Formação Leigos
17/05/2019 Pe. Agenor Brighenti Edição 3910 Avanços e retrocessos na caminhada do laicato [2] O laicato na igreja e no mundo – II
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"Há três décadas, em grande medida, a Igreja está caminhando para trás"

Pe. Agenor Brighenti

 Abordando a situação do laicato na Igreja e na sociedade, no artigo anterior destacamos seu potencial e suas qualidades: um gigante, mas adormecido e domesticado. O Concílio Vaticano II, em sua “volta às fontes” bíblicas e patrísticas, deu aos leigos e leigas plena cidadania na Igreja e os lançou numa missão profética no seio da sociedade autônoma. Só é bom cristão quem é também bom cidadão. Passados 50 anos da renovação conciliar, é oportuno perguntar como anda a caminhada do laicato, na Igreja e na sociedade. 

 Virando a página: O Concílio Vaticano II, sem romper com a Tradição, fez uma profunda reforma da Igreja, superando o posicionamento apologético da contra-Reforma tridentina. Foi a concretização de um desejo que vinha de longe, desde o século VIII (ad rimini fontes), passando por Francisco de Assis na virada do milênio e, por Lutero, no limiar da era moderna. O Vaticano II deveria ter acontecido em Trento, mas só veio a realizar-se 500 anos depois. E, ainda assim, para Y. Congar, a Igreja não estava preparada. Para ele, Concílio veio vinte anos antes da hora. Quem sabe muito mais, pois passados 50 anos, alguns segmentos da Igreja ainda não o acolheram e, pior, outros estão empenhados numa “reforma da reforma” do Vaticano II. 

 Página virada? A Igreja, antes do Vaticano II, concebia os leigos e as leigas como coadjuvantes do clero e, depois do Concílio, passou a vê-los como sujeitos e protagonistas da evangelização.  Dado que todos os ministérios na Igreja brotam do batismo, não há duas categorias de cristãos – clero e leigos, mas um único gênero - os batizados, em uma Igreja toda ela ministerial. Os ministros ordenados são membros do Povo de Deus, que presidem a Igreja, mas não a comandam, ao contrário, são ministérios a serviço dos leigos e leigas. Como diz o Vaticano II, há uma radical igualdade em dignidade de todos os ministérios na Igreja. Todos os batizados estão no mesmo nível e condição; a diferença é de dons e carismas (LG, Cap. II).

Consequentemente, segundo o Vaticano II, há uma co-responsabilidade de todos em tudo na Igreja. Juntamente com o clero, os leigos e leigas são sujeitos no discernimento, nas decisões, na execução e na avaliação, relativos à vida da comunidade eclesial como um todo. O discernimento se faz no diálogo e no debate; a tomada de decisões, através de assembleias, conselhos e equipes de coordenação; a execução, pela criação de serviços de pastoral, para dentro e para fora da Igreja; e, a avaliação, implica a partilha entre todos dos méritos das conquistas, bem como em assumir limites a serem corrigidos na projeção da ação futura. O serviço no seio da sociedade se faz pela pastoral social e, a participação dos cristãos, como cidadãos, se dá nas organizações da sociedade civil, sejam elas autônomas ou do poder público. Para isso, o planejamento participativo é um instrumento valioso, permitindo a participação dos leigos e leigas em uma pastoral orgânica e de conjunto. [...]

 Vaticano II: batalha perdida ou esperança renovada?

Há três décadas, em grande medida, a Igreja está caminhando para trás. O Vaticano II está vivo, mas é brasa sob cinzas; mais resiste que avança. Aparecida e o pontificado de Francisco são um sopro, capaz de acender novamente o fogo do Espírito, presente na renovação conciliar. Vaticano II, uma batalha perdida ou esperança renovada? A canonização de João XXIII e de Paulo VI, os dois Papas do Concílio, assim como de Dom Romero, sinaliza para uma esperança renovada.

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