Formação Juventude
22/01/0001 Frt. Dione Afonso, SDN Edição 3925 Criatividade em tempos de pandemia
F/ Lucasfilm
"Os mais frágeis, os mais pobres, os vulneráveis e os que não são notícias, carecem, cada vez mais, de nossa ajuda."

Frt. Dione Afonso, SDN - dafonsohp@outlook.com

Já quase atingindo dois meses desse isolamento social, muitos de nós temos angariado forças para nos reinventar a fim de vencer o tédio, a ansiedade e a solidão. Se de um lado vivemos o stress de uma casa cheia, com todos dentro de casa, desde pais, irmãos, até os nossos cachorros, papagaios... Do outro, vivemos a tristeza do isolamento que nos afasta dos amigos da faculdade, dos nossos encontros casuais na pracinha, daqueles que amamos...

A situação é nova para todos nós, e, como tal, exige um esforço novo. Papa Francisco tem explorado a palavra “criatividade”. Ela tem se tornado uma palavra de ordem para nós: é preciso ser criativos em tempos de pandemia. E, sempre nos reinventar para que o dia a dia dentro de nossas casas seja mais leve, com harmonia e alegria.

Em nome dessa criatividade em se reinventar, muitos têm revisitado momentos passados, a fim de relembrar bons tempos de suas vidas. A nostalgia de rever aquele filme que embalou a nossa adolescência, ou aquele show que nos fez dançar, é uma boa pedida para esse tempo. Hoje, convidamos você para também, revisitar um clássico dos cinemas dos anos 80. Quem aqui não se empolga com a trilha sonora de John Williams, quando o lendário Indiana Jones estala seu chicote e ajeita seu chapéu? Portanto, em 1989, o terceiro longa da franquia de Harrison Ford chega às telonas com Indiana Jones e a última cruzada.

O filme coloca Indiana Jones na difícil missão de salvar seu pai, Henry Jones (Sean Connery) das mãos dos nazistas. Henry havia descoberto a localização do Santo Graal, o cálice que Jesus usou na última ceia. E, parece que muitas gangues estavam em busca do “Cálice da Salvação”, no intuito de obter o poder e a imortalidade. Porém, na entrada do templo dizia que apenas o homem de coração puro e mente sincera seria capaz de vencer os três obstáculos para chegar à sala do Santo Graal.

 

1º passo: “o Sopro de Deus”

Diz o desafio que “somente o homem penitente passará”. Indiana Jones entende que para passar nessa etapa, ele terá que ter um coração contrito e penitente. Entende que, para vencer, é preciso, diante de Deus se colocar de joelhos. Ao se ajoelhar, Deus atende a sua oração, o seu pedido. Como um sopro divino de perdão, de passagem, Ele te concede a graça de continuar.

Vivendo a experiência da quarentena, no qual temos que nos isolar do convívio social, buscar formas novas e criativas para um contato mais íntimo com Deus é essencial. É preciso nos colocar diante do Pai para que Ele continue aquecendo nossos corações com seu sopro de vida. Um sopro que nos dá esperança para novos tempos.

DICA: ao viver a experiência celebrativa com a família, ou no silêncio do seu quarto, pense em como podemos celebrar com mais vida a Eucaristia em casa. A mesa continua sendo o centro e o ponto alto de nossa experiência de fé. Como essa experiência pode ser prolongada na mesa de nossas casas?

 

2º passo: a Palavra de Deus

Aquele que “seguir os passos de Deus, vai continuar”. É interessante essa parte no filme, pois o herói tem que se colocar em cima de pedras que descrevem o nome de Deus. O “Eu Sou”, que é revelado a poucos: “Yahveh”. Se você pisa numa letra errada, um abismo se abre abaixo dos seus pés, e ele não terá fim. Seguir os caminhos abertos da Boa Nova de Deus é nos colocar diante de Sua Palavra e ser iluminado por ela. Afinal, ela “é luz que ilumina meus passos, e guia meu caminho”, reza o salmista (Sl 119,105).

Quando Moisés questionou a respeito da missão que Deus lhe confiava, Deus disse: “Eu Sou Aquele Que Sou”. Conhecer o nome de Deus significa acolher e e estar disposto a segui-lo. Em contrapartida, se o povo sofre, Deus sofre com ele. Se o povo se recupera e caminha. Deus caminha com Ele. Toda essa experiência de fé pode nos aproximar de Deus através de Sua Palavra. Da Boa Nova de seu Filho. Seus Mandamentos.

DICA: experiências como a Leitura Orante da Bíblia e as reuniões do Grupo de Reflexão da Bíblia também necessitam encontrar um novo formato para que continue alimentando a vida de fé de nossas casas. Algumas famílias conseguem, através de vídeo-chamadas pelos smartphones se reunirem e continuarem refletindo a Palavra de Deus. Nós jovens, também podemos entrar nessa e partilhar nossas experiências de fé para ajudar que nossos amigos vençam essa pandemia. Bora lá?

 

3º passo: o “Caminho de Deus”

O terceiro e último desafio é o mais instigante para todos nós. Trata-se do “salto da fé”. Todo ser humano tem sua fé. Segundo o teólogo Paul Tillich, ninguém vive sem um dinamismo de fé. No que ele a deposita é outro questionamento, mas, o fato é que ele tem esse “depósito da fé”. Tillich diz que a fé “é um movimento que coloca o homem numa experiência capaz de se desdobrar numa entrega última e total por alguma causa, pessoa ou situação”.

Indiana Jones foi posto à prova, ao ter que dar um passo no escuro, sem saber o que iria acontecer consigo. Mas, para conhecer os caminhos de Deus, é preciso confiar n’Ele sem reservas. Ao escrever para as comunidades de Corinto, Paulo insistiu muito nesse tema da fé. “Sei em quem depositei a minha fé” (2Tm 1,12). Conheço-O e n’Ele confio.

DICA: agora, mais do que nunca, os mais frágeis, os mais pobres, os vulneráveis e os que não são notícias, carecem, cada vez mais, de nossa ajuda. Ações de solidariedade têm surgido nesse tempo de pandemia. Em Belo Horizonte, por exemplo, em alguns condomínios, jovens se colocaram à disposição dos idosos e das pessoas classificadas como grupos de risco. Esses jovens fazem as compras, buscam medicamentos, e se disponibilizam para auxiliar essas pessoas que não podem sair de casa. Algumas famílias começaram, por iniciativa própria, a confeccionar máscaras para doar às pessoas carentes. Isso, sem contar nas mais diversas doações em alimentos e recursos financeiros. Você, em sua casa, o que poderá fazer como um gesto solidário nesse tempo de pandemia?

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