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08/10/2021 Denilson Mariano Edição 3941 CEBs e Sinodalidade, uma cartilha para nossas comunidades
F/ Cebs do Brasil
"Queremos ser uma igreja de irmãos e irmãs, toda ela ministerial e amplamente participativa. E que, por isso, pode também aprofundar o seu sinal de profecia no meio do mundo. Ser um sinal de aprofundar o que fundamental para a dignidade da pessoa humana, num contexto de injustiça que massacra os que mais sofrem e estão à margem da sociedade... Que o Espírito nos ilumine e o caminho sinodal de Jesus: Comunhão, Participação e Missão."

Neste dia 5 de outubro 2021, pelo Canal do YouTube CEBs do Brasil foi lançada uma cartilha que visa colocar as Comunidades do Brasil em sintonia com o processo de escuta e preparação para o Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade, a se realizar em 2023.

Marilza Schiuna, de Cuibá-MT, - ex-presidente do CNLB - abriu a reflexão convidando a todos a “sinodalizar”, recordando uma afirmação do Papa Francisco: “O caminho da sinodalidade é o caminho que Deus espera da Igreja no novo milênio.” Enfatizou que esta Cartilha foi elaborada pelas CEBs da América Latina e do Caribe em função de ajudar e articular a caminhada das Comunidades Eclesiais de Base na prática sinodal. Também ressaltou alguns obstáculos a serem superados, aquilo que dificulta e atravanca a nossa caminhada eclesial.

A Cartilha “Caminhar Juntos”, elaborada pelo Serviço de Articulação Continental das CEBs, está organizada em sete encontros ou reuniões de reflexão, destinada aos nossos grupos, círculos e comunidades. Ela quer iluminar a vida a partir da palavra de Deus e da realidade vivida. Cada encontro propõe que se faça um registro das reflexões para ser enviado como contribuição à caminhada das CEBs e ao processo sinodal que estamos vivendo. Em seu conjunto, a cartilha objetiva:

  • Incentivar uma melhor formação em todos os níveis das CEBs;
    • Animar a rede de assessores e assessoras das CEBs e seu serviço;
    • Promover a comunhão intereclesial;
    • Receber e assumir as inquietudes mais comuns que surgem das CEBs;
    • Animar a atenção e abertura dos novos campos de missão: jovens, povos ancestrais, igrantes e aquele que na realidade pareça ser prioritário;
    • Compartilhar, em todo o Continente ganhos, materiais, processos de formação, experiências, resultados dos processos nacionais e regionais que possam ajudar em nível nacional, regional e continental;
    • Ser uma instância de diálogo com os diferentes espaços alter-mundistas globais.

Comunhão, Participação e Missão

Pe. Manoel Godoy, de Belo Horizonte-MG, explicitou que a Sinodalidade, não é algo que se inicia agora, mas trata-se de uma marca da nossa Igreja, bem como na nossa vida cotidiana, na nossa experiência de ser igreja, como, por exemplo, os conselhos comunitários, onde se partilha os desafios, se decide e se organiza a vida em comunidade. As assembleias comunitárias, sejam paroquiais ou diocesanas, são momentos especiais de sinodalidade. São momentos privilegiados, ainda que em tensão, que expressam o anseio e a prática de “Caminhar Juntos”. Agora, frente à Assembleia Eclesial de novembro é um ensaio de sinodalidade para o Sínodo convocado para 2023. Em três palavras ele indicou o eixo do caminho sinodal:

Comunhão “Só faremos uma Igreja sinodal se a comunhão for o horizonte, a meta de nossa caminhada: comunhão de vida, de partilha, de ideias, de sonhos...”

Participação: “Tomar parte em, isso é fundamental, e ela só é possível, onde há comunhão, o que permite que as pessoas tomem parte... Todos temos direito de participar.

Missão: “Por que nunca podemos nos contentar com nosso grupinho, pois viramos gueto... a natureza da Igreja é ser missionária...” E concluiu: “a sinodalidade acontece quando fazemos acontecer a Comunhão, a Participação e a Missão desde à nossa comunidade, até os mecanismos mais complexos em nossa Igreja.”

Uma visão sintética de toda a cartilha

Na live, sob a coordenação de Marilza Schiuna, sempre introduzindo para participante com um poema, aconteceu uma breve apresentação dos encontros da cartilha, destacando a temática de cada um deles e sua importância para a caminhada de nossas comunidades. Cada um dos convidados apresentou um dos sete encontros da Cartilha. Pe. Monoel Godoy destacou os dois primeiros: “a Sinodalidade, um caminho de encontro” e “o caminho sinodal dos povos na Bíblia”; Pe. Vileci Vidal, de Crato-CE, apresentou p 3º encontro: “O caminhar comunitário de Deus com o povo novo”; Pe. Benedito Ferrado, Campinas-SP, sintetizou o 4º encontro: “Memória sinodal: raízes e testemunhos das comunidades originárias de Abya Yala”;

Dom Gabriel, de Floresta-PE, ao fazer os destaques do 5º encontro, enfatizou: “Nas CEBs fazemos caminho sinodal, mediante a diversidade de ministérios, em autonomia e comunhão”; Neuza Mafra, de Crisciúma, SC, destacou: “Nas lutas sociais, unem-se os caminhos de todos os povos e Culturas”, tema do 6º encontro. Finalizando os temas tratados na cartilha, Celso Carias, Duque Caxias, RJ, destacou “a experiência de sinodalidade na nossa comunidade”, hoje.

 Alguns destaques marcantes

Dom Gabriel ressaltou a importância da autonomia a serviço da comunhão e da missão, “não como algo que nos assusta, mas como a autoridade de anunciar, de fazer acontecer o Reino de Deus nas circunstancias e lugares em que nós estamos vivendo. [...] Autonomia é a consequência de que os lugares e circunstâncias são diferentes.  Nós temos a autonomia legítima de tomar as decisões fundamentais afim de que o Reino de Deus seja anunciado e seja feito acontecer naquele momento. [...] Não devemos ter medo de assumir a responsabilidade da nossa missão. Autonomia não significa querer quebrar a comunhão, pelo contrário,  quer fazer viver a comunhão neste momento e neste lugar, assumindo as nossas responsabilidades. E esta responsabilidade nós podemos assumi-la pelo batismo que recebemos. Porque Deus fez de todos nós um povo com a mesma dignidade, tendo recebido o mesmo Espírito pelo Batismo. [...] A autonomia está a serviço da comunhão e da missão. [...]” Ao falar da diversidade de ministérios destacou: “o que diz respeito a todos deve ser decidido por todos e a todos cabe fazê-lo acontecer. Isto é o que deve ser o estilo das CEBs para viver a sinodalidade. [...] Somos chamados a fazer acontecer essa sinodalidade.”

Neuza Mafra reforçou que “Eu sou o porque nós somos” Ubuntu, expressão africana que ressalta a importância da sinodalidade com aquilo que está ao nosso entorno. Ressaltou a importância de que cada povo (indígena, afrodescendente, mulhers...), cada nação, seja, de fato, sujeito social que sustenta a consciência social que liberta do individualismo, do sistema capitalista... Enfatizou que “a sinodalidade passa pelo caminho das pastorais sociais e dos movimentos populares como um serviço evangélico de risco, para agir com: sensibilidade para com os fracos e indefesos; solidariedade frente a determinadas emergências; profetismo no combate à injustiça; espiritualidade libertadora, fonte e sustendo da caminhada.” Ressaltou que “os caminhos dos/as jovens se encontram com os dos adultos e idosos, para não perderem a memória da libertação conquistada”.

Celso Carias destacou por fim a necessidade que haja uma articulação ampla, em todos os setores e instâncias de participação, a nível comunitário, paroquial, diocesano, regional, para uma efetiva participação. Há de se valorizar e seguir os passos do Vade Mecum (documento preparatório) para o Sínodo para que todos sejam envolvidos no processo. Ele, apoiando-se nos Atos dos Apóstolos pontuou: “Que nós e o Espírito Santo possamos decidir que nós queremos uma Igreja que dialogue, para dentro e para fora, que dialogue com o mundo, que dialogue com a história, que seja sinal, sal, fermento no meio do mundo. Luz para os povos como diz o Documento central do Vaticano II: Lumen Gentium, luz para os povos. Luz e não contradição. Gostaríamos que a Igreja pudesse vivenciar esse momento sinodal com muita profundidade, para chegarmos a 2023 e deslanchar novos processos. Processos que possam, cada vez mais, indicar que queremos ser uma igreja de irmãos e irmãs, toda ela ministerial e amplamente participativa. E que, por isso, pode também aprofundar o seu sinal de profecia no meio do mundo. Ser um sinal de aprofundar o que fundamental para a dignidade da pessoa humana, num contexto de injustiça que massacra os que mais sofrem e estão à margem da sociedade.”  Por fim, em clima de otimismo e, citando Ariano Suassuna, nos convida a todos a sermos “realistas esperançosos”, ajudando a provocar nossas comunidades, paróquias e dioceses a abraçar esse processo sinodal com força, acordar os que estão dormindo e sacudir os que estão na indiferença. Que o Espírito nos ilumine e o caminho sinodal de Jesus: Comunhão, Participação e Missão.

Afinal, “o nosso jeito de ser Igreja é o nosso jeito de viver a fé”, arrematou Marilza Schiuna e passou a fazer um reflexo dos vários comentários postados no chat.

Você pode acompanhar a live e beber mais deste rico momento de lançamento desta Cartilha CEBs e Sinodalidade.

 Click no link e baixe a cartilha: CEBs e SINODALIDADE: “CAMINHAR JUNTOS”

 Veja o Vídeo de lançamento da Cartilha: Video CEBs e SINODALIDADE

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 Síntese: Denilson Mariano 

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