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13/05/2021 Grupo de teólogos e teólogas Edição 3936 Crise na Colômbia: manifesto de teólogos e teólogas
F/ Ameríndiaenlared
"Nosso país precisa de um diálogo respeitoso e plural para que, com a participação de todos, possamos construir um projeto comum que saiba fazer da diversidade e da diferença uma verdadeira riqueza em benefício da dignidade humana."

Diante da atual situação sociopolítica que atravessa a Colômbia, junto com a eclosão social que as massivas mobilizações cidadãs geraram desde 28 de abril passado, nós, teólogos, teólogas, biblistas, educadores e educadoras de diferentes comunidades e confissões religiosas na Colômbia denunciamos:

  1. O assassinato, desaparecimento, perseguição, repressão, violações e estigmatização estatais que muitas pessoas estão sofrendo nas ruas da Colômbia, especialmente os jovens, que protestam contra o Governo presidido por Iván Duque e seu grupo político, contra as medidas que ele tem implementado e propõe em detrimento da vida, dignidade, saúde, educação e trabalho da população; a geração de violência e destruição dentro das marchas por atores externos infiltrados que maculam os justos pedidos e demandas daqueles que marcham. Imploramos que cessem com a violência e repressão que custou a vida de civis, policiais e muitos feridos.
  2. O assassinato e perseguição de lideranças e lideres sociais, indígenas e camponeses por diferentes grupos armados em todo o território nacional e a indiferença, invisibilidade e estigmatização de seu trabalho.
  3. O assassinato e perseguição dos promotores do Acordo de Paz.
  4. A perseguição e estigmatização de professoras e professoras, especialmente aquelas que trabalham em áreas de conflito e na presença de grupos armados.
  5. A corrupção arraigada nas diferentes esferas de poder (política, militar, policial, empresarial, social e midiática, entre outras) que se torna destruidora da vida e da dignidade.

Nosso trabalho envolve uma responsabilidade ética e profética a que não podemos fugir e que vai além de nossas afiliações contratuais e até eclesiais. Com efeito, a promoção da violência por setores que se autodenominam cristãos, crentes ou religiosos, bem como usar o nome de Deus ou de Jesus para justificar a morte, anulação ou discriminação de qualquer ser humano, merece a nossa mais categórica rejeição; É necessário dizer, com veemência, que essas posições são absolutamente incompatíveis e incoerentes no que diz respeito às ações e à mensagem mais fundamental de Jesus de Nazaré.

Não podemos nos isolar em nossas tarefas e ignorar que, em um país como o nosso que se identifica como crente em sua maioria, existem níveis tão desumanos de fome, violência, injustiça e desigualdade. Qual é o nosso papel nos diferentes lugares onde procuramos uma reflexão sobre a fé, a presença divina na história, sua incidência e práxis?

Independentemente do contexto eclesial, é de nossa parte necessário apontar e denunciar nas várias instâncias públicas, com um caráter crítico e rigoroso, de uma perspectiva profética, tudo o que ameaça a vida e a dignidade das pessoas; promover os valores do Reino de Deus para além da discussão e das diferenças religiosas, de tal forma que a humanização de Deus, fundamento da fé em Jesus, encontre concretização na atenção e cuidado prioritário dos mais vulneráveis para que vivam com dignidade e em todas as demandas que levem nosso país a condições mais justas e eqüitativas. Acompanhar as vítimas em seu grito por justiça, reparação e construção do perdão, além de relembrar daqueles que foram assassinados ou morreram esperando por um mundo diferente.

Temos consciência de que nosso país precisa de um diálogo respeitoso e plural para que, com a participação de todos, possamos construir um projeto comum que saiba fazer da diversidade e da diferença uma verdadeira riqueza em benefício da dignidade humana. Colocamos nosso trabalho acadêmico, pastoral e social a serviço do país em meio a esta situação. Só se aprendermos a trabalhar sem mesquinhez por um projeto comum, no qual a vida de todos seja valorizada e digna, será possível a construção da paz.

São muitas as realidades e tarefas às quais nossas tarefas devem atender e responder com maior veemência e comunhão (poder, justiça, gênero, equidade social, entre outras); Porém, diante da situação que vivemos, esta afirmação é necessária e urgente e que, a partir de hoje, estudantes e profissionais dessas áreas, parafraseando os pensamentos e escritos de Ignacio Ellacuría e Jon Sobrino, se tornem real e efetivamente ofício (dimensão intelectual), carregamos (dimensão ética), cuidamos (dimensão práxica) e nos deixamos carregar (dimensão da graça) a nossa realidade.

 Mais de 40 teólogos e teólogos assinam.

 Notas:

1 Mulheres teólogas, teólogos, biblistas, professoras e professores de educação religiosa, educadoras e pessoas de profissões afins.

2 Jon Sobrino, Fuera de los pobres no hay salvación. Trotta: Madrid, 2007, p. 18

 Fonte: Amerindia

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