o superior que nos cobra incessantemente, as pessoas que nos contaminam com comentários negativos. Quem nunca encontrou um vampiro, que atire o primeiro alho.

Conversa e colo

O psicólogo Albert Bernstein alerta: à primeira vista, os “vampiros emocionais” podem parecer encantadores, mas, quando menos percebemos, eles já nos deixaram na pior. Mas é importante lembrar: onde há um vampiro, tem de haver um pescoço disponível para esse predador. Estejamos sempre atentos, pois os “pescoços” são pessoas que dão conversa e colo. A conclusão é que devemos ser cuidadores uns dos outros, mas atentos com o próprio cuidado, para não nos tornarmos presas de “vampiros emocionais”.

O caminho é saber amar, a si e ao outro. E a Palavra de Deus, na Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, apresenta valiosas considerações sobre o amor: é paciente, prestativo, não é invejoso, não se ostenta, não é orgulhoso, nada faz de inconveniente, não procura a realização de interesses egoístas, não abre espaço para irritações, é livre de qualquer tipo de rancor, busca vencer a injustiça, é fiel à verdade, tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta e jamais passará. O amor é a própria presença de Cristo nas relações com os outros e no cuidado pessoal.

A falta de amor nas relações é a doença de nossa época e cria contexto propício para a proliferação dos “vampiros emocionais”. Diariamente vivemos e experimentamos encontros. Toda vida é relacionamento. Seja, pois, meta permanente de cada pessoa levar a força do amor para cada relação, único caminho a ser seguido por quem se propõe a cuidar de si e do outro, tornando-se, de fato, imagem e semelhança de Deus-Pai, o Criador.

 

* Bispo auxiliar de Belo Horizonte, autor de vários livros.

 

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