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09/04/2019 Pe. Marcos Antônio Alencar Duarte, SDN Edição 3909 Colóquio Julimariano: uma retomada da vida e missão Pe. Júlio Maria Ele tem muito a nos ensinar enquanto Igreja missionária em saída...
Pe. Marcos Antônio Alencar Duarte, SDN
Pe. Marcos Antônio Alencar Duarte, SDN

O Colóquio Julimariano, realizado no dia 09 de janeiro p.p., em Manhumirim-MG, foi um evento promovido pela Equipe pró-beatificação do Servo de Deus Pe. Júlio Maria De Lombaerde, que visa fazer memória do missionário belga, por ocasião do 141º ano do seu batismo, bem como a incentivar o estudo e o conhecimento das obras escritas pelo Servo de Deus, como também dar visibilidade às pesquisas que são feitas no campo da teologia e da história a partir de seus escritos.

Por seguir uma dinâmica mais leve e de curta duração, nosso Colóquio, facilitou a participação de muitas pessoas da região da Zona da Mata mineira, de Belo Horizonte e dos estados de: Pernambuco, Piauí, Paraíba, Ceará, Amazonas, Amapá, Pará, Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo. A equipe organizadora do Colóquio escolheu quatro temas que nortearam toda a reflexão. Eles são as luzes que aparecem no caminho da redescoberta da figura polissêmica do Pe. Júlio Maria. Ainda tivemos temas transversais que iluminam o pensar do grupo para as áreas da Pastoral Vocacional e Educacional. De forma bem sintética, diremos o que foi cada um destes temas que chamamos de mesas.

 

1. Paixão de Cristo e redenção do sofrimento para uma teologia da cruz na obra do Pe. Júlio Maria

[Frt. Matheus Roberto Garbazza Andrade, SDN e Prof. Dr. Pe. Paulo Sérgio Carrara, CSsR]

O Frt. Matheus Roberto, em sua exposição, deixou claro que a teologia da Cruz não ocupava um lugar marginal na vida e obra do Pe. Júlio Maria, pelo contrário, ela abrangeu todo o seu ser. Toda a história do Servo de Deus pode ser lida a partir desta fenda teológica da cruz. Não há Jesus Cristo sem Cruz. Quando ele vem ao nosso encontro virá sempre com a sua cruz. Segundo o Pe. Júlio Maria, seguir Jesus abraçando a cruz é ter a certeza de alcançar o céu, agora segui-lo sem a cruz é experimentar o inferno. A meditação da paixão de Cristo ilumina a dor e o sofrimento humano hoje. É por isso, que o Pe. Júlio Maria no seu tempo usou este recurso para ajudar seus fiéis a crescerem na fé e no conhecimento da cruz de Cristo, a fim de encontrar um sentido para suas dores e seus sofrimentos.

 

2. Diário Missionário do Pe. Júlio Maria De Lombaerde, a propósito de uma conversa

[Dt. Ir. Denilson Mariano da Silva, SDN, Ir. Maria Rosenir Leal, FCIM e Ir. Teresinha Carvalho Oliveira, SDN]

No dia 08 de janeiro p.p., foi relançado esta obra de cunho missionário e espiritual, no Santuário do Bom Jesus, em Manhumirim-MG. A novidade desta nova edição está na sua beleza visual e na junção do “Diário Missionário” com o “Romance de um missionário no Amazonas”. Na verdade, segundo os seus tradutores, não são duas obras, mas uma única obra. Para o Pe. Demerval Alves Botelho, um dos tradutores, um precioso legado e um valioso documentário, que o Pe. Júlio Maria deixa para a posteridade, sobremodo, para os seus seguidores e seguidoras nas congregações religiosas que fundou”.

Ir. Denilson Mariano, apresentou o Diário Missionário, segundo os cinco passos de Bartolomeu de Las Casas, que indicam que o missionário se deixa guiar pelo Espírito de Deus. São eles: não querer dominar as pessoas; não ter a ambição de adquirir bens ou vantagens; usar de mansidão, humildade e acolhida; demonstrar verdadeira caridade e apresentar uma vida de testemunho cristão. Com estes cinco passos o Ir. Mariano leu todo o jeito missionário do Pe. Júlio Maria ser em Macapá. E, assim como Nazaré marca toda a vida e missão de Jesus, Macapá é uma espécie de “Nazaré” que marca toda a vida e a missão do Pe. Júlio Maria no Brasil. Outra colaboração importante foi a da Ir. Maria Rosenir que nos apresentou o Diário com as palavras chaves da Evangelii Gaudium do Papa Francisco. Em seguida, a Ir. Teresinha Carvalho concluiu, com suas reflexões mais voltadas para a pastoral missionária.

 

3. Pe. Júlio Maria De Lombaerde: seu contexto, sua trajetória, seu lugar e sua obra

[Prof. Dr. Edmar Avelar de Sena, Prof. Dt. Nicodemo Valim de Sena, Prof. Ms. Alessandro da Silva Leite e o Prof. Ms. Aloysius Gentil Gonçalves]

Esta terceira mesa se preocupou em fazer hermenêutica em torno da figura histórica do Pe. Júlio Maria, no seu contexto social, político e religioso. Estes pesquisadores são todos jovens professores, e se envolveram com esta figura emblemática, carismática e missionária de Manhumirim, de acordo com seus interesses e gostos.

O ponto de partida foi a apresentação da tese de doutorado do Prof. Dr. Fabrício Emerik Soares, falecido em 17 junho de 2018. Foi um grande pesquisador sobre a figura do Pe. Júlio Maria. Sua tese versava o seguinte: Religião, Laicidades e espaços públicos. Notas sobre os discursos do Pe. Júlio Maria De Lombaerde, de 1928 a 1944, na Paróquia do Bom Jesus de Manhumirim-MG. Depois da apresentação da tese, cada historiador ofereceu suas contribuições e todos julgaram a tese do prof. Dr. Fabrício bem original e digna de um doutor.

 

4. Por que amo Maria: uma mariologia julimariana em construção

[Ms. Pe. Marcos Antonio Alencar Duarte, SDN, Pe. Aureliano de Moura Lima, SDN, e Ms. Ir. Maria Mônica Gomes Coutinho, SMR]

Esta foi a última mesa do Colóquio Julimariano. A reflexão seguiu esta ordem: Pe. Aureliano abriu a conversa apresentando em linhas gerais, a partir do capítulo 8º da “Lumen Gentium” aquilo que a Igreja orienta para a construção do pensar mariano na comunidade eclesial. Em seguida, Pe. Marcos Antônio, iluminado pela obra: “Por que amo Maria”, do Servo de Deus, expôs a gênesis do pensamento mariano do Pe. Júlio Maria.

Esta última mesa refletiu sobre o tema da Mariologia, a partir do livro do Servo de Deus Pe. Júlio Maria, Por que amo Maria. Esta obra foi escolhida por ser, entre as demais, aquela que nos oferece um arcabouço teórico para começarmos a redescobrir o pensamento sistemático mariológico do Pe. Júlio Maria. E por está fora do embate com os protestantes. O autor está com sua pena totalmente voltada para a figura de Maria dentro da comunidade cristã, na sua abertura a Deus, as implicações no projeto divino e o papel que Maria exerce na vida de cada fiel.

A devoção a Maria é sem dúvida um meio eficaz para se chegar a Deus. Mas, para isto é necessário se aplicar ao estudo de Maria, pois sem o mesmo, a devoção torna-se superficial. A devoção a Maria exige de nós o fervor, a determinação: ser como Maria, uma vida toda aberta a Deus e ao seu projeto. Sendo assim, a devoção não é só um caminho piedoso, mas um jeito mariano de ser na relação com Deus. A mariologia do Pe. Júlio Maria vai nesta direção: deixa-se moldar, ser conduzida por Maria, mas ser como Maria na nossa relação com Deus.

Por último, Ir. Mônica fez uma trança com ideias que nos ajudam a responder a pergunta: Por que amo Maria? Ela responde a questão voltando às ideias e pensamentos do Pe. Júlio Maria e ampliando a reflexão com a teologia mariana de hoje.

Encerrando o Colóquio Julimariano

O Colóquio Julimariano teve seu início às 7h com a Celebração da Eucaristia e seu termino às 22h. Foi um dia bem intenso de reflexão. Mas, por outro lado foi aliviado pelo interesse dos participantes em conhecer, perguntar e ler a obra do Servo de Deus. Como também a amizade que foi gerada entre os participantes a partir da reflexão.

Terminamos o Colóquio com o gosto de quero mais. Foi muito bom entrar neste movimento de retomada dos escritos do Pe. Júlio Maria. É preciso revisitá-lo sempre. Ele tem muito a nos ensinar enquanto Igreja missionária em saída.

 

 

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