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07/05/2019 Antônio Carlos Santini Edição 3911 Cuidado! Um robô está de olho no seu emprego! O impacto da robótica no mercado de trabalho
Robótica
F/ reprodução/linkedin
"Eles podem fazer o seu serviço e não pedem aumento de salário. Para onde caminha o mundo do trabalho?"

 

Já começa a ser sentido o impacto da robótica no mercado de trabalho, e trata-se de uma tendência crescente. Em um simpósio sobre robótica, realizado no MIT – Instituto de Tecnologia de Massachussetts, EUA, em outubro passado, economistas e especialistas em indústrias deixaram claro o novo horizonte do mercado de trabalho: as máquinas vão substituir a mão de obra humana nas mais variadas atividades.

Segundo Andrew McAfee, pesquisador do MIT e coautor do livro Race against the machine [Corrida contra as máquinas], nossos ajudantes digitais não só nos alcançaram, como estão a nos ultrapassar. Em certos aspectos, já são superiores a nós. De fato, já anda pelas ruas da Califórnia o automóvel desenvolvido pela empresa Google, e as forças armadas vão substituindo soldados de carne e sangue por robôs de metal e chips.

Países como Coreia do Sul e China conseguiram aviltar a mão de obra humana a ponto de baixarem consideravelmente os custos de produção, mas não o suficiente para superar a economia possível com o trabalho de máquinas e robôs inteligentes. Com a vantagem de transportá-los com facilidade para áreas mais seguras ou países que cobram menos impostos.

A Adidas implantou duas “fábricas velozes” em Ansbach, na Alemanha, e em Atlanta, nos EUA, onde agora são produzidos sapatos em impressão 3D. Segundo o relatório, o investimento resultou em 160 novos postos de trabalho, mas também causou a perda de 1.000 empregos no Vietnã.

 

Só para humanos

Ao menos por enquanto, certas áreas continuam abertas aos humanos. É o caso dos garçons e dos profissionais que passeiam com cães, dificilmente substituíveis por máquinas, assim como médicos e profissionais que trabalham com alta tecnologia. Igualmente, os robôs também não chegarão a ser gerentes ou diretores, mas vão ocupar a vaga de funcionários em centrais de atendimento, elaborar análises financeiras e assumir funções em que a criatividade ou o improviso não são tão necessários.

Segundo um relatório do Overseas Development Institute - ODI, os robôs ameaçam igualmente os trabalhadores em países subdesenvolvidos quanto nos desenvolvidos. No caso da fabricação de móveis, por exemplo, os países africanos perderão rapidamente sua vantagem comercial, o custo atrativo de mão de obra, em relação aos países mais adiantados.

O Overseas Development Institute incentiva os países africanos a investirem em indústrias menos suscetíveis à automação como alimentos, bebidas, roupas e metais. E recomenda que os trabalhadores busquem habilidades digitais, para que o fosso digital entre países ricos e pobres não se expanda mais do que atualmente.

Para McAfee, já não se vislumbra um local de trabalho sem a presença de pessoas. “A tecnologia não é ruim para a economia, pois nos torna mais produtivos. O problema é que não há como prever que ela afetará todos da mesma forma. O trabalhador médio será passado para trás por ela.”

(ACS)

 

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