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01/05/2020 Denilson Mariano da Silva Edição 3924 Corona vírus: sacrifício, dor e esperança  
F/ Pixabay
"Que, para além do sacrifício e da dor, sejamos guiados pela esperança de um mundo mais justo, humano e fraterno."

 

Denilson Mariano

Quando esta edição da revista chegar aos seus leitores, possivelmente estaremos vivendo o pico da epidemia causada pelo Covi 19, mais divulgado como “Corona Vírus”. Ele é o responsável por essa pandemia, essa doença infecciosa que se espalhou pelo mundo todo e vem impondo medidas que exigem sacrifício, implicam situações de grande dor e novas possibilidades que sugerem esperança.

A velocidade de propagação do vírus e a facilidade com que ele se espalha tem forçado às autoridades a imprimirem várias medidas de isolamento social, diminuindo a circulação das pessoas. Uma delas é a quarentena. O “ficar em casa” (stay at home). Essa medida impacta diretamente o comércio, a indústria, o transporte, enfim, toda a sociedade e pode, do ponto de vista econômico levar muitas empresas e negócios à falência. Além de elevar o desemprego, aumenta a fome, tira o pão da mesa de muitos. Prejudica os vendedores ambulantes, os autônomos... impedidos de trabalhar e de ter o sustento necessário. Aumenta o número de famintos e necessitados. As medidas de isolamento social também instauram o medo, a solidão e o aumento dos conflitos familiares. Impedem, temporariamente, as pessoas de passear, andar pelas praças, participarem de celebrações nas igrejas e de fazerem reuniões nas casas... Põe em risco a vida de muitos profissionais da saúde, da vigilância sanitária de todas as categorias que não podem parar para cuidar de quem precisa. Enfim, tudo isso leva a uma dose considerável (não insuportável) de sacrifício para todos.

O vírus também traz muita dor. Muitas pessoas contaminadas precisam de ficar no isolamento total, têm de ser internadas em hospitais, necessitam de respiradores artificiais... E, muitos não resistem ao vírus, tem sua vida tirada com dor e insuficiência respiratória. Embora os mais vulneráveis sejam os idosos, o vírus tem feito vítimas em pessoas de todas as idades. E como seu poder de contágio é muito grande, ele faz com que os sistemas de saúde, a rede de hospitais entrem em colapso. A quarentena quer evitar o colapso da rede de saúde e garantir a vida das pessoas. Pois quando o serviço de saúde não dá conta de atender, quando o número de doentes é maior que o número de leitos disponíveis, as pessoas ficam indefesas, expostas à morte. Neste caso, os profissionais de saúde tem a difícil tarefa de escolher a quem atender e a quem deixar morrer, sem tratamento. Quando se olha o número de mortos, essas vítimas não são apenas números. São vidas, pessoas reais, com suas histórias, suas famílias, seus sonhos, seus projetos que, agora deixaram de existir, vitimados pelo vírus. Definitivamente, não se trata de uma “gripezinha”... Essa pandemia marca o mundo com uma grande história de dor. Ela está tirando a vida de muitos. E quanto menos nos cuidarmos, mais vítimas teremos.

Na história da humanidade, os grandes momentos de crise revelaram-se como oportunidade para uma nova etapa da civilização. Assim, em meio ao caos gerado por esta pandemia, surge também um raio de luz, uma esperança. Muitas são as vozes a repetir que não podemos “voltar ao normal”, não podemos “voltar ao que era antes”. Precisamos sair dessa crise, melhorados, mais humanos, redescobrindo o valor da vida humana e da vida no planeta. O sistema econômico dominante que despreza a vida e usurpa a natureza, mostra-se impotente diante da crise: empresas vão à falência, as bolsas de valores caem, o vírus mata, mas denuncia o sistema capitalista neoliberal mata ainda mais... Por isso “há uma esperança para o teu futuro” (Jr 31,17). Que possamos vencer a pandemia do “Corona Vírus” e abrir horizontes de um futuro mais promissor para todos. Que, para além do sacrifício e da dor, sejamos guiados pela esperança de um mundo mais justo, humano e fraterno.

 

Denilson Mariano

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